The Lizzie Bennet Diaries

Nosso clube de leitura deixou de existir há dois anos. Mesmo assim, nunca voltamos para encerrar o blog e manter apenas as discussões passadas, que tão importante foram para nós.

Como post derradeiro, vamos falar da websérie The Lizzie Bennet Diaries, que também começou há dois anos. Elizabeth Bennet é uma pós-graduanda em comunicação social que mantém um videoblog no YouTube como trabalho de curso. Ela tem duas irmãs, Jane e Lydia, e possui uma imensa antipatia por um tal de Darcy. Alguém aí reconheceu “Orgulho e preconceito”?

São 100 episódios e a maioria está legendada em português, mas às vezes há alguns problemas de sincronização. Não deixem que isso atrapalhe, sigam até o final porque vale muito a pena, especialmente para quem já leu o livro.

Este é o primeiro episódio. Quem quiser acompanhar a história completa, aqui.

(Se a legenda em português não aparecer automaticamente, clique no quarto ícone, da direita para a esquerda.)

Livro 6: Persuasão

O encontro do sexto livro aconteceu dia 3 de abril com participação de Cássia, Cátia, Laís, Marina e Nina. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Cássia: Cátia, estava contando para a Nina que farei uma coisa bem feia: serei infiel.

Cátia: Hahahahahahaha, ai o captain.

Cássia: O K. dançou.

Cátia: Captain, hahahahaha. Pois, eu também me inclino muito entre os dois.

Cássia: Ah, meu coração se decidiu.

Cátia: Oh, captain, my captain!

Cássia: Um homem que se mantém fiel por OITO anos. Eu quero AGORA.

Nina: Ele é um fofo!!!

Cátia: Hahahahaha.

Nina: Hahahahaha.

Cássia: Ele é demais.

Cátia: E a carta??????

Cássia: Ai, a carta.

Cátia: Eu AMO aquela carta.

Nina: Me explica a carta.

Cátia: Eu acho A CARTA.

Nina: Nossa, eu também.

Cássia: Que homem escreve aquilo, senhor jesus.

Nina: Pois é!

Cátia: É.

Cássia: Depois da carta, eu derreti.

Cátia: Aquela carta me emociona sempre.

Cássia: Chorei absurdos.

Cátia: You pierce my soul. É assim uma frase fenomenal. Acho que não há tradução em português que alcance a dimensão desta frase.

Cássia: É verdade…

Nina: Imagine a emoção de receber A CARTA, gente! Eu morria!

Cássia: Eu tremi só de imaginar receber uma dessas, sério.

Cátia: É, Nina, eu também

Cássia: Imagina, aquela angústia, abrir e ler isso?

Cátia: É tão poderoso este livro.

Cássia: W., eu tô aqui!

Cátia: Hahahahahaha.

Nina: Hahahahaahaha.

Cássia: Vamos combinar: Jane dá cada nome para os caras.

Cátia: Mas ele foi cruel…

Cássia: Eu não consigo soletrar, gente.

Cátia: Tadinha da Anne, hahahaha.

Cássia: A angústia dela, ô dó.

Cátia: Eu gosto muito da Anne, acho que já disse isso. É a personagem com a qual mais me identifico.

Cássia: Duas!

Nina: Eu também.

Cássia: E não dá para ser imparcial nesse livro.

Cátia: Não dá.

Cássia: Analisar com calma, com sei lá o quê.

Cátia: Eu entendo tudo na Anne.

Cássia: É passional a coisa.

Nina: Exatamente!

Cátia: É e tem muito de abnegação.

Cássia: Tem partes da história que nem lembro, sério. Parece que passa como um tufão pela gente.

Cátia: Eu olho para Anne e sei que ela não se deixou unicamente persuadir.

Cássia: Não mesmo. E quando ela fala do dever? Vou até pegar o livro, para copiar umas partes.

Cátia: Ela se negou a ela própria pelo bem de todos.

Nina: Eu também.

Cátia: Eu me emociono com isso.

Nina: E o tanto que ela sofreu?

Cátia: Nossa, Nina, foi demais.

Nina: Gente, eu sentia a dor dela.

Marina: Eu também. E dele também.

Nina: Muito sofrimento para uma pessoa só.

Laís: Curiosamente, eu me identifiquei mais com a dor dele do que com a dela; não que não entenda a dela, longe disso.

Cássia: Sofrimento demais. Então, vamos organizar? Vai, Laís, fale sobre a sua identificação. Depois a gente fala da nossa, o time Anne.

Cátia: OK.

Marina: Eu entendi a dor dos dois, mas me identifiquei mais com a dela.

Cátia: Hoje vai ser bom!

Cássia: Hoje vai ser uma coisa, já estou tendo palpitações.

Nina: (hahahaha)

Laís: Então… Entendo muito a dor dele porque é muito complicado amar uma pessoa que não tem a mesma força que você. Ela não era forte, pelo menos não foi naquele momento, porque se deixou levar por muita gente; a dor dele ainda foi maior porque ele não conheceu de fato os motivos dela.

Cássia: Hmmm… não concordo, mas prossiga.

Laís: Por isso compreendi quando ele demonstrou certo ressentimento quando os dois se reencontraram. Claro que fiquei triste com isso, tá gente? Não quero condenar a Anne de jeito nenhum.

Cássia: Nem vejo como condenação, mas não acho que a decisão dela tenha a ver com força.

Cátia: Sim, concordo.

Cássia: Ela até fala, naquela parte linda, vou digitar.

Marina: Eu concordo com a Laís, ela não teve força naquele momento.

Cássia: “[…] lembre-se que era uma persuasão exercida em nome da segurança, não do risco. Quando cedi, achava que cedia ao dever…”

Cátia: Sim.

Cássia: Meninas, é lindo a gente falar em força quando não se tem grana nem para pagar as contas.

Marina: Mas acho que o que a Laís quer dizer, é a força do amor dela por ele, que não foi forte o bastante (É isso, Laís?).

Cátia: Sim, ceder não por fraqueza mas por capacidade de resistência.

Cássia: Exatamente, Cátia. Mas ela o amava imensamente… por isso sofreu tanto.

Laís: É mais ou menos isso, Marina.

Cátia: Bem, eu penso um pouco diferente.

Marina: Eu sei que sofreu, e morri de dó, todo o tempo, meu coração pulava junto cada vez que eles estavam na mesma sala, hehehehe.

Laís: Puts, o meu também. Afinal de contas, ela se sentia desconfortável também, né… Tinha consciência.

Marina: Sim, e ele no começo foi bem malvado, hehehe (eu entendi ele também), mas mesmo assim dava dó dela.

Laís: Se eu fosse ele, talvez agisse da mesma forma no início.

Cátia: Eu penso que Anne Elliot não foi contra a família e contra a opinião de Lady Russell não por ser fraca ou demasiado frágil.

Laís: Porque a gente sabe o que acontecia no coração dela, mas ele não tinha como saber.

Marina: Laís também acho que ia agir daquela forma. Sim.

Cátia: Eu penso que ela agiu em conformidade com a consciência de que unir-se naquele momento ao W. implicaria principalmente prejudicar a ele, e isso é o que eu acho fantástico.

Cássia: É mesmo, não tinha pensado sob esse aspecto. Pronto, meu amor por ela acabou de crescer.

Cátia: Jane revela isso numa frase: “(…) se não se houvesse detido a imaginar o bem dele, mais ainda do que o seu próprio, por certo não teria renunciado a Wentworth”.

Laís: Interessante.

Cássia: A Anne chega a ser mais madura que a Elinor.

Cátia: “A convicção de estar a ser prudente e abnegada acima de tudo para bem dele foi o seu principal consolo no tormento da separação.” Gente, isto é lindo. Totalmente.

Nina: Eu concordo com a Cátia. E para falar a verdade, eu nunca pensei em fraqueza, mas no que ela sofria. Eu sofri a cada momento junto com ela porque ela o amava perdidamente. Muito lindo.

Cátia: Ou seja, ela renunciou ele para o bem dele. Sim…

Cássia: Também nunca pensei em fraqueza, nem em falta de amor.

Cátia: É muito lindo, sofrer calada e incompreendida.

Marina: Mas ele, com certeza, viu como uma fraqueza dela.

Cássia: No começo, pensei mesmo que ela se deixou levar pelas circunstâncias, depois entendi que era amor mesmo assim… É lindo a gente achar que o “amor pode tudo” quando a realidade é diferente.

Cátia: E sem esperar sequer voltar a vê-lo.

Cássia: Mas ele foi renegado, Marina. Ninguém que toma um pé na bunda verá grandeza nisso, hehehehe.

Marina: Isso que eu falei.

Laís: É isso que eu penso também. Para ele, dane-se a grandeza.

Cássia: Eu sei que “pé na bunda” é feio, mas não me veio outro termo, hehehe. Não só para ele, para todos nós. Se eu levo um fora porque o cara quer o meu bem, não vou achar isso lindo.

Cátia: Mas aí sabem de uma coisa, eu acho que o problema não foi o fora que ele levou.

Cássia: Posso entender isso mais tarde, não naquele instante.

Cátia: O problema eu até acho que foi ele ser esnobado pela família dela, isso irritava ele.

Laís: Sim.

Cássia: É mesmo?

Cátia: Eu acho.

Cássia: Porque eu não o vejo como um Darcy, um poço de orgulho.

Nina: Sim.

Cátia: Ele ficava meio que engasgado com isso.

Marina: O ser humano é orgulhoso e todo pé na bunda fere o nosso orgulho, por isso ele tratou ela daquele jeito no começo.

Cátia: Não, não é isso.

Laís: Aí ele soma o fato de ser esnobado com o fora e pensa: pronto, ela acha a família mais importante do que eu, essa família que nem gosta dela.

Marina: Hehehehehe.

Cátia: Ele levou um fora muito grande da família dela.

Nina: Nossa.

Cátia: Porque ele entendeu que o fora da Anne foi por causa da família dela.

Cássia: Gente, tem de ler muito conto de fada para ter a certeza, ainda mais naquela época, que a princesa abandona a família por amor.

Laís: Exato.

Cátia: A família não achava que ele estivesse à altura – não da Anne – mas de um Elliot, pelo menos, eu interpreto assim.

Laís: Sim, a Anne, na verdade, pouco importava.

Cátia: Não importava nada (só me apetecia esbofetear a família dela toda).

Laís: Somos duas.

Nina: Gente, não foi a Lady Russell quem a convenceu a largar o capitão?

Marina: Eu também.

Cássia: Foi sim.

Laís: Foi. Fiquei com uma raiva… Mas uma raiva…

Cássia: E a (quase) casar com o Sr. Elliot canastrão.

Cátia: A Lady Russell lembra uma Emma madura, não achas Nina?

Nina: Muito, hahaha.

Cássia: Ahá, sabia que vocês iam falar isso.

Cátia: Hahaha.

Cássia: E até pensei na defesa, huhuhuhuhu.

Cátia: Deves ter adorado!!!

Cássia: Conheço vocês, gurias! Não, porque elas são diferentes. A Emma era mimada, a Lady Russell é mulher feita, a Emma fazia o que fazia por infatilidade…

Laís: A Emma consegue ser pior que a Lady Russell.

Cátia: E não é tão divertida.

Cássia: Não, a Lady Russell é pior, porque ela manipula.

Cátia: Eu não concordo.

Cássia: A Emma não tem tamanha inteligência.

Nina: Mas a Lady fez o que fez porque achou que ele não merecia a Anne. Claro, toda aquela baboseira de não ser a altura da família e tals. Acho que por isso a Anne considerou. Se fosse a tonta da irmã dela… duvido! Hehehe.

Cátia: Não acho que Lady R. seja manipuladora.

Marina: Verdade (verdade para a Ana).

Cássia: Gente, a Emma fez a mesma coisa com a amiga, achou que fulano não estava a altura, agora uma é legal e a outra não?

Laís: Para mim é difícil defender a Emma.

Cássia: Eu amo a Emma, então nem adianta, hehehe.

Marina: Eu acho que as duas agiram errado e da mesma forma.

Cássia: Mas eu gosto da Lady Russell também.

Cátia: Lady Russel tinha um sentimento de mãe, queria proteger a Anne.

Nina: Eu acho que a Lady Russell protegia a Anne. Tipo, ela era uma mãe para ela.

Cássia: Mas eu não acho que agiram certo. Eu só ENTENDO o que fizeram.

Nina: Também não acho.

Cássia: É, ela fez o que uma mãe faria.

Cátia: Eu também entendo.

Cássia: Porque naquela época, a coisa era diferente.

Cátia: Eu acho que Lady Russell agiu a pensar no bem.

Cássia: A gente não pode olhar com nossos olhos de hoje.

Cátia: Sim.

Nina: Isso.

Cássia: “Ah, que absurdo, não casou por conta do nome.” Naquela época, isso era importantíssimo!

Nina: Exatamente.

Cássia: A palavra, a honra e o nome valiam mais do que qualquer coisa.

Cátia: Na realidade, o W. não podia naquela altura oferecer nada para Anne.

Cássia: Exatamente.

Laís: Meninas, o que mais me incomoda não é o fato de não casar por causa do nome.

Cátia: E Lady Russell sabia disso.

Cássia: Exato. E sabia que, se Anne se casasse, poderia ser uma desgraça.

Cátia: E Anne também.

Cássia: Mesmo com tanto amor.

Cátia: E aí está o grande cerne da questão.

Laís: O que mais me incomoda é o fato de a família nem gostar da Anne. Isso me enraivece.

Cátia: Eu insisto nisso.

Marina: Verdade, isso é o uó, eles tratam ela como empregada e ainda se metem na vida amorosa da menina.

Cátia: O que Anne acatou de Lady R. é o argumento de que se eles se casassem isso provavelmente prejudicaria a ele. Foi isso que a fez ser “persuadida”.

Laís: Por causa daquela família odiosa.

Cátia: Esta é a minha teoria da conspiração versão “persuasão”.

Cássia: Nem toda família é um berço de amor.

Marina: Mudando de assunto, aquela Louisa me irritou com o “me pega”, hehehe.

Cátia: Hahahahahahahahaha.

Laís: Peraí…

Cátia: Aliás, as duas irmãs.

Laís: Antes de falar da Louisa, eu tenho que dizer que a Mary merecia uns tapas bem dados.

Cássia: A Jane sempre coloca as cocotas nos livros.

Laís: Eita mulher chata.

Marina: Verdade.

Nina: Nossa, eu xinguei demaaaaaaais! Hahahaha.

Cássia: Ela devia a-do-rar esses seres.

Laís: Agora prossigamos, rs.

Marina: Nossa senhora, quando ela falava “me pega” eu sentia a dor da Anne, dava uma vontade de dar um peteleco na menina.

Cátia: Sabes o que mais me irritou na Mary? Quando ela disse que o W. tinha falado nela como se ela estivesse acabada.

Marina: Nossaaaaaaaaaa, verdade.

Cátia: Que ódddddiiiiiioooooooooo.

Nina: Noooooooooooooosssaaaaaaaaa.

Marina: Tinha me esquecido disso, nossaaaaaaa.

Cátia: Tipo “ele nem te reconhecia”.

Marina: Tapa na cara.

Cátia: Arrrrggggghhhhhhhhhhhhhh.

Marina: Hehehehehehe.

Cássia: Hahahaha, gente, eu achei graça. Naquela época, 27 anos era tiazona.

Cátia: Eu achei muito sebosa.

Nina: Eu fiquei com ódio.

Cássia: Eu nem liguei.

Marina: Muito ódio.

Laís: Pois é. Eu fiquei me imaginando uma tia, eu tenho exatamente 27 anos.

Cátia: Nossa, dava para uns catiripapos!!

Laís: Foi muito estranho, rsrs.

Marina: Eu também, hehehehehehe.

Cássia: Meninas, peeeeeeeeensem na época, hehehe.

Cátia: Sim, eu sei.

Cássia: Eu tenho 31, se pensar nisso, me jogo da ponte… Hello, século 21!

Cátia: Mas eu acho que foi naquela de espizinhar.

Laís: Eu penso, por isso fiquei imaginando a diferença entre as culturas.

Cássia: A Mary era tão tonta, coitada.

Laís: E como é louco tudo isso.

Cássia: Que, se falava, nem pensava muito nisso.

Cátia: As irmãs dela tinham sempre aquela coisa de tratá-la como um ser inferior.

Nina: Pois é, eu fiquei me imaginando naquela época e com a personalidade de hoje. Acho que eu ia ser presa e enforcada como bruxa. Hahahaahahaha, eu ia xingar todo mundo!

Cátia: A irmã mais velha também era titia e ninguém lhe dizia essas coisas.

Cássia: Naquela época, eu acho que teria sido uma Jane… “Ah, é? Sou obrigada a casar? Pois vou ficar SOZINHA!”

Marina: Num tem nada a ver com o tempo não, só achei que não foi legal da menina e me coloquei no lugar da Anne e fiquei com raiva da outra por ela.

Cátia: Eu não. Eu ia ficar “K” ou “W”?????? Hahahaha.

Nina: Hahahahaha.

Cátia: Ou Henry???

Nina: Boa!

Cátia: Nossssssssssssa…

Cássia: Ué, mas Jane ficou…

Cátia: Ia ser complicado.

Cássia: Ela criou TODOS! Hehehehehehe.

Cátia: Ah, não vale… Ela se os criou é porque não existiam…

Cássia: Por isso morreu só, porque o homem que ela almejava não existia.

Cátia: Ela era muito à frente.

Cássia: Ainda bem, né? Senão a gente não estava aqui falando dela.

Nina: Gente, podemos falar da carta? (ansiosa)

Cátia: Vaaaaaaaaaaaaaammmmmmmoooooooos.

Laís: Ser crítica às vezes é um problema…

Cátia: QUE CARTA LINNNNNNDDDAA!

Laís: observar muito

Marina: Lindaaaaaaaaaa.

Cássia: Não criticar às vezes também é.

Laís: Você começa a conhecer traços de caráter muito bem.

Cássia: O que te livra de MUITA coisa.

Cátia: You pierce my soul……………… “suspiro”.

Marina: Hehehehe.

Cássia: Mil suspiros. W., me liga.

Laís: Hahahahahaha.

Cássia: Calma, vou aprender a escrever meu futuro sobrenome.

Cátia: I am half agony, half hope… I have loved none but you. A sério…

Marina: Chuchuzinho.

Cátia: Vou buscar o meu marido e obrigar ele a me dizer isso!!!! Hahahaha.

Cássia: Wentworth!

Marina: Hehehehehehehe.

Nina: Eu também.

Marina: Eu nem tenho esperança que o meu escreva algo assim, hehehehehe.

Cátia: Gente, que frase que angústia que sofrimento que tudo. Eu imagino ele a escrever isto com as mãos a suar de ansiedade.

Cássia: O que acho bacana é que aí a Jane inverteu as coisas.

Cátia: O coração acelerado.

Laís: Tem hora que não dá para segurar sentimentos, aiai.

Cássia: O homem esperou tantos anos.

Cátia: Sim…

Cássia: Ele se angustiou para o reencontro. Claro, a Anne amou e tal e coisa, mas ela não esperou, porque ela não tinha mais esperança (como ela mesma falou uma hora).

Marina: Mas ela achou que tinha acabado, né,

Nina: E na hora que ele a entregou para a Anne? Tipo, com um olhar de súplica? Meu deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeus!

Marina: Sim.

Cássia: Sim, ela achou que não rolaria mais nada.

Cátia: Sim.

Marina: Estava conformada já.

Cátia: E depois tem outra coisa…

Marina: E que dó quando ela acha que ele vai casar, nossa mãe de deus.

Cátia: Ao longo do livro ela não nos revela muito do que ele pensa.

Laís: Eu também acharia que não rolaria mais nada.

Nina: Nossa, e a dor?

Cátia: Nesta carta é que transborda tudo dele.

Cássia: Ainda mais que eles iam praticamente conviver, né? Se ele casasse com a Louisa.

Marina: Mas pelo jeito que ela fica quando acha que ele vai casar, dá para ver que um pouquinho de esperança ela ainda tinha.

Laís: Ele é, de longe, o homem mais incrível que a Jane criou.

Marina: Verdade.

Nina: A carta vem para selar de uma vez. Tipo, CHEGA!

Marina: Já pensou o inferno.

Cátia: Eu gostaria de falar, não sei o que vocês pensam, mas eu acho que ele só realmente constatou que ela o amava ainda depois de Lyme, quando a Louise teve a queda. Ele muda muito a partir daí.

Laís: Concordo.

Cássia: Mas ele não diz que, naquele momento, viu que o caráter dela continuava o mesmo?

Cátia:Mas não tinha a certeza e por isso, por insegurança, para não sofrer de novo se segurava.

Marina: Num sei.

Cátia: Em Lyme?

Laís: Ele precisava se certificar.

Marina: Eu amei quando ela corre atrás dele no concerto.

Cássia: Quando a gente ama, a angústia só acaba se o outro fala na lata que também ama.

Laís: Falando em concerto.

Cássia: Dar dica não ajuda.

Cátia: Sim, ele estava na defensiva.

Nina: Dar dica só piora, na verdade.

Marina: Eu achei que ali ela ia falar alguma coisa.

Laís: Aquele primo chato pedindo para ela traduzir uma música, enquanto ela conversava com o W.

Marina: Verdade.

Cássia: Ele só ia se acalmar quando a Anne dissesse: “Sim, quero também.” É mesmo, Nina, piora.

Cátia: E, gradualmente, ele foi constando que apesar do que ele pensa ela continuou constante, coisa que ele não pensava.

Marina: Aquele primo era mó sem sal e sem açúcar.

Cássia: Porque ele a achava inconstante.

Cátia: Sim, e era o contrário. Mas ele até ali não tinha entendido que ela abdicou dele por ele – ai, é lindo –

Laís: Tem coisa que não dá para entender sozinho.

Cátia: Ele só entende isso mais para o fim.

Nina: Quer prova de amor maior do que essa, né?

Cássia: Por quê? Porque ela guardou tudinho num cantinho do coraçãooooo, hehehehe.

Cátia: Nossa, a sério.

Cássia: Se fosse hoje em dia, uma cabeçuda qualquer escreveria isso no Facebook ou no Twitter, hahaha.

Marina: Principalmente quando tem tanta emoção envolvida, é difícil entender as coisas usando a cabeça.

Cátia: Eu sou muito parcial com esse livro, imaginem se Jane o tivesse revisado????

Nina: Hahahaha.

Cássia: Mas ela mudou umas coisas, a carta não existia.

Nina: Nossa.

Cássia: A declaração tinha sido diferente.

Cátia: Sim, mas ele não estava ainda revisado.

Nina: A carta é tudo!

Cátia: Ela também revisou muitas vezes o S&S e o O&P.

Cássia: Não tem na versão de vocês? O capítulo excluído?

Marina: Um livro da Jane não podia faltar uma carta, hehehehe.

Cátia: Qual? Acho que não.

Nina: Não.

Cássia: Você viu o filme? No de 2007, eles deram um jeito de colocar. Querem que eu conte o capítulo?

Cátia: Sim, eu vi. Qual foi?

Nina: Qual é a sua edição?

Marina: Eu vi também.

Cássia: No filme de 2007, tem a cena do capítulo excluído.

Cátia: Qual capítulo?

Cássia: O 23.

Marina: Qual cena? Hehehe.

Cássia: Não tem a carta?

Cátia: Nossa, eu não sabia!

Cássia: Não era a carta, era ele chegando para falar com ela, que o cunhado dele disse que por conta dos boatos do casamento dela com o Elliot…

Cátia: Mas ela recebeu a carta nessa versão.

Cássia: Ele não alugaria mais a casa. Caaaalma! No filme, sim.

Cátia: Sim, mas isso tem no livro.

Cássia: No livro não era assim.

Cátia: Sorry.

Cássia: Magina. Então, aí ela diz que não vai casar com o fulano, ele se declara e vira mó novela. Aí tem quase o mesmo papo de quando ela vai falar com ele depois da carta, mas não tem o mesmo impacto. Aí a Jane não gostou e trocou o capítulo, e manteve o 24 como tinha escrito.

Cátia: Péra, não entendi.

Cássia: O que você não entendeu?

Cátia: Não.

Cássia: O capítulo 23 é a carta, não é?

Cátia: Ela eliminou ou trocou capitulo? Sim.

Cássia: Trocou. Trocou o novo pelo antigo. Calma, a gente está saindo da discussão, hehehe! Eu mando o capítulo por email.

Nina: Você tem qual edição, flor?

Cássia: Tenho da Martin Claret.

Cátia: Eu estou um pouco confusa porque minha numeração de capítulos não está como a sua.

Cássia: Quando o livro acaba, tem o capítulo excluído. Não se confunda, apague o que falei.

Cátia: O meu livro tem a história dividida em dois volumes e a carta corresponde ao capítulo 11, do volume 2.

Cássia: Então, o capítulo 11 não era esse, era outro. Ela jogou fora e reescreveu. Meninas, cadê vocês?

Cátia: Foram ver o livro.

Marina: Oi, estava lendo a explicação dos capítulos, hehehe.

Laís: Estou aqui.

Nina: Oie, estava vendo aqui, hehehehe.

Cássia: Hehehehe. Eu mando para vocês, relaaaaxem! Eu digito depois.

Cátia: Eu achava que essa coisa da versão 2007 seria uma liberdade ficcional da produção. Nossa, como me escapou uma informação dessas, bolas! Clube de Leitura é Cultura!

Cássia: Mas no seu livro não tem o capítulo excluído, por isso você não sabia.

Marina: Hehehehehe.

Cátia: Pois, mas eu leio tanta coisa desta temática e nunca tinha ouvido falar nisso. Sei que ela não teve tempo de revisar como gostaria de ter feito. Gente, e o pai dela? Eu tenho uma sensação de asco daquele pai, tão e completamente indiferente em relação à filha.

Nina: Pai da Anne ou da Jane?

Laís: Tenho a mesma sensação com as irmãs, para mim eles não diferem não.

Cátia: Da Anne.

Marina: Sim.

Nina: Nossa, ele é nojento!

Marina: Também achei o pai dela um nojento.

Cátia: Como é possível, não é?

Laís: Às vezes, eu acho que não é possível, pelo menos não desse jeito. Detesto dizer isso pra vocês, que são fãs, mas tem horas que eu acho que a Jane força um pouco.

Cássia: Laís, é absolutamente possível uma pessoa ser assim.

Marina: Eu não sei não, viu, eu acho que é possível ter pai assim, sim.

Cátia: Eu acho que é possível, mas eu sempre me pergunto como é possível.

Marina: Hehehe.

Cássia: Ótimo, Cátia, hehehe. Aliás, há muitos assim por aí.

Marina: É triste, mas é possível.

Cátia: Sim, claro que há. Daí a minha pergunta em forma de indignação: como é possível?

Marina: Hehehe.

Cátia: A sério… só muda a época.

Cássia: Certas coisas continuam exatamente iguais.

Cátia: Sim, totalmente.

Marina: É possível porque tem gente que tem os valores meio distorcidos.

Cátia: Só muda o foco de interesse. Mas, Laís, o que você acha que Jane força?

Laís: Sei lá, às vezes eu acho alguns personagens muito caricatos. Tudo bem que o ser humano pode não ter os sentimentos mais nobres do mundo, não pensem que eu vivo num mundo rosa, mas, enquanto a Jane sabe construir personagens muito complexos, como o W., também constrói outros muito simplórios, como esse pai e essas irmãs.

Cássia: Eu acho que Jane se atém a aprofundar os personagens principais e os outros podem ser vistos como arquétipos. São feitos para Jane mostrar aquilo que critica.

Marina: É, acho que é bem por aí.

Cátia: Eu penso que Jane é profunda com os simplórios.

Laís: Eu entendo, mas isso não me agrada.

Cátia: Ou com os personagens secundários.

Marina: Não me incomoda.

Cássia: Sério? Eu já acho que não… ou preciso reler de maneira mais atenta para perceber isso.

Nina: Nem a mim.

Cátia: Eu tenho muitas dúvidas quanto a ser uma forma de crítica. Muita gente diz isso que ela satiriza e isso é uma forma de crítica social, meio como o Eça, mas eu não concordo.

Cássia: Eu acho que ela critica sim… e muito.

Cátia: Eu não acho.

Marina: Eu acho que critica.

Laís: Eu acho que ela crítica, sim.

Cássia: Só agora eu entendo por que Jane estava muito a frente, mas muuuuito.

Laís: Ainda que de um jeito que me incomode; mas não nego.

Cátia: Eu acho que ela concorda com quase tudo da época dela, só que ela satiriza para se divertir.

Cássia: Quando a Anne conversa com o Benwick…

Marina: Provavelmente, era o tipo de gente que ela odiava ficar perto, hehehehe.

Cátia: Acho que ela devia ter um humor excelente.

Cássia: dizendo que a literatura mostra as mulheres como seres inconstantes, porque a literatura sempre esteve na mão dos homens. Tabefe feminista na lata!

Cátia: Sim…

Marina: Mas você pode criticar com humor.

Nina: Acho que ela aprofunda os principais  e os secundários também. Tipo, ela foi uma escritora que criticava a sociedade da época, e essa coisa de deixar os personagens secundários bem expostos em suas características (odiosas na maior parte do tempo) pode ser fruto disso.

Cátia: Mas eu acho que ela aceita a condição da mulher.

Cássia: É, Nina, tem razão… deixar tudo mais claro. Não sei se aceita tanto não… no fim do livro, aliás, ela fala dessa dualidade, do fato da “profissão” de Anne ser algo recluso ao íntimo.

Marina: Também, não acho que ela aceitava.

Laís: Posso continuar sendo a crítica chatinha da Jane? Tenho que compartilhar mais uma coisa, rsrsrs.

Marina: Tanto que se você olhar bem, todas as personagens de todos os livros são revolucionárias no seu próprio modo.

Cássia: É, acho que todas as heroínas foram de alguma maneira.

Marina: Compartilha, bem, hehehe. Sim, quis dizer as heroínas.

Cássia: Sim, sim, eu concordei, hehehe.

Marina: (Cássia, sim eu que li e depois percebi que ficou parecendo que estava falando de todos os personagens e eu quis dizer as heroínas, hehehe.)

Cássia: (Aaaah, entendi! Desculpa, fofa.)

Laís: Achei muito estranha aquela paixão do Benwick pela Louisa. Ainda que isso tenha sido explicado no livro, achei que foi uma forma de encaixar as coisas; uma desculpa para deixar o W. livre… Vocês não vão concordar, mas achei um tanto artificial.

Marina: Eu também não entendi muito não.

Cátia: Eu concordo, Laís.

Cássia: Não sei, não sei… Anne já tinha dado a deixa de que ele poderia ter outra mulher.

Cátia: Nesse aspecto, eu concordo. Mas há pequenas soluções assim.

Laís: Eba!!!!

Marina: Hehehehehe.

Cátia: Eu acho que foi para destacar o facto de que o sentimento de Benwick não era muito profundo. O próprio W. diz isso, que um homem não esquece um grande amor facilmente (palmas para o W.).

Marina: Clap clap clap.

Cássia: Gente, mas o B. era viúvo. Ele ia ficar chorando a morte da esposa a vida toda?

Cátia: Não, ele não tinha casado…

Cássia: Mas era o amor dele, uai.

Cátia: Eles iam casar.

Cássia: Então, mas amava a moça, ela morreu.

Cátia: Sim, isso era.

Laís: Não, mas sei lá, essa paixão foi repentina demais.

Cássia: Ele ficou sofrendo.

Cátia: E esqueceu o amor dele num espirro.

Cássia: Aaaaaaah, gente, não concordo.

Nina: Também não concordo.

Marina: Também não concordo, não dá para ficar chorando para o resto da vida.

Cássia: Pelamor, tudo tem limite.

Nina: A pessoa não pode se apaixonar não?

Cássia: Guardar um amor que pode acontecer, é mesmo lindo…

Cátia: Sim, mas uma coisa é chorar a vida toda.

Cássia: Agora, o cara sofreu horrores, foi lá para a guerra para dar uma boa vida para a moça…

Cátia: Mas ele já estava esticando os bracinhos para a Anne.

Cássia: a coitada morre…

Cátia: Aí, a Anne vai embora…

Cássia: e ele se afunda de sofrimento. O amor tem de nascer em algum momento.

Cátia: E ele vem e diz: “Ah, Louise, tás aqui e és jeitosinha e tal…”

Cássia: Não precisa demorar anos e anos para ele [o amor] nascer.

Laís: Esse é o ponto, Cátia.

Marina: Hehehehe, é jeitosinha, adorei, hehehe.

Nina: Hahahaha, jeitosinha foi ótimo!

Laís: Era aí que eu queria chegar.

Cássia: Uai, deixa ele pegar a jeitosinha.

Cátia: O Benwick era meio “o que vier a rede cai”, não fosse ele um homem do mar.

Marina: Hehehehehe.

Laís: Hahahahahaha.

Cátia: Não não não.

Cássia: Ah, eu defendo o coitado. Sofreu demais.

Laís: Ótimo, Cátia.

Cássia: Pega mesmo, B.

Cátia: A Jane gostava de colocar uns caras assim meio…

Marina: Caiu na rede é peixe.

Cássia: Vai ser feliz, amigo. Pega a Louisa…

Nina: Eu também acho que tem que pegar.

Cássia: a encha de amor…

Nina: Pega a biscate!

Cássia: leia poesia para ela de noite…

Marina: Assim ela deixa o W. em paz.

Cátia: Tipo, cria um W. genial e um Ben meio chulé.

Marina: E para de falar “me pega”.

Cássia: O mundo é feito só de homens incríveis? Nããããão.

Marina: Nããããããoooooooo.

Cássia: O mundo é feito só de amores verdadeiros? Nããããão. Pega mesmo!

Cátia: Claro que não, mas não precisava ser tão chulé.

Laís: Gente, só para constar, a minha observação era mais do ponto de vista literário.

Cássia: Só por que ele quis pegar a moça? Ele CASOU com ela.

Marina: Pega, casa, tenha cinco filhos e vai ser feliz, hehehehe.

Cátia: Os nossos também, hahahahaha.

Cássia: C-A-S-O-U. Não pegou e deixou de lado. Colocou aliança, deu o sobrenome, casa e roupa lavada, caminha gostosa.

Cátia: Isso era mais o pai da Anne que queria pegar lá a outra oferecida.

Cássia: E o cara é chulé?

Cátia: É chulé… é chulé, sim…

Marina: Mas também devo dizer que essa coisa que do nada vamos casar fica meio chulé, isso é verdade, que nem a Marianne com o outro que eu esqueci o nome.

Cássia: Não é chulé coisa nenhuma.

Nina: Chulé, para mim, era o Willoughby.

Laís: Ai, mas a Louisa também era facinho, facinho.

Cátia: O fulano falar poesia para uma e depois faz curativo na outra.

Cássia: Gente do céu, naquela época era assim.

Cátia: Nossa, Nina, esse não é chulé.

Marina: Verdade, a Louisa era facinha.

Cátia: Esse é a escória.

Cássia: O Will? Chulé mesmo.

Marina: Como diz meu namorado, era uma free free.

Nina: Então.

Cássia: Gente, vocês ficam lendo Jane, se acostumam com Darcy, Knightley e Wentworth e depois os homens viram chulé.

Cátia: Pois.

Nina: Hahahaha.

Cátia: A fasquia aumenta.

Nina: Coitados dos maridos!

Cátia: É, minha filha.

Cássia: Exatamente.

Cátia: Jane nos torna exigentes.

Cássia: Daqui a pouco os maridos de vocês tão perdidos, tendo de escrever carta…

Cátia: Hahahahahaha.

Nina: Hahahahahaha.

Cássia: pedir em casamento (de novo) no bosque.

Marina: Hahahahaha.

Cátia: Hahahahahahaha.

Cássia: Pô, relax!

Cátia: No mínimo.

Cássia: Exatamente.

Laís: Ele foi esquisitinho, não vou negar. Imagina se a Anne estivesse interessada de fato nele. Tanto que todo mundo, sem exceção, ficou surpreso com essa paixonite repentina.

Cátia: Agora sem brincadeira…

Cássia: Porque todo mundo cuidava da vida alheia.

Cátia: Eu entendo o que a Laís…

Cássia: E você saía para passear e estava noivo.

Marina: Eu também entendo.

Cátia: Mas eu acho que essa coisa do Benwick foi para contrastar com o tema da constância.

Cássia: Entendo, mas não compreendo. Mas o W. dizia que a Louisa era constante e continuou afirmando isso quando pediu Anne em casamento. Ele não falou mal dela em momento algum, nem a colocou como alguém que deu um piti e casou com outro.

Marina: Mas também entendo o que a Cássia está falando, eu acho que naquela época devia ter muito casamento que era anunciado do nada, porque provavelmente as pessoas faziam as coisas sem que os outros vissem para que não ficassem falando muito.

Cátia: Sim, mas ela não foi constante.

Cássia: Exatamente, Marina, saiu com o siclano duas vezes, o povo falava.

Nina: Eu entendo o que ela diz, mas não acho que seja uma característica negativa da Jane. Se a gente parar para analisar outros autores… a maioria escreve assim. Até em novela tem isso (péssima comparação, eu sei!).

Cátia: Ela mostrava total interesse nele.

Cássia: Porque pode ser que estivesse a fim dele mesmo, ou ele demonstrou, o que ele próprio deixou claro para Anne.

Cátia: Aquela coisa do “vou me jogar, me pega”, não seria feito por uma mocinha se ela não estivesse interessada.

Cássia: Que estava meio xonadinho pela Louisa. Mas como não se interessar pelo W., me fala?

Cátia: Eu acho que ele quis fazer ciúmes.

Cássia: Me ensina coooooooooomo?

Marina: Hehehehehe.

Cássia: Até eu me jogava.

Laís: Nossa, essa do “eu vou me jogar” definitivamente foi o fim da Louisa, afe.

Marina: Afe.

Nina: Foi feio.

Cátia: Hahahahaha.

Marina: Põe afe nisso.

Nina: Eu fiquei com vergonha.

Cássia: Era uma menina, tadinha.

Cátia: Laís, você não [gosta] da Jane pois não?

Laís: Olha, eu não sou muito fã não, mas essa da Louisa eu gostei; gostei no sentido de que a Jane soube mostrar uma autêntica periguete.

Nina: Hahahahaha.

Cátia: HAHAHAHAHAHAHAHAHA.

Marina: Hehehehehehehehe.

Cássia: A Louisa não era periguete.

Cátia: A Isabela é que foi a periguete.

Cássia: Gente, eu tenho medo de vocês depois desses encontros todos, hehehe. Nossa, a mulherada critica meeeeeeesmo, hehehe.

Cátia: Essa sim.

Cássia: A Isabela foi.

Cátia: E a Maria Bertram também.

Nina: A Isabela foi uma legítima biscate!!! Peloamor… que vergonha alheia!

Cátia: Hahahahahaha.

Laís: Foi mesmo.

Marina: Foi.

Cátia: Uma questão, e isto porque eu não participei desde o início, vocês tinham lido algum livro da Jane antes do clube?

Laís: Eu não.

Nina: Eu já tinha lido todos.

Cássia: Eu tinha lido só Razão e sensibilidade.

Cátia: Hummm.

Cássia: A Nina é a mais fã, junto com você [a Cátia].

Cátia: Porque eu notava a cada encontro que a Laís meio que decepcionava, daí eu ter a curiosidade de saber se vocês conheciam.

Laís: Verdade.

Marina: Eu não conhecia.

Cássia: É, a Laís não é chegada não, hehehe.

Laís: Os livros de que eu mais gostei foram esses dois últimos.

Marina: Mas não me decepcionei.

Laís: Com ressalvas, sim; mas não posso falar que não gostei.

Cátia: Eu só li A Abadia e Mansfield ano passado porque eu não encontrava os livros.

Laís: Vou explicar por que eu não gosto muito.

Cátia: Mas eu já a lia desde os 15 anos mais ou menos. Diz.

Laís: O estilo da Jane me cansa um pouco. Aqueles diálogos intermináveis, aquele dom de contar em 40 páginas o que pode ser contado em beeeeem menos… Isso me deixa meio impaciente.

Marina: Ah, isso eu também acho.

Cátia: É o estilo de época, digamos assim.

Laís: Aí fico desmotivada.

Marina: Mas isso é a época que foi escrito, mas em relação as histórias, eu sempre achei muito bem elaboradas.

Cássia: Eu já gosto da maneira como ela escreve, mas preciso estar com disposição para ler…

Cátia: Eu não preciso dizer que amo.

Marina: Claro que sempre tem uma coisa ou outra, tipo os casamentos surpresa que faz você fazer humpft, mas a gente deixa isso para lá, hehehe.

Cátia: Mas é preciso gostar do estilo de época.

Laís: Eu começo com disposição, mas depois já penso em mil coisas que não têm nada a ver com aquilo.

Marina: Hehehe, isso aconteceu comigo em Orgulho e preconceito.

Cássia: Ah, você fica analisando, não pode, hehehe. Tem de abrir a cabeça e o coração e pluft!

Marina: Hehehehe.

Laís: Eu abro.

Cássia: Você analisa.

Laís: Mas aquela enrolação toda fecha eles de novo.

Cátia: Temos que arranjar um livro para a Laís gostar, gente.

Nina: Pois é, como vai ser a partir de agora?

[A partir de agora, o Clube de Leitura continuará com outros autores e livros. Obrigada, Jane Austen, por ser nossa companheira por um ano. E nos unir, em nome da amizade e da literatura.]

Livro 5: A Abadia de Northanger

O encontro do quinto livro aconteceu dia 16 de janeiro com participação de Cássia, Cátia, Laís e Nina. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Laís: Eu escrevi no Twitter que foi o primeiro livro da Jane de que realmente gostei.

Nina: Eu vi.

Cássia: Foi o primeiro que ela escreveu.

Nina: Gente, ele foi o que mais tive dificuldade de ler.

Cássia: Sério? Para mim não foi fácil também não. Assim, achei levinho e tal.

Laís: A única coisa que achei sem noção foi aquele suspense/terror na metade da história, quando a Catherine suspeita do general.

Cássia: Ah, mas acho que isso tem mais a ver com a imaginação da Catherine.

Nina: Isso.

Laís: É, pensando assim, é compreensível.

Nina: O que me deixou achando ruim foi que eu não senti realmente que o Tilney amava ela. Não sei, acho que me acostumei com os outros mocinhos da Jane, hahaha.

Cássia: Hahahaha. Eu achei que foi uma coisa muito “pluft”.

Nina: Isso.

Cássia: Ela não morria de amores, ele também não. Aí, bora, vamos casar.

Nina: Exatamente, ficou uma coisa meio forçada.

Cássia: (Laís, vem defender o livro! Hehehe.)

Laís: Bom, eu discordo, ela gostava bastante dele sim. Só para dar um exemplo, lembram quando o John disse ao Henry e à irmã que a Catherine não poderia ir ao passeio que eles tinham combinado? E a Catherine saiu correndo para ver se os alcançava?

Cássia: Sim sim.

Laís: Ela queria mesmo era estar junto do rapaz de quem gostava.

Cássia: Eu discordo. Mais pareceu que ela quis manter a sua palavra.

Laís: Era a justificativa que ela tinha para dar.

Cátia: A Nina gostou deste livro, não é?

Laís: Ah, Cátia, acho que fui eu quem mais gostei dele, rs.

Cátia: Eu também gostei.

Nina: Não gostei, Cátia. Ele foi o que menos gostei, achei meio sem sal.

Cátia: Estava a espera de uma história diferente e fiquei encantada.

Cássia: Eu também achei sem sal.

Cátia: Então confundi, foi a Laís. Eu gostei, ri muito. Achei superdivertido e não estava a espera que fosse divertido.

Laís: Também ri muito. Catherine bobinha às vezes.

Cátia: Cara, a Cathy era muito divertida, não dava uma dentro.

Laís: Insegura também.

Cássia: Eu não vou defenestrar o livro, poxa, vocês gostaram tanto, hehehe.

Laís: Não confiava nos próprios julgamentos.

Cássia: Ela era uma menina, né?

Nina: Isso.

Laís: Sim. E camponesa, ainda por cima.

Cátia: Ué, não tem problema, Cássia. Pode defenestrar.

Cássia: Não, nem é para falar mal e tal… é que achei tudo muito rasinho.

Laís: É, eu não tive dó de Emma.

Nina: Eu concordo com a Cássia.

Cássia: A Catherine é a heroína mais “inha” da Jane Austen.

Nina: Achei o livro sem graça.

Cátia: Hahahaha, boa, Cássia!

Nina: Hahahaha, inha foi ótimo.

Cássia: Ah, mas eu tenho dó da Catherine. Ela é tão sonsinhainha, fofinhainha.

Cátia: lolololol

Nina: Tão bobinha.

Cássia: A gente não vê uma mulher.

Cátia: Hahahahahahaha. Porque ela não é. Eu achei ela uma candura.

Nina: A gente só vê a capacidade de imaginar que ela tem, nem o amor entre ela e o Tilney me pareceu verdadeiro, meninas.

Cátia: Sério?

Nina: Como eu já disse aqui, acho que estava acostumada aos outros mocinhos de Jane.

Cássia: Sim, ela não é. Mas a Marianne também não era.

Cátia: Ah, sim, isso é outra coisa.

Cássia: Mas a gente via uma força interna ali.

Nina: Da Marianne, né?

Cássia: Exatamente, Nina. E a Marianne era uma menina.

Cátia: Mas a Marianne e a Cath são totalmente diferentes.

Cássia: Claro, claro, mas estou falando de profundidade de personagem. Eu não senti profundidade na Catherine, nem no Tilney, nem na história. Parece que, pelo menos eu, a gente não torce.

Cátia: A primeira tem todo um lado apaixonado, a outra não é.

Cássia: Não se comove.

Laís: Ah, gente, esse foi o mocinho de que mais gostei. Sei lá, foi o menos artificial de todos.

Cátia: Eu adorei o senso de humor dele.

Laís: Lembram daquele par da irmã da Marianne? Sem sal até a tampa.

Cátia: Siiiiiimmmmmmmm, total. Sabem o que eu penso?

Cássia: Menos artificial? Aaaaaaah, não! Isso eu não concordo não.

Nina: Eu também não.

Cássia: Mas aquele par da irmã da Marianne nem aparecia, néam?

Laís: É, e apareceu no final, todo despropositado, dizendo que morria de amores por ela.

Nina: Gente, o Tilney só aparecia para fazer umas graças, deixava a Catherine sem graça e tinha que ir embora. Eu, hein?

Cássia: Calma [Laís], de quem você está falando? O Tilney, sei lá… Podem me jogar tomatinhos, mas para mim ele está lado a lado com o primo da Fanny.

Nina: Hahahahaha.

Cátia: Isso não concordo.

Nina: Concordo!

Cátia: Ninguém merece estar do lado do primo da Fanny.

Nina: Hahahaha.

Cátia: Nem o Mr. Collins. lolololololol

Nina: Nossa, pegou pesado! Mr. Collins é o pior de todos!

Cássia: Cátia, calma, ele está um cadinho abaixo, hehehe.

Laís: Ah, também discordo!!!

Cátia: Hahahahaha.

Cássia: Gente, calma.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: O Tilney sempre foi uma graça.

Cássia: Ah, tá, o Mr. Collins é o primo. É muito nome para minha cabeça.

Nina: Sempre foi uma graça?

Cássia: Perdão, mas não acho o Tilney uma graça.

Cátia: Eu achei o Tilney fofo, bem-humorado e atencioso.

Nina: Eu só achei que ele era bem-humorado, até demais.

Cássia: Eu acho que ali foi um casal adolescente. Tudo muito fofinho, muito rasinho, ele se opor ao pai não teve força.

Cátia: Sim, mas o objectivo é esse.

Cássia: Será que o objetivo era esse? Ou por que foi o primeiro livro da Jane e ela ainda não tinha o dom da coisa?

Cátia: Cássia, depois de um Mr. K você ficou exigente.

Cássia: Não, não fiquei.

Nina: Hahahaha.

Cássia: A minha exigência agora é literária.

Cátia: Uhhhhhhhh pegou pesado.

Cássia: O livro é mesmo raso. Pode ser fofo? Pode. Pode ser divertido? Pode. Mas não tem aprofundamento nem da história, nem das personagens. Nem as tramas se alongam. Pega Emma, por exemplo, até as histórias paralelas têm força.

Laís: Gente, mas, se as tramas se alongassem mais, o livro seria chato.

Cássia: E a Jane consegue resolver todas lá no final. Não, Laís, não seriam.

Laís: Como foi Orgulho e Preconceito.

Cássia: Não falei alongar no texto, mas na história. Parece, tipo… Para a Cátia a analogia pode ser meio dispersa…

Nina: Eu me decepcionei por isso. Não tem aprofundamento nem das personagem, nem da história.

Cássia: mas pega novela, é como comparar a novela das 8 com Malhação. Entendeu a profundidade que quero dizer?

Nina: Entendi.

Cássia: Ah, sim, para elas, Nina, hehehehe.

Cátia: Eu entendo o que você quer dizer.

Cássia: Porque você tinha concordado.

Nina: Ah! hahaha.

Cátia: Mas a minha teoria é que neste livro o objectivo não é a trama em si.

Cássia: E qual é o objetivo?

Cátia: Eu acho que a voz de Jane aqui é justificar um género literário. Nós encontramos, ao longo do livro, a falar sobre isso sobre a validade do romance que num paralelo a tua analogia  teria mais ou menos este valor de entretenimento e de ser pouco profundo.

Cássia: Querida, me perdoa? Eu não concordo.

Cátia: Por isso, encontramos a heroína ingênua.

Cássia: Para mim, essa ausência de profundidade é fruto da inexperiência da Jane.

Cátia: O herói com humor, o pai tirano, o mistério, tem tudo a ver com isso.

Cássia: Tanto é que os últimos romances são profundos demais. Ela consegue construir as personagens e as histórias, a gente consegue enxergá-las como pessoas. Em Abadia, não conseguimos. Pelo menos, eu não consigo.

Cátia: Eu não discordo que não seja profundo, porque não é; o que eu acho é que teve a sua intencionalidade.

Cássia: Então, aí que discordamos. Não acho que foi intencional, acho que foi circunstancial.

Cátia: Depois de 3 páginas, eu pensei: ok isto é entreter e não para fazer pensar, e me diverti.

Laís: Concordo contigo, Cátia.

Cássia: Eu não continuarei batendo na tecla…

Laís: Eu li com prazer.

Cássia: porque não concordo mesmo.

Laís: E se for pra escolher entre a Jane “rasa” e a Jane “reflexiva”, fico com a primeira opção.

Cátia: Gente, eu achei o máximo quando ela entrou pela casa do Tilney dentro só para desfazer o mal-entendido.

Cássia: Ah, eu não.

Cátia: Eu gosto de todas.

Cássia: Jane Austen só se tornou quem é pela sua profundidade. Senão, ela não seria considerada a grande autora que é hoje, mas não mesmo!

Nina: A Abadia foi primeiro livro dela, não foi?

Cássia: Exatamente.

Nina: Mas ela mesma reviu o texto anos depois, não é isso?

Cássia: Parece que sim, porque ele foi o primeiro [escrito] para ser lançado.

Cátia: Não se sabe bem. Não.

Cássia: Mas revisar o texto não significa mudar sua estrutura.

Cátia: Ele foi póstumo.

Cássia: A Abadia foi póstumo?

Nina: Sim, sim.

Cátia: Sim.

Nina: Persuasão também.

Cássia: Mas acho que Persuasão foi o último a ser escrito.

Cátia: Bem, o Persuasão também foi póstumo e não foi revisto e acho-o maravilhoso, o meu preferido.

Nina: Aí eu concordo com você, Cátia.

Cátia: Mas nota-se que, mesmo assim, podia ter mais desenvolvimento.

Nina: Hehehe.

Cátia: Eu acho-o perfeito.

Cássia: Gente, mas Persuasão foi o último que ela escreveu. Por isso eu estou falando que ela foi melhorando e que a Abadia é como é por conta de sua inexperiência.

Cátia: Sim, não discordo disto que dizes, Cássia. De tudo o que dizes, eu só não concordo com o facto de ser algo superficial.

Laís: Gente, eu gostaria de falar sobre uma coisa que achei interessante no livro. A gente sabe que Catherine é uma menina, e que tinha muita imaginação. De maneira alguma achei isso inverossímil. Já repararam na capacidade que as pessoas têm de imaginar coisas que sequer são verdade? Ela fez muito isso, e a gente também faz, guardadas as devidas proporções.

Cátia: Sim, é verdade.

Nina: Sim, sim.

Cátia: Aquilo que ela pensou do pai do Tilney muita gente pensaria.

Cássia: Também não achei inverossímel.

Nina: Também não.

Cássia: Eu só não teria invadido o quarto porque eu tenho educação, hehehe.

Cátia: Eu teria olhado pela fechadura da porta, hahahahahahahaha.

Nina: Eu também, Cátia.

Cássia: Eu não, hehehehe.

Cátia: lolololololol

Cássia: Eu sou hóspede.

Laís: Invadido o quarto eu também não teria.

Cássia: A casa não é minha…

Nina: Eu sou bem curiosa, hahahaha.

Cássia: o dono da casa barrou a filha me levando para lá. Meu, perdão…

Cátia: Hahahahaha.

Cássia: isso é falta de educação, hehehehe.

Nina: Sim, sim.

Cátia: Mas ela era impetuosa…

Laís: Mas fica claro como a mente é capaz de criar situações absurdas.

Cátia: e ingênua. Não sabia dessas coisas dos bons modos e tal.

Nina: Mas se sou uma garota ingênua, cheia de imaginação e curiosa até mandar parar… pras favas a boa educação, hahahaha.

Cátia: Sim, é verdade, Laís.

Nina: Deixando a brincadeira de lado…

Cássia: Claro, claro… eu imaginaria a mesma coisa que ela. Por isso, eu mesma iria embora, hahahaha. “Tchau, gente, brigada, está tudo ótimo, mas preciso ir, sabe…”

Nina: O que me deixou decepcionou no livro foi exatamente o que a Cássia disse: não há aprofundamento das personagens, nem da história. A gente fica um tempão com a imaginação dela, de repente o pai do cara manda ela embora, de repente o Tilney aparece e eles vivem felizes para sempre.

Cátia: Não, e aquilo do pai colocar ela para fora de casa. Isso foi o mais irreal.

Nina: O velho nem tchum!

Cátia: O Tilney ficou revoltado…

Laís: Mas no final eu achei as coisas bem amarradinhas.

Cássia: Irreal, mas foi o clímax do livro da Jane.

Cátia: e foi atrás da amada.

Laís: Exceto o casamento da irmã do Tilney, foi tipo um tapa-buraco.

Cássia: Foi o ápice para dar asas à imaginação da Catherine. É bem romance sei lá de que século: “Catherine, estou indo para os seus braçooooooooooooooos.”

Cátia: É, mas fofo.

Laís: Igual à irmã da Marianne e o sem graça do par dela. Foi assim também.

Nina: Desculpem, mas eu não gosto do Tilney. Eu fiquei bem exigente sim! hahaha.

Cássia: Ah, me perdoem, moças… pode ser fofo, mas passo, hehehe.

Cátia: Tadinho do Coronel.

Laís: Não, Cátia, estou falando da irmã da Marianne.

Cátia: Ahhh, o Edward.

Laís: Esse aí.

Cássia: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Cátia: Esse sim, sem sal. eu ando a tentar me reconciliar com esse personagem mas está difícil.

Nina: Gente, o da irmã da Marianne teve toda uma história… ele estava noivo da esquisita lá, a Elinor sabia que ele gostava dela… não sei. Eu não acho o Tilney nada parecido com o Edward não.

Cássia: Eu perguntei lá em cima de quem você estava falando. Perdão, mas comparar a história de Elinor e Edward com o Tilney, ó, estou chocada.

Cátia: Edward Ferrars, hahahahaha.

Nina: Exatamente.

Cássia: Sério, hehehe.

Cátia: Elinor merecia bem melhor.

Nina: Também não concordo.

Cátia: Elinor merecia um coronel Brandon.

Nina: Sim, Elinor merecia alguém melhor, mas o Edward não tem nada a ver com o Tilney.

Cátia: Sim, não tem nada a ver.

Laís: Elinor, para mim, era beeeeem irreal.

Nina: Alou, o Tilney só aparecia para fazer gracinhas.

Cássia: Irreal?

Laís: Desculpem, mas eu acho isso.

Cássia: A Elinor?

Cátia: Sério?????

Cássia: Há muitas mulheres que são daquela maneira, Laís. Muitas.

Cátia: Elinor é tão maravilhosa!!

Cássia: Maravilhosa é pouco.

Nina: Concordo. Maravilhosa!

Cássia: Coitada, levava a família nas costas, engolia seco.

Cátia: Eu acho a Marianne mais irreal.

Cássia: Vinte mil estrelas para a integridade dela. Não acho a Marianne irreal não.

Nina: Hahahaha.

Cássia: Eu fui daquele jeito por anos da minha vida, hehehehe. Sem tirar nem por.

Cátia: Eu acho um pouco. Sério??

Nina: Hahahaha.

Cássia: Sério, eu era passional daquele jeito.

Laís: Também não acho a Marianne irreal.

Nina: E eu [também era].

Cátia: Eu acho a Marianne tão idealista…

Nina: Sim, sim.

Cátia: tão apaixonada.

Nina: Estou rindo por isso, me lembrei dos velhos tempos.

Cássia: Acredite, há mulheres assim. Nina, nem me fala de velhos tempos.

Cátia: Sei lá, acho irreal uma pessoa conseguir ser tão assim intensa.

Cássia: Não é irreal, hehehehe.

Cátia: Cássia, então como é que você não tem um Mr. K????

Laís: Não é mesmo.

Cássia: Menina, não sei.

Cátia: Hahahahahaha.

Laís: Eu era um pouco assim também.

Cátia: A sério.

Cássia: Preciso de um Mr. K na vida. Vamos lá, ano novo, 2011 está aí, vida nova.

Laís: Acho que hoje estou melhor, mas sempre fui intensa.

Cássia: Vou achar o meu K.

Cátia: Uhuhuhuhuhu.

Cássia: Você ainda é, Laís, hehehe.

Cátia: Vocês sabem de uma coisa?

Cássia: O quê?

Cátia: Voltando ao livro, eu achei que o pai do Tilney queria pegar a Cath.

Nina: EU TAMBÉM!!!

Cássia: Sabe que eu também!

Cátia: Depois vai-se a ver, era interesse no dinheiro, isto me fez ficar decepcionada. LOL

Cássia: É, a gente está falando dos moços e tal, e não batemos num dos pontos principais: o dinheiro como o motor dos casamentos, casar por amor é moderno.

Nina: É verdade. E alguém me explica uma coisa?

Cátia: Naquele tempo, casar por amor era uma imprudência. Diz.

Cássia: Totalmente.

Nina: O que era aquela Isabella Thorpe?

Cátia: Uma bruaca, né?

Cássia: Ah, mas você acha que não tinha muita mulher daquele jeito?

Cátia: Um poço de vaidade e egoísmo.

Nina: Gente, eu fiquei chocada! Eu já achava ela chata demais, mas não achei que ela ia fazer aquilo.

Cátia: E hoje não tem????

Laís: Nossa, que ela era falsa e fingida dava para perceber desde o começo.

Nina: Pois é!

Laís: Gente que elogia muito, chama de minha queridinha pra lá, repara muito, ah, aí tem.

Cássia: É, tem bastante.

Nina: Hahahaha.

Cátia: Ela não é o que corresponderia hoje ao “periguete”?

Nina: É verdade. Sim,sim.

Cássia: Sensacional, Isabella periguete.

Nina: Ou como diria uma amiga minha: uma legítima biscate!!

Cátia: E o irmão o MALA, que família era aquela!?

Nina: O irmão me lembrou muito o Mr. Collins.

Laís: Nooossa, o irmão era o pior, playboyzinho da pior espécie, narcisista.

Cátia: Ahh o Mr. Collins tinha os seus momentos de humor. Eu tenho uma certa simpatia pelo Mr. Collins, confesso.

Cássia: O playboy e a periguete.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: Não quero bajular a Cátia, mas hoje estou concordando com tudo.

Cátia: Mas se eu falar sobre a Emma…

Nina: Aí ela concorda comigo, hahahaha.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: Hahahahaha, isso mesmo.

Cássia: Emma, uhuuuuuuuu. \o/

Cátia: Agora quando chegar Persuasão, vocês vão ter me aturar de tão chata que eu vou ser…

Cássia: É o seu preferido, né?

Nina: Eu também, eu também.

Cátia: Porque eu amo… Nina, aposto que você não gosta de Lady Russel.

Laís: Eu já contei por que tava tão ansiosa para ler a Abadia?

Cátia: Não, por quê?

Nina: Gente, eu tinha lido Persuasão uma vez e achei legal. Acho que meu momento não era bom. Depois resolvi ler novamente e… amei!!! Por quê?

Laís: Porque aquele trecho em que o Tilney diz que as suspeitas da Catherine são infundadas, em que ele pergunta se ela realmente acha aquilo possível, aquilo é a epígrafe de um dos livros mais importantes para mim: Reparação, do Ian Mcewan.

Cátia: A sério?? Eu sempre quis ler esse livro, dizem que é maravilhoso. A gente podia ler esse aqui no clube.

Laís: Ele é maravilhoso. E nunca vi uma epígrafe se encaixar tanto numa narrativa. Fiquei tão feliz quando reconheci o trecho!

Cátia: Mas é o Ian que cita no livro, ou houve a semelhança?

Laís: Ele cita, é a epígrafe do livro, transcrição mesmo. Gente, mais um comment sobre o livro. Acho que o irmão da Catherine deveria ter tido um tratamento melhor. O personagem, digo.

Cássia: É, merecia sim…

Laís: Outro fofo. Se bem que todo homem desprezado, especialmente nos livros, tende a ser fofo.

Cássia: Para dar força no leitor, de que ele não merece tal desprezo e ficarmos com raiva de quem o desprezou.

Laís: Exatamente.

Nina: Se bem que da Isabela nem precisava muito, né? Ô criatura!

Cássia: E dançou feio no final.

Laís: No fim foi bom para ele, mas é claro que ele não ia saber disso na hora.

Nina: Sim, foi um favor que o outro fez para ele.

Laís: Como a gente também não sabe o impacto das coisas quando elas acontecem.

Cátia: Verdade.

Laís: Nossa, já me livrei de cada paixonite, que vou te contar. Graças.

Cássia: Mas aí, era para uma fulana dessa não comprometer o futuro dele. Porque ela o trairia, cedo ou tarde.

Cátia: Com certeza.

Laís: Sim. Mas para ele, ela era a melhor mulher do mundo. Ele estava apaixonado.

Cássia: Mas apaixonados têm uma penumbra no coração que não os faz enxergar a verdade dos fatos.

Cátia: Que frase linda.

Laís: Siiiiimmmmm.

Cássia: Cátia, tem uma frase linda de Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, proferida por Riobaldo: “Diadorim é a minha neblina.” É exatamente isso.

Cátia: Lindo.

Laís: Isso é paixão.

Cátia: Lindo…

Nina: Grande sertão: veredas!!!

Cátia: Nossa…

Cássia: É impressão minha ou “A Abadia de Northanger” não suscitou uma longa discussão?

Cátia: Não, nem polémica.

Cássia: Nada.

Cátia: O que é uma pena, eu gosto de polémica.

Laís: Opiniões bem distantes, e só.

Cássia: Eu gosto de fight club.

Cátia: Uhuhuhu.

Cássia: É onde exerço meu lado passional.

Cátia: Estou curiosa para saber o que vocês acharão de Anne e Wentworth. Só a Nina quem já leu, né?

Cássia: Achei que poderia ter surgido uma discussão mais acalorada sobre o livro. E não querendo ser a azeda, mas a discussão teve a profundidade do livro (aaaaaaah, perdão, não resisti!)

Cátia: Hahahahahahahahahhahaha.

Laís: Ah, não fala assim.

Cátia: Volto a dizer que o objectivo do livro não era ser profundo.

Cássia: Volto a dizer que foi inabilidade da Jane Austen.

Cátia: Fight fight fight. lolololol

Cássia: Yeaaaaaaaaaaah!

Nina: Hehehehehe. No próximo será diferente, meninas.

Cátia: Agora vou usar a habilidade da Cássia, e dizer uma crueldade sobre o livro.

Laís: Já que aqui eu sou a que menos gosta da Jane, vou dizer… O que me irrita profundamente nos romances dela, o que os torna tão chatinhos pra mim, exceto a Abadia, são os diálogos intermináveis. Se Persuasão for assim, sofrerei.

Cátia: Persuasão tem poucos diálogos. O que também pode ser que você não goste, é muito diferente dos outros.

Cássia: Eu não me incomodo com diálogos.

Cátia: Eu também não, tudo depende.

Laís: A Abadia também não tinha muitos, pelo menos não tanto quanto os outros, e eu gostei, hahahaha.

Cátia: Mas deixa eu dizer uma crueldade sobre o livro relacionado com o filme Clube de Leitura Jane Austen. Se tivermos como base a opinião da Cássia de que o livro é superficial e raso, o que isso não diz dos homens, já que foi o livro escolhido/atribuído ao único elemento masculino daquele clube? lol

Cássia: Hmmmm… Ele era rasinho, né?

Laís: Ah, ele gostava de ficção científica.

Cássia: Hehehehehe. Fofo, mas rasinho.

Laís: Talvez tenha sido a iniciação dele, rs.

Cátia: Isssssssssssssssssssso. Rasinho, mas… FOFO. E reparem.

Laís: Rasinho, mas disposto.

Cátia: Agora eu entendo uma coisa. A Loira não queria ler os livros que ele recomendava porque achava inferiores…

Cássia: É mesmo!

Cátia: mas depois de ler viu  que não eram tal maus assim.

Laís: Só eram diferentes.

Cátia: O que tem tudo a ver com Northanger e por que não dizer um misto de “Emma-NA-OrgulhoePreconceito”

Cássia: Aí você está puxando sardinha para o seu lado, hehehe.

Cátia: Naaaaaa.

Cássia: Não vem não, violão. Ó, saquei a sua pessoa, hehehe. Ela simplesmente viu que os livros eram legais.

Cátia: Perceba, eu só captei esta subtilidade…

Cássia: Da mesma maneira que ele era.

Cátia: depois de ler este livro.

Cássia: Eu penso que foi de outra maneira… Ela se divertiu como vocês duas se divertiram lendo o livro.

Cátia: Isso.

Cássia: Quando desencanaram de pensar sobre ele.

Laís: Cátia, devo dizer que você está fantástica hoje, hahahahahaha.

Cátia: Divertir.

Cássia: Foi o que ela fez, jogou a toalha e beleza. E isso se refletiu nele porque ele não é o homem para ter altos papos profundos, mas é um fofo e um cara bacana.

Cátia: Ela se divertiu. Entretenimento, bom humor.

Laís: E disposto, eu ressalto.

Cátia: Raso, pouco profundo.

Laís: Porque isso é megaimportante.

Cássia: Sim… eu concordo.

Cátia: Fofo e…

Cássia: A questão é que isso não é Jane Austen.

Cátia: NA. A questão é que a Jane também havia de gostar de coisas pouco profundas também. LOL. Hahahahahahaha.

Laís: E tudo de que a gente gosta é profundo? Duvido.

Nina: Duvido também.

Laís: Não dá para aguentar uma vida profunda sempre.

Nina: Imagina um cara profundo 24 horas.

Cássia: Meninas, calma.

Nina: Meu Deus!

Cássia: Eu não acho que tudo tem de ser profundo…

Cátia: Hahahahahaha, polémica.

Cássia: Ninguém aguenta.

Cátia: Polémica, polémica.

Cássia: Cara profundo que ama discussão, passo.

Cátia: Polémica.

Cássia: Para isso existe clube de leitura e grupo de estudo.

Nina: Hahaha.

Cássia: Maaaaaaas…

Cátia: Hahahahahahahaha.

Cássia: existe uma coisa chamada obra de um autor. Não me venham com churumelas.

Cátia: Bem, eu acho que muito autor não publica muita coisa ruim ou coisas mais superficiais por medo, não sei.

Cássia: Por medo não.

Cátia: Mas – e nisto estou a falar a sério – eu entendi aquela subtileza depois de ler o livro.

Cássia: Para manter a qualidade da sua obra… é outra coisa. Mas eu não acho que essa sutileza realmente exista.

Laís: Não acho que a maioria dos autores pense: bem, vou construir uma obra com as características x ou y.

Cássia: Acho que foi uma visão sua dos fatos. Não pensa, mas constrói, Laís.

Laís: Isso é construído aos poucos, às vezes espontaneamente.

Cátia: Mas eu pergunto, quantas coisas antes de serem publicadas podem ter sido encaradas como de pouco qualidade e depois o escritor arrisca.

Cássia: Leia todos os livros de um autor e, pronto, a gente pega o ponto comum daquilo.

Cátia: Claro. E nesse caso também há.

Laís: Sim.

Cátia: E mesmo Jane era muito malvista na sua época e agora é considerada brilhante.

Laís: Mas a intenção do cara nem sempre é essa.

Cássia: Gente, como vamos discutir a intenção da Jane se ela não está aqui para responder? A gente nunca sabe qual é a intenção do autor.

Cátia: Mas na época dela era vista como uma escritora fraca.

Cássia: E é prepotência nossa achar que sabemos.

Cátia: Intenção?

Laís: Se é que ela teve intenção de alguma coisa.

Cátia: Me perdi.

Laís: Ela quis escrever e escreveu; e ponto final.

Cássia: A gente não sabe se ela quis isso mesmo. O que existe, e sobre o qual podemos falar, é o livro. Esse é nosso foco de estudo. E sobre a obra de Jane Austen é o único material. Além disso, é elucubração.

Laís: Total. Meninas, o papo está bom, mas eu preciso ir.

Cátia: Bem, eu falo do livro, da época e da visão que outros escritores tinham dela.

Cássia: Sim, ela só foi reconhecida depois.

Cátia: Mas restringirei ao livro.

Cássia: Mas o que eu digo é: o que ela pensou, isso não podemos discutir.

Cátia: Sim, claro que não.

Cássia: A visão que tinham, as análises feitas, é outra coisa.

Cátia: Só se ela tivesse um diário disso e mesmo nisso…. Tinhas as cartas que foram destruídas

Cássia: Uma tristeza essas cartas destruídas.

Cátia: Sim…

Laís: Verdade.

Cátia: Tenho certeza de que saberíamos quem foi o seu real amor. Esta do Lefroy não me convence.

Cássia: Ela entendia muito sobre amor para não saber como funcionava. Meninas, então vamos [embora].