Pride and Prejudice

Numa conversa um tanto irônica e pouco afetuosa, mas já presente um amor cáustico entre o Sr. Darcy e a Srta. Elizabeth Bennet, ficam claros os dois temas do livro Orgulho e preconceito:

– Faço tudo repentinamente, disse o Sr. Darcy.

– É exatamente o que eu esperava de sua parte, disse Elizabeth.

– Está começando a compreender-me? Não sabia que a senhorita gostava de estudar a personalidade das pessoas.

– O campo, disse o Sr. Darcy, não oferece muitos exemplares para esse estudo. Muita limitação, pouca variedade de tipos.

– Mas as próprias pessoas, disse Elizabeth, mudam tanto que há sempre alguma coisa nova para se observar nelas.

– É verdade, disse a Sra. Bennet, ofendida pela maneira com que o rapaz se referia às pessoas do campo. – Garanto-lhes que acontece o mesmo na cidade, a mesma monotonia. Não vejo qualquer vantagem de Londres sobre o campo, a não ser as lojas e os logradouros públicos.

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Entre a razão e o sentimento

Por ocasião da descoberta do noivado de Edward, seu grande amor, com Lucy, uma senhorita de seu convívio, Elinor e Marianne travaram o seguinte diálogo:

– Quatro meses! Já sabia disso há quatro meses?
Elinor confirmou.
– Como?! Enquanto cuidava de mim em toda a minha desgraça, você trazia isso no coração? E eu que a censurei por ser feliz!
– Não era bom que soubesse na época o quanto eu era o contrário daquilo!
– Quatro meses! Exclamou Marianne de novo. – Tão calma! Tão alegre! Como aguentou?
– Sentindo que estava fazendo o meu dever. Minha promessa a Lucy obrigava-me a guardar segredo. Eu devia a ela, portanto, evitar sugerir a verdade de qualquer jeito; e pela minha família e amigos eu tinha a obrigação de não criar motivos de preocupação por mim, algo que não estaria em meu poder satisfazer.
Marianne parecia impressionada.

[…]

– Entretanto, não amava só a ele; o bem-estar dos outros é importante para mim, e por esse motivo queria poupá-los de saber como me sentia. Agora já consigo pensar e falar sobre isso com pouca emoção. Não queria que sofressem por minha culpa, pois lhe garanto que não estou mais sofrendo muito. Que eu saiba, não provoquei decepção em ninguém por nenhuma imprudência, suportei tudo ao máximo que pude, sem contar nada a ninguém.

(Razão e sensibilidade. Jane Austen. p. 201)

Quando você coloca os outros em primeiro lugar na sua vida, mesmo sendo uma pessoa racional, como o era Elinor, não há como evitar as decepções, pois elas invadirão seu espaço e apenas você sofrerá. Será que vale a pena? E ainda por cima sofrer calada? As convenções sociais daquela época impediam as moças de demonstrarem abertamente seus sentimentos. Era tudo muito contido. No entanto, sofrer calada para poupar sofrimento aos outros é atitude que deve ser medida e aplicada a cada contexto. Tenho aprendido que devo ter por estima, em primeiro lugar, a mim mesma. E depois, as outras pessoas. Mas isso também depende da situação. O equilíbrio é o caminho. E tem dado muito certo.

Texto publicado originalmente aqui.