Livro 5: A Abadia de Northanger

O encontro do quinto livro aconteceu dia 16 de janeiro com participação de Cássia, Cátia, Laís e Nina. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Laís: Eu escrevi no Twitter que foi o primeiro livro da Jane de que realmente gostei.

Nina: Eu vi.

Cássia: Foi o primeiro que ela escreveu.

Nina: Gente, ele foi o que mais tive dificuldade de ler.

Cássia: Sério? Para mim não foi fácil também não. Assim, achei levinho e tal.

Laís: A única coisa que achei sem noção foi aquele suspense/terror na metade da história, quando a Catherine suspeita do general.

Cássia: Ah, mas acho que isso tem mais a ver com a imaginação da Catherine.

Nina: Isso.

Laís: É, pensando assim, é compreensível.

Nina: O que me deixou achando ruim foi que eu não senti realmente que o Tilney amava ela. Não sei, acho que me acostumei com os outros mocinhos da Jane, hahaha.

Cássia: Hahahaha. Eu achei que foi uma coisa muito “pluft”.

Nina: Isso.

Cássia: Ela não morria de amores, ele também não. Aí, bora, vamos casar.

Nina: Exatamente, ficou uma coisa meio forçada.

Cássia: (Laís, vem defender o livro! Hehehe.)

Laís: Bom, eu discordo, ela gostava bastante dele sim. Só para dar um exemplo, lembram quando o John disse ao Henry e à irmã que a Catherine não poderia ir ao passeio que eles tinham combinado? E a Catherine saiu correndo para ver se os alcançava?

Cássia: Sim sim.

Laís: Ela queria mesmo era estar junto do rapaz de quem gostava.

Cássia: Eu discordo. Mais pareceu que ela quis manter a sua palavra.

Laís: Era a justificativa que ela tinha para dar.

Cátia: A Nina gostou deste livro, não é?

Laís: Ah, Cátia, acho que fui eu quem mais gostei dele, rs.

Cátia: Eu também gostei.

Nina: Não gostei, Cátia. Ele foi o que menos gostei, achei meio sem sal.

Cátia: Estava a espera de uma história diferente e fiquei encantada.

Cássia: Eu também achei sem sal.

Cátia: Então confundi, foi a Laís. Eu gostei, ri muito. Achei superdivertido e não estava a espera que fosse divertido.

Laís: Também ri muito. Catherine bobinha às vezes.

Cátia: Cara, a Cathy era muito divertida, não dava uma dentro.

Laís: Insegura também.

Cássia: Eu não vou defenestrar o livro, poxa, vocês gostaram tanto, hehehe.

Laís: Não confiava nos próprios julgamentos.

Cássia: Ela era uma menina, né?

Nina: Isso.

Laís: Sim. E camponesa, ainda por cima.

Cátia: Ué, não tem problema, Cássia. Pode defenestrar.

Cássia: Não, nem é para falar mal e tal… é que achei tudo muito rasinho.

Laís: É, eu não tive dó de Emma.

Nina: Eu concordo com a Cássia.

Cássia: A Catherine é a heroína mais “inha” da Jane Austen.

Nina: Achei o livro sem graça.

Cátia: Hahahaha, boa, Cássia!

Nina: Hahahaha, inha foi ótimo.

Cássia: Ah, mas eu tenho dó da Catherine. Ela é tão sonsinhainha, fofinhainha.

Cátia: lolololol

Nina: Tão bobinha.

Cássia: A gente não vê uma mulher.

Cátia: Hahahahahahaha. Porque ela não é. Eu achei ela uma candura.

Nina: A gente só vê a capacidade de imaginar que ela tem, nem o amor entre ela e o Tilney me pareceu verdadeiro, meninas.

Cátia: Sério?

Nina: Como eu já disse aqui, acho que estava acostumada aos outros mocinhos de Jane.

Cássia: Sim, ela não é. Mas a Marianne também não era.

Cátia: Ah, sim, isso é outra coisa.

Cássia: Mas a gente via uma força interna ali.

Nina: Da Marianne, né?

Cássia: Exatamente, Nina. E a Marianne era uma menina.

Cátia: Mas a Marianne e a Cath são totalmente diferentes.

Cássia: Claro, claro, mas estou falando de profundidade de personagem. Eu não senti profundidade na Catherine, nem no Tilney, nem na história. Parece que, pelo menos eu, a gente não torce.

Cátia: A primeira tem todo um lado apaixonado, a outra não é.

Cássia: Não se comove.

Laís: Ah, gente, esse foi o mocinho de que mais gostei. Sei lá, foi o menos artificial de todos.

Cátia: Eu adorei o senso de humor dele.

Laís: Lembram daquele par da irmã da Marianne? Sem sal até a tampa.

Cátia: Siiiiiimmmmmmmm, total. Sabem o que eu penso?

Cássia: Menos artificial? Aaaaaaah, não! Isso eu não concordo não.

Nina: Eu também não.

Cássia: Mas aquele par da irmã da Marianne nem aparecia, néam?

Laís: É, e apareceu no final, todo despropositado, dizendo que morria de amores por ela.

Nina: Gente, o Tilney só aparecia para fazer umas graças, deixava a Catherine sem graça e tinha que ir embora. Eu, hein?

Cássia: Calma [Laís], de quem você está falando? O Tilney, sei lá… Podem me jogar tomatinhos, mas para mim ele está lado a lado com o primo da Fanny.

Nina: Hahahahaha.

Cátia: Isso não concordo.

Nina: Concordo!

Cátia: Ninguém merece estar do lado do primo da Fanny.

Nina: Hahahaha.

Cátia: Nem o Mr. Collins. lolololololol

Nina: Nossa, pegou pesado! Mr. Collins é o pior de todos!

Cássia: Cátia, calma, ele está um cadinho abaixo, hehehe.

Laís: Ah, também discordo!!!

Cátia: Hahahahaha.

Cássia: Gente, calma.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: O Tilney sempre foi uma graça.

Cássia: Ah, tá, o Mr. Collins é o primo. É muito nome para minha cabeça.

Nina: Sempre foi uma graça?

Cássia: Perdão, mas não acho o Tilney uma graça.

Cátia: Eu achei o Tilney fofo, bem-humorado e atencioso.

Nina: Eu só achei que ele era bem-humorado, até demais.

Cássia: Eu acho que ali foi um casal adolescente. Tudo muito fofinho, muito rasinho, ele se opor ao pai não teve força.

Cátia: Sim, mas o objectivo é esse.

Cássia: Será que o objetivo era esse? Ou por que foi o primeiro livro da Jane e ela ainda não tinha o dom da coisa?

Cátia: Cássia, depois de um Mr. K você ficou exigente.

Cássia: Não, não fiquei.

Nina: Hahahaha.

Cássia: A minha exigência agora é literária.

Cátia: Uhhhhhhhh pegou pesado.

Cássia: O livro é mesmo raso. Pode ser fofo? Pode. Pode ser divertido? Pode. Mas não tem aprofundamento nem da história, nem das personagens. Nem as tramas se alongam. Pega Emma, por exemplo, até as histórias paralelas têm força.

Laís: Gente, mas, se as tramas se alongassem mais, o livro seria chato.

Cássia: E a Jane consegue resolver todas lá no final. Não, Laís, não seriam.

Laís: Como foi Orgulho e Preconceito.

Cássia: Não falei alongar no texto, mas na história. Parece, tipo… Para a Cátia a analogia pode ser meio dispersa…

Nina: Eu me decepcionei por isso. Não tem aprofundamento nem das personagem, nem da história.

Cássia: mas pega novela, é como comparar a novela das 8 com Malhação. Entendeu a profundidade que quero dizer?

Nina: Entendi.

Cássia: Ah, sim, para elas, Nina, hehehehe.

Cátia: Eu entendo o que você quer dizer.

Cássia: Porque você tinha concordado.

Nina: Ah! hahaha.

Cátia: Mas a minha teoria é que neste livro o objectivo não é a trama em si.

Cássia: E qual é o objetivo?

Cátia: Eu acho que a voz de Jane aqui é justificar um género literário. Nós encontramos, ao longo do livro, a falar sobre isso sobre a validade do romance que num paralelo a tua analogia  teria mais ou menos este valor de entretenimento e de ser pouco profundo.

Cássia: Querida, me perdoa? Eu não concordo.

Cátia: Por isso, encontramos a heroína ingênua.

Cássia: Para mim, essa ausência de profundidade é fruto da inexperiência da Jane.

Cátia: O herói com humor, o pai tirano, o mistério, tem tudo a ver com isso.

Cássia: Tanto é que os últimos romances são profundos demais. Ela consegue construir as personagens e as histórias, a gente consegue enxergá-las como pessoas. Em Abadia, não conseguimos. Pelo menos, eu não consigo.

Cátia: Eu não discordo que não seja profundo, porque não é; o que eu acho é que teve a sua intencionalidade.

Cássia: Então, aí que discordamos. Não acho que foi intencional, acho que foi circunstancial.

Cátia: Depois de 3 páginas, eu pensei: ok isto é entreter e não para fazer pensar, e me diverti.

Laís: Concordo contigo, Cátia.

Cássia: Eu não continuarei batendo na tecla…

Laís: Eu li com prazer.

Cássia: porque não concordo mesmo.

Laís: E se for pra escolher entre a Jane “rasa” e a Jane “reflexiva”, fico com a primeira opção.

Cátia: Gente, eu achei o máximo quando ela entrou pela casa do Tilney dentro só para desfazer o mal-entendido.

Cássia: Ah, eu não.

Cátia: Eu gosto de todas.

Cássia: Jane Austen só se tornou quem é pela sua profundidade. Senão, ela não seria considerada a grande autora que é hoje, mas não mesmo!

Nina: A Abadia foi primeiro livro dela, não foi?

Cássia: Exatamente.

Nina: Mas ela mesma reviu o texto anos depois, não é isso?

Cássia: Parece que sim, porque ele foi o primeiro [escrito] para ser lançado.

Cátia: Não se sabe bem. Não.

Cássia: Mas revisar o texto não significa mudar sua estrutura.

Cátia: Ele foi póstumo.

Cássia: A Abadia foi póstumo?

Nina: Sim, sim.

Cátia: Sim.

Nina: Persuasão também.

Cássia: Mas acho que Persuasão foi o último a ser escrito.

Cátia: Bem, o Persuasão também foi póstumo e não foi revisto e acho-o maravilhoso, o meu preferido.

Nina: Aí eu concordo com você, Cátia.

Cátia: Mas nota-se que, mesmo assim, podia ter mais desenvolvimento.

Nina: Hehehe.

Cátia: Eu acho-o perfeito.

Cássia: Gente, mas Persuasão foi o último que ela escreveu. Por isso eu estou falando que ela foi melhorando e que a Abadia é como é por conta de sua inexperiência.

Cátia: Sim, não discordo disto que dizes, Cássia. De tudo o que dizes, eu só não concordo com o facto de ser algo superficial.

Laís: Gente, eu gostaria de falar sobre uma coisa que achei interessante no livro. A gente sabe que Catherine é uma menina, e que tinha muita imaginação. De maneira alguma achei isso inverossímil. Já repararam na capacidade que as pessoas têm de imaginar coisas que sequer são verdade? Ela fez muito isso, e a gente também faz, guardadas as devidas proporções.

Cátia: Sim, é verdade.

Nina: Sim, sim.

Cátia: Aquilo que ela pensou do pai do Tilney muita gente pensaria.

Cássia: Também não achei inverossímel.

Nina: Também não.

Cássia: Eu só não teria invadido o quarto porque eu tenho educação, hehehe.

Cátia: Eu teria olhado pela fechadura da porta, hahahahahahahaha.

Nina: Eu também, Cátia.

Cássia: Eu não, hehehehe.

Cátia: lolololololol

Cássia: Eu sou hóspede.

Laís: Invadido o quarto eu também não teria.

Cássia: A casa não é minha…

Nina: Eu sou bem curiosa, hahahaha.

Cássia: o dono da casa barrou a filha me levando para lá. Meu, perdão…

Cátia: Hahahahaha.

Cássia: isso é falta de educação, hehehehe.

Nina: Sim, sim.

Cátia: Mas ela era impetuosa…

Laís: Mas fica claro como a mente é capaz de criar situações absurdas.

Cátia: e ingênua. Não sabia dessas coisas dos bons modos e tal.

Nina: Mas se sou uma garota ingênua, cheia de imaginação e curiosa até mandar parar… pras favas a boa educação, hahahaha.

Cátia: Sim, é verdade, Laís.

Nina: Deixando a brincadeira de lado…

Cássia: Claro, claro… eu imaginaria a mesma coisa que ela. Por isso, eu mesma iria embora, hahahaha. “Tchau, gente, brigada, está tudo ótimo, mas preciso ir, sabe…”

Nina: O que me deixou decepcionou no livro foi exatamente o que a Cássia disse: não há aprofundamento das personagens, nem da história. A gente fica um tempão com a imaginação dela, de repente o pai do cara manda ela embora, de repente o Tilney aparece e eles vivem felizes para sempre.

Cátia: Não, e aquilo do pai colocar ela para fora de casa. Isso foi o mais irreal.

Nina: O velho nem tchum!

Cátia: O Tilney ficou revoltado…

Laís: Mas no final eu achei as coisas bem amarradinhas.

Cássia: Irreal, mas foi o clímax do livro da Jane.

Cátia: e foi atrás da amada.

Laís: Exceto o casamento da irmã do Tilney, foi tipo um tapa-buraco.

Cássia: Foi o ápice para dar asas à imaginação da Catherine. É bem romance sei lá de que século: “Catherine, estou indo para os seus braçooooooooooooooos.”

Cátia: É, mas fofo.

Laís: Igual à irmã da Marianne e o sem graça do par dela. Foi assim também.

Nina: Desculpem, mas eu não gosto do Tilney. Eu fiquei bem exigente sim! hahaha.

Cássia: Ah, me perdoem, moças… pode ser fofo, mas passo, hehehe.

Cátia: Tadinho do Coronel.

Laís: Não, Cátia, estou falando da irmã da Marianne.

Cátia: Ahhh, o Edward.

Laís: Esse aí.

Cássia: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Cátia: Esse sim, sem sal. eu ando a tentar me reconciliar com esse personagem mas está difícil.

Nina: Gente, o da irmã da Marianne teve toda uma história… ele estava noivo da esquisita lá, a Elinor sabia que ele gostava dela… não sei. Eu não acho o Tilney nada parecido com o Edward não.

Cássia: Eu perguntei lá em cima de quem você estava falando. Perdão, mas comparar a história de Elinor e Edward com o Tilney, ó, estou chocada.

Cátia: Edward Ferrars, hahahahaha.

Nina: Exatamente.

Cássia: Sério, hehehe.

Cátia: Elinor merecia bem melhor.

Nina: Também não concordo.

Cátia: Elinor merecia um coronel Brandon.

Nina: Sim, Elinor merecia alguém melhor, mas o Edward não tem nada a ver com o Tilney.

Cátia: Sim, não tem nada a ver.

Laís: Elinor, para mim, era beeeeem irreal.

Nina: Alou, o Tilney só aparecia para fazer gracinhas.

Cássia: Irreal?

Laís: Desculpem, mas eu acho isso.

Cássia: A Elinor?

Cátia: Sério?????

Cássia: Há muitas mulheres que são daquela maneira, Laís. Muitas.

Cátia: Elinor é tão maravilhosa!!

Cássia: Maravilhosa é pouco.

Nina: Concordo. Maravilhosa!

Cássia: Coitada, levava a família nas costas, engolia seco.

Cátia: Eu acho a Marianne mais irreal.

Cássia: Vinte mil estrelas para a integridade dela. Não acho a Marianne irreal não.

Nina: Hahahaha.

Cássia: Eu fui daquele jeito por anos da minha vida, hehehehe. Sem tirar nem por.

Cátia: Eu acho um pouco. Sério??

Nina: Hahahaha.

Cássia: Sério, eu era passional daquele jeito.

Laís: Também não acho a Marianne irreal.

Nina: E eu [também era].

Cátia: Eu acho a Marianne tão idealista…

Nina: Sim, sim.

Cátia: tão apaixonada.

Nina: Estou rindo por isso, me lembrei dos velhos tempos.

Cássia: Acredite, há mulheres assim. Nina, nem me fala de velhos tempos.

Cátia: Sei lá, acho irreal uma pessoa conseguir ser tão assim intensa.

Cássia: Não é irreal, hehehehe.

Cátia: Cássia, então como é que você não tem um Mr. K????

Laís: Não é mesmo.

Cássia: Menina, não sei.

Cátia: Hahahahahaha.

Laís: Eu era um pouco assim também.

Cátia: A sério.

Cássia: Preciso de um Mr. K na vida. Vamos lá, ano novo, 2011 está aí, vida nova.

Laís: Acho que hoje estou melhor, mas sempre fui intensa.

Cássia: Vou achar o meu K.

Cátia: Uhuhuhuhuhu.

Cássia: Você ainda é, Laís, hehehe.

Cátia: Vocês sabem de uma coisa?

Cássia: O quê?

Cátia: Voltando ao livro, eu achei que o pai do Tilney queria pegar a Cath.

Nina: EU TAMBÉM!!!

Cássia: Sabe que eu também!

Cátia: Depois vai-se a ver, era interesse no dinheiro, isto me fez ficar decepcionada. LOL

Cássia: É, a gente está falando dos moços e tal, e não batemos num dos pontos principais: o dinheiro como o motor dos casamentos, casar por amor é moderno.

Nina: É verdade. E alguém me explica uma coisa?

Cátia: Naquele tempo, casar por amor era uma imprudência. Diz.

Cássia: Totalmente.

Nina: O que era aquela Isabella Thorpe?

Cátia: Uma bruaca, né?

Cássia: Ah, mas você acha que não tinha muita mulher daquele jeito?

Cátia: Um poço de vaidade e egoísmo.

Nina: Gente, eu fiquei chocada! Eu já achava ela chata demais, mas não achei que ela ia fazer aquilo.

Cátia: E hoje não tem????

Laís: Nossa, que ela era falsa e fingida dava para perceber desde o começo.

Nina: Pois é!

Laís: Gente que elogia muito, chama de minha queridinha pra lá, repara muito, ah, aí tem.

Cássia: É, tem bastante.

Nina: Hahahaha.

Cátia: Ela não é o que corresponderia hoje ao “periguete”?

Nina: É verdade. Sim,sim.

Cássia: Sensacional, Isabella periguete.

Nina: Ou como diria uma amiga minha: uma legítima biscate!!

Cátia: E o irmão o MALA, que família era aquela!?

Nina: O irmão me lembrou muito o Mr. Collins.

Laís: Nooossa, o irmão era o pior, playboyzinho da pior espécie, narcisista.

Cátia: Ahh o Mr. Collins tinha os seus momentos de humor. Eu tenho uma certa simpatia pelo Mr. Collins, confesso.

Cássia: O playboy e a periguete.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: Não quero bajular a Cátia, mas hoje estou concordando com tudo.

Cátia: Mas se eu falar sobre a Emma…

Nina: Aí ela concorda comigo, hahahaha.

Cátia: Hahahahahahaha.

Laís: Hahahahaha, isso mesmo.

Cássia: Emma, uhuuuuuuuu. \o/

Cátia: Agora quando chegar Persuasão, vocês vão ter me aturar de tão chata que eu vou ser…

Cássia: É o seu preferido, né?

Nina: Eu também, eu também.

Cátia: Porque eu amo… Nina, aposto que você não gosta de Lady Russel.

Laís: Eu já contei por que tava tão ansiosa para ler a Abadia?

Cátia: Não, por quê?

Nina: Gente, eu tinha lido Persuasão uma vez e achei legal. Acho que meu momento não era bom. Depois resolvi ler novamente e… amei!!! Por quê?

Laís: Porque aquele trecho em que o Tilney diz que as suspeitas da Catherine são infundadas, em que ele pergunta se ela realmente acha aquilo possível, aquilo é a epígrafe de um dos livros mais importantes para mim: Reparação, do Ian Mcewan.

Cátia: A sério?? Eu sempre quis ler esse livro, dizem que é maravilhoso. A gente podia ler esse aqui no clube.

Laís: Ele é maravilhoso. E nunca vi uma epígrafe se encaixar tanto numa narrativa. Fiquei tão feliz quando reconheci o trecho!

Cátia: Mas é o Ian que cita no livro, ou houve a semelhança?

Laís: Ele cita, é a epígrafe do livro, transcrição mesmo. Gente, mais um comment sobre o livro. Acho que o irmão da Catherine deveria ter tido um tratamento melhor. O personagem, digo.

Cássia: É, merecia sim…

Laís: Outro fofo. Se bem que todo homem desprezado, especialmente nos livros, tende a ser fofo.

Cássia: Para dar força no leitor, de que ele não merece tal desprezo e ficarmos com raiva de quem o desprezou.

Laís: Exatamente.

Nina: Se bem que da Isabela nem precisava muito, né? Ô criatura!

Cássia: E dançou feio no final.

Laís: No fim foi bom para ele, mas é claro que ele não ia saber disso na hora.

Nina: Sim, foi um favor que o outro fez para ele.

Laís: Como a gente também não sabe o impacto das coisas quando elas acontecem.

Cátia: Verdade.

Laís: Nossa, já me livrei de cada paixonite, que vou te contar. Graças.

Cássia: Mas aí, era para uma fulana dessa não comprometer o futuro dele. Porque ela o trairia, cedo ou tarde.

Cátia: Com certeza.

Laís: Sim. Mas para ele, ela era a melhor mulher do mundo. Ele estava apaixonado.

Cássia: Mas apaixonados têm uma penumbra no coração que não os faz enxergar a verdade dos fatos.

Cátia: Que frase linda.

Laís: Siiiiimmmmm.

Cássia: Cátia, tem uma frase linda de Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, proferida por Riobaldo: “Diadorim é a minha neblina.” É exatamente isso.

Cátia: Lindo.

Laís: Isso é paixão.

Cátia: Lindo…

Nina: Grande sertão: veredas!!!

Cátia: Nossa…

Cássia: É impressão minha ou “A Abadia de Northanger” não suscitou uma longa discussão?

Cátia: Não, nem polémica.

Cássia: Nada.

Cátia: O que é uma pena, eu gosto de polémica.

Laís: Opiniões bem distantes, e só.

Cássia: Eu gosto de fight club.

Cátia: Uhuhuhu.

Cássia: É onde exerço meu lado passional.

Cátia: Estou curiosa para saber o que vocês acharão de Anne e Wentworth. Só a Nina quem já leu, né?

Cássia: Achei que poderia ter surgido uma discussão mais acalorada sobre o livro. E não querendo ser a azeda, mas a discussão teve a profundidade do livro (aaaaaaah, perdão, não resisti!)

Cátia: Hahahahahahahahahhahaha.

Laís: Ah, não fala assim.

Cátia: Volto a dizer que o objectivo do livro não era ser profundo.

Cássia: Volto a dizer que foi inabilidade da Jane Austen.

Cátia: Fight fight fight. lolololol

Cássia: Yeaaaaaaaaaaah!

Nina: Hehehehehe. No próximo será diferente, meninas.

Cátia: Agora vou usar a habilidade da Cássia, e dizer uma crueldade sobre o livro.

Laís: Já que aqui eu sou a que menos gosta da Jane, vou dizer… O que me irrita profundamente nos romances dela, o que os torna tão chatinhos pra mim, exceto a Abadia, são os diálogos intermináveis. Se Persuasão for assim, sofrerei.

Cátia: Persuasão tem poucos diálogos. O que também pode ser que você não goste, é muito diferente dos outros.

Cássia: Eu não me incomodo com diálogos.

Cátia: Eu também não, tudo depende.

Laís: A Abadia também não tinha muitos, pelo menos não tanto quanto os outros, e eu gostei, hahahaha.

Cátia: Mas deixa eu dizer uma crueldade sobre o livro relacionado com o filme Clube de Leitura Jane Austen. Se tivermos como base a opinião da Cássia de que o livro é superficial e raso, o que isso não diz dos homens, já que foi o livro escolhido/atribuído ao único elemento masculino daquele clube? lol

Cássia: Hmmmm… Ele era rasinho, né?

Laís: Ah, ele gostava de ficção científica.

Cássia: Hehehehehe. Fofo, mas rasinho.

Laís: Talvez tenha sido a iniciação dele, rs.

Cátia: Isssssssssssssssssssso. Rasinho, mas… FOFO. E reparem.

Laís: Rasinho, mas disposto.

Cátia: Agora eu entendo uma coisa. A Loira não queria ler os livros que ele recomendava porque achava inferiores…

Cássia: É mesmo!

Cátia: mas depois de ler viu  que não eram tal maus assim.

Laís: Só eram diferentes.

Cátia: O que tem tudo a ver com Northanger e por que não dizer um misto de “Emma-NA-OrgulhoePreconceito”

Cássia: Aí você está puxando sardinha para o seu lado, hehehe.

Cátia: Naaaaaa.

Cássia: Não vem não, violão. Ó, saquei a sua pessoa, hehehe. Ela simplesmente viu que os livros eram legais.

Cátia: Perceba, eu só captei esta subtilidade…

Cássia: Da mesma maneira que ele era.

Cátia: depois de ler este livro.

Cássia: Eu penso que foi de outra maneira… Ela se divertiu como vocês duas se divertiram lendo o livro.

Cátia: Isso.

Cássia: Quando desencanaram de pensar sobre ele.

Laís: Cátia, devo dizer que você está fantástica hoje, hahahahahaha.

Cátia: Divertir.

Cássia: Foi o que ela fez, jogou a toalha e beleza. E isso se refletiu nele porque ele não é o homem para ter altos papos profundos, mas é um fofo e um cara bacana.

Cátia: Ela se divertiu. Entretenimento, bom humor.

Laís: E disposto, eu ressalto.

Cátia: Raso, pouco profundo.

Laís: Porque isso é megaimportante.

Cássia: Sim… eu concordo.

Cátia: Fofo e…

Cássia: A questão é que isso não é Jane Austen.

Cátia: NA. A questão é que a Jane também havia de gostar de coisas pouco profundas também. LOL. Hahahahahahaha.

Laís: E tudo de que a gente gosta é profundo? Duvido.

Nina: Duvido também.

Laís: Não dá para aguentar uma vida profunda sempre.

Nina: Imagina um cara profundo 24 horas.

Cássia: Meninas, calma.

Nina: Meu Deus!

Cássia: Eu não acho que tudo tem de ser profundo…

Cátia: Hahahahahaha, polémica.

Cássia: Ninguém aguenta.

Cátia: Polémica, polémica.

Cássia: Cara profundo que ama discussão, passo.

Cátia: Polémica.

Cássia: Para isso existe clube de leitura e grupo de estudo.

Nina: Hahaha.

Cássia: Maaaaaaas…

Cátia: Hahahahahahahaha.

Cássia: existe uma coisa chamada obra de um autor. Não me venham com churumelas.

Cátia: Bem, eu acho que muito autor não publica muita coisa ruim ou coisas mais superficiais por medo, não sei.

Cássia: Por medo não.

Cátia: Mas – e nisto estou a falar a sério – eu entendi aquela subtileza depois de ler o livro.

Cássia: Para manter a qualidade da sua obra… é outra coisa. Mas eu não acho que essa sutileza realmente exista.

Laís: Não acho que a maioria dos autores pense: bem, vou construir uma obra com as características x ou y.

Cássia: Acho que foi uma visão sua dos fatos. Não pensa, mas constrói, Laís.

Laís: Isso é construído aos poucos, às vezes espontaneamente.

Cátia: Mas eu pergunto, quantas coisas antes de serem publicadas podem ter sido encaradas como de pouco qualidade e depois o escritor arrisca.

Cássia: Leia todos os livros de um autor e, pronto, a gente pega o ponto comum daquilo.

Cátia: Claro. E nesse caso também há.

Laís: Sim.

Cátia: E mesmo Jane era muito malvista na sua época e agora é considerada brilhante.

Laís: Mas a intenção do cara nem sempre é essa.

Cássia: Gente, como vamos discutir a intenção da Jane se ela não está aqui para responder? A gente nunca sabe qual é a intenção do autor.

Cátia: Mas na época dela era vista como uma escritora fraca.

Cássia: E é prepotência nossa achar que sabemos.

Cátia: Intenção?

Laís: Se é que ela teve intenção de alguma coisa.

Cátia: Me perdi.

Laís: Ela quis escrever e escreveu; e ponto final.

Cássia: A gente não sabe se ela quis isso mesmo. O que existe, e sobre o qual podemos falar, é o livro. Esse é nosso foco de estudo. E sobre a obra de Jane Austen é o único material. Além disso, é elucubração.

Laís: Total. Meninas, o papo está bom, mas eu preciso ir.

Cátia: Bem, eu falo do livro, da época e da visão que outros escritores tinham dela.

Cássia: Sim, ela só foi reconhecida depois.

Cátia: Mas restringirei ao livro.

Cássia: Mas o que eu digo é: o que ela pensou, isso não podemos discutir.

Cátia: Sim, claro que não.

Cássia: A visão que tinham, as análises feitas, é outra coisa.

Cátia: Só se ela tivesse um diário disso e mesmo nisso…. Tinhas as cartas que foram destruídas

Cássia: Uma tristeza essas cartas destruídas.

Cátia: Sim…

Laís: Verdade.

Cátia: Tenho certeza de que saberíamos quem foi o seu real amor. Esta do Lefroy não me convence.

Cássia: Ela entendia muito sobre amor para não saber como funcionava. Meninas, então vamos [embora].

A leitura e os leitores de Jane Austen

Dissertação de mestrado defendida por Renata Cristina Colasante no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo em 2005.

”[…] O objetivo desta dissertação é verificar que noções de leitura e de leitor são figuradas por Jane Austen em dois de seus romances mais representativos desse tema: Northanger Abbey e Mansfield Park.”

O arquivo em PDF da dissertação completa, aqui.

Fonte: Jane Austen Sociedade do Brasil

Lista dos livros de Jane Austen

  • Razão e sensibilidade
  •  Orgulho e preconceito
  •  Mansfield Park
  •  Emma
  •  A Abadia de Northanger
  •  Persuasão

Os livros serão lidos na medida que foram escritos. Como não há certeza se essa ordem corresponde à realidade, pelo menos mantivemos as datas em que foram publicados. A nossa ideia é “entender” as mudanças literárias de Jane Austen pela sequência de seus livros.