Livro 2 [encontro 1]: Orgulho e preconceito

Excepcionalmente, o segundo livro terá dois encontros. O primeiro aconteceu no dia 18 de julho com a participação de Cássia, Carol, Marina e Nina. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Cássia: Vamos para a clássica: “Com qual personagem vocês se identificaram?”.

Carol: Me identifiquei com Lizzy.

Marina: Eu me identifiquei com as duas, a Jane e a Lizzy, mas em momentos diferentes.

Nina: Lizzy, às vezes.

Cássia: Eu me identifiquei com a Jane.

Marina: CÁSSIA, em todos os momentos?

Cássia: Eu já fui totalmente Jane na vida! Acho que melhorei um pouquinho, hehehe, mostro mais o que sinto, sou mais sagaz com o que os outros fazem, mas era totalmente Jane… E percebi que ainda guardo muito do que ela tem.

Nina: Acho difícil ser a Lizzy o tempo todo, hehehe.

Marina: NINA, ela era boazinha demais, né?

Cássia: A Lizzy era boazinha? Hehehehe.

Marina: Ai meu Deus, será que eu estou confundindo os nomes?

Nina: Boazinha? Eu achei a Lizzy difícil demais, hehehe.

Carol: TODAS, Lizzy é a que se mostra.

Cássia: Difícil? Eu teria muito medo da Lizzy, hehehehe.

Nina: TODAS, hahahahahaha.

Cássia: MARINA, acho que você está confundindo com a Jane.

Carol: Tá sim.

Marina: Aaaaah não, não era ela, eu tava pensando na outra, na irmã mais velha, esqueci o nome completamente.

Carol: rs.

Cássia: Então, a Jane, hehehehe! A que eu me identifiquei.

Marina: Ai meu Deus, que confusão, não guardo nome mesmo gente. Ok, agora me achei, hehe.

Cássia: A Lizzy é a Keira! Hehehe. TODAS, será que essa aparente sinceridade da Lizzy, e por se mostrar, não é um jeito doce de falar de uma suposta grosseria? Ela era uma brutinha às vezes.

Carol: TODAS, a Lizzy é uma pessoa autêntica. Claro que meio impulsiva, mas autêntica. Achei ela muito parecida com Marianne do Razão e sensibilidade. Só queria dizer que minha tradução é muito chique, do Paulo Mendes Campos, rsrs.

Marina: CÁSSIA, verdade, muito julgadora também.

Cássia: Então, foi o que eu disse, a gente chama de autenticidade uma certa grosseria…

Nina: A Lizzy era geniosa, mas acho que era uma pessoa forte pra época. Pensa só… Imaginem ela casada com o tosco do Sr. Collins.

Carol: TODAS, no livro ela não é grosseira não. Não é essa a impressão que passa. No filme sim, no livro não.

Marina: CAROL, mas eu acho que a Marianne era mais sincera com os sentimentos dela.

Cássia: Passa sim… Ela dá umas cortadas absuuurdas no Darcy. É que no livro não há entonação da voz.

Nina: Gente, o Sr. Darcy era um grosso.

Marina: CAROL, eu achei ela meio grosseira no livro também, em algumas partes.

Cássia: NINA, o Collins encontrou a mulher ideal na Charlotte, hehehe. Vamos combinar? Darcy e Lizzy eram duas cascas de ferida!

Carol: TODAS, bingo! O Darcy era um grosso e arrogante. No livro e no filme. Ele só muda depois que assume sua paixão. Naquela cena da dança no baile, quando chegaram lá na cidadezinha… Aff!

Nina: TODAS, ALGUÉM VIU A MINISSÉRIE?

Marina: NINA, eu não acho que o Sr. Darcy era grosso, eu acho que ele era meio “na dele”, hehe, e gente com muito dinheiro sempre tem medo que os outros se aproximem por causa do dinheiro.

Cássia: Eu não.

Carol: Eu vi.

Cássia: Mas queria o Darcy do filme para mim, ai ai.

Carol: KKKKKKKKKKKKKKKK. CÁSSIA, você só quer a megassena, né?

Cássia: Não custa sonhar, né?

Nina: O Darcy do filme é MARAVILHOSO, mas o da série é mais fiel ao livro.

Cássia: Preciso ver a série.

Carol: NINA, a série é mais fiel ao livro. TODAS, vocês acham que esse livro pode ser considerado um dos maiores 100 clássicos da literatura universal? Por quê?

Cássia: Acho que é o Dom Casmurro britânico!

Nina: A série segue muito mais o livro. Primeiro porque não é uma produção hollywoodiana, né? Ela é britânica (BBC), tem a característica de “respeitar” a obra.

Marina: CAROL, eu acho que sim, porque retrata bem uma época e é bem escrito, mas pessoalmente eu gostei mais do Razão e sensibilidade, me envolvi muito mais.

Cássia: Acho que é um livro que você precisa “ler no tempo certo”. Precisa ter disposição para ler, senão a história se arrasta demais.

Nina: Eu sou apaixonada por Orgulho e preconceito… Pra mim, pode ser sim.

Marina: CÁSSIA, é bem isso mesmo, no Razão e sensibilidade parece que a leitura é um pouco mais leve.

Cássia: Com todo o respeito pela Jane Austen, mas o livro lembra uma peça de Shakespeare que agora Dona Cássia precisa lembrar o nome… Acho que é “Medida por medida”. O casal fica nisso a peça inteira, um contra o outro, e ficam juntos no final, óbvio. No livro da Jane, eu acho muito mais interessante o contexto em que tudo se passa do que esse vai-não-vai dos protagonistas. O nome da peça é “Muito barulho por nada”.

Carol: TODAS, mas um tema muito importante do livro é o preconceito. As relações amorosas que são ou só podem ser construídas com base no que o outro/a tem. E a forma como as pessoas são bem ou mal vistas socialmente a depender de como se veste, do que tem, de onde mora. Existem coincidências com alguma cena conhecida por vocês?

Nina: CÁSSIA, sério que você achou parecido? Eu não acho não.

Marina: CÁSSIA, mas se eu não me engano, no Shakespeare a mulher não gosta dele porque ela é meio chatinha, a Lizzy tinha os motivos dela pra não gostar do Sr. Darcy.

Cássia: Na rixa, sim. Queridas, eu falei da rixa, não do motivo da rixa! Hehehehe! Dos protagonistas se cutucarem e não se suportarem.

Nina: Hahaha.

Cássia: Sei que o contexto é outro, né?

Marina: CÁSSIA, hehe.

Nina: TODAS, e vamos falar do Mr. Darcy??? O que vocês acham dele? Fora o ator do filme, hahahahaha.

Cássia: Gurias, tem pergunta da Carol lá em cimaaaaaaa.

Nina: Ops.

Marina: CAROL, minha mãe sempre sofreu com essa história de ser julgada pela roupa, porque ela é gordinha e gosta de usar vestidos indianos. Aí, as moças das lojas sempre acham que ela não tem dinheiro para comprar as coisas e mal falam com ela.

Cássia: Minha tia já passou por isso em loja indiana. Ela diz que tem cara de pobre e nunca é bem atendida. E ela estava meio gordinha também e, necas, nem olharam para ela. O preconceito de classe mostrado no livro ainda existe imensamente! Talvez seja um pouquinho mais fácil hoje, mas o preconceito continua pesado. Ah, e eu sou maltratada em loja porque tenho cara de criança (é sério, não é piada).

Carol: TODAS, mas existem algumas diferenças entre aquela época e aquele lugar pra nossa época e nosso lugar, certo? Mesmo assim, vejamos a instituição CASAMENTO. Mudou o quê?

Marina: CÁSSIA, quando eles fizerem isso, tira o cartão de crédito e esfrega na cara deles, uhauha.

Cássia: Mudou que você não precisa casar para ter onde morar ou se sustentar. Naquela época, não casou, fofa, você está na rua ou vai depender da boa vontade de alguém. MARINA, farei igual a Uma linda mulher, gastar muito e voltar lá mostrando as compras.

Marina: CÁSSIA, isso aí.

Carol: TODAS, acho que hoje as pessoas podem se escolher, mas a tolerância diminuiu porque as pessoas não estão mais tão presas à questão do $. Especialmente as mulheres, certo? Que são muito mais independentes. Naquela época, havia dependência afetiva e financeira. Hoje, existe uma imensa demanda por dependência afetiva, que acaba interferindo de forma a tornar a relação baseada na troca do afeto pelo $. Sim?

Cássia: NINA?

Nina: Oi.

Marina: A NINA queria falar do Sr. Darcy.

Nina: Estou lendo e pensando, hihihi. TODAS, vocês estão muito profundas hoje, hahahaha.

Carol: rsrs

Cássia: NINA, hehehehe, boba.

Cássia: CAROL, não sei se concordo. A mulher, hoje, tem a independência financeira, mas ainda somos mancas se não nos casamos. Uma antropóloga brasileira [Mirian Goldenberg] diz que, no Brasil, marido é um bem [material] para a mulher.

Carol: CÁSSIA, mas é isso que estou dizendo. COMPRA-SE O AFETO porque tem independência $$, mas dependência afetiva total.

Cássia: Não estou falando de afeto. Estou falando que socialmente uma mulher só é bem-vista se for casada.

Marina: TODAS, eu não acho que é uma questão de dependência afetiva, acho que é normal querer ter alguém do nosso lado.

Carol: CÁSSIA, compra-se também uma posição social.

Nina: TODAS, concordo com a Marina.

Cássia: MARINA, sim, não estou desmerecendo não. Eu quero casar, ter um homem superlegal ao meu lado! Mas sei que, se não casar, sempre serei vista como a coitada mal-amada. Sinto muito, mas funciona assim sim.

Carol: Se não for casada é malvista, é lésbica, é sim. Eu já ouvi isso várias vezes. E agora, que me casei com um cara 11 anos mais novo, imaginem o que não ouço! Ele é seu filho? Ele trabalha? E por aí vai…

Cássia: E estamos falando do casamento como instituição. Entre ser uma profissional megapower e uma mulher bem-casada, os olhos da sociedade sempre acharão que você venceu no segundo caso.

Nina: TODAS, eu acho que vão falar de um jeito ou de outro. A sociedade é assim. Se a mulher é bem-sucedida profissionalmente ou não. Se é casada ou não. Se é gay ou não.

Carol: TODAS, a verdade é que a sociedade – nós – somos uma m… Se estamos casadas, somos ruins. Se não estamos casadas, somos piores.

Cássia: NINA, sim, mas existe o fato de que a felicidade de uma mulher ainda está atrelada ao casamento. E isso é um fato, gostemos ou não.

Marina: TODAS, eu ainda não acho. Talvez dentro da família, se é tradicional, ou em uma cidade pequena, mas eu tenho uma tia que é irmã do meu avô, já deve ter mais de 70 anos, e ela nunca casou e vive superbem e viaja e faz tudo o que quer e tem um superapartamento na paulista e ninguém fala mal dela, ela está melhor que muita mulher casada.

Nina: CÁSSIA, concordo. O que estou dizendo é exatamente isso, que gostemos ou não isso ainda existe. E vai ser assim por um bom tempo.

Carol: MARINA, e você acha que NINGUÉM fala dela? Que ninguém a julga por ser solteira? Claro que sim! As pessoas julgam de um jeito ou de outro, vocês têm razão. Mas ser solteira aos 70 anos é sinal de insucesso.

Nina: O que não se pode é entrar nessa. Tipo, alguém surtar porque está sendo vista assim.

Cássia: NINA, não estou dizendo de gostar ou não, só que funciona assim. Nem por isso acho que temos de pautar nossa vida nisso, estou apenas questionando que as coisas entre Jane em 1700 e tal e hoje não mudou tanto assim. CAROL, concordo. Veem isso mesmo. MARINA, para mim, sua tia é um top de sucesso, porque seguiu o que escolheu.

Nina: TODAS, e vocês estão lembradas de que a querida Jane morreu nova, sozinha e doente, né?

Marina: CAROL, podem até falar, mas com certeza não falam na cara dela, porque ela vai mandar pastar, e com certeza não é sinal de insucesso porque ela tem vários namorados, hahahaha.

Carol: TODAS, as pessoas falam, com certeza, porque a tia da Marina tem 70 anos e é solteira. Ela curte a vida, mas É SOLTEIRA. É assim que as coisas funcionam… Sei lá, a emancipação feminina nem chegou a acabar com esses tipos de pensamentos. Uma tia minha uma vez me perguntou se eu era lésbica porque vivia saindo só com mulheres e não casava.

Cássia: NINA, sim, ela não quis casar. Mas sem dúvida ela era malvista naquela época e hoje, olha só, é top de linha! Hehehe.

Nina: Sim.

Marina: CAROL, talvez você ache que todos falam porque as pessoas que você convive falam, de verdade, eu nunca vi ninguém falar mal dela.

Carol: MARINA, eu disse que, socialmente, se somos solteiras aos 70 anos, é porque ninguém nos quis, somos fracassadas, e por aí vai. Você já ouviu alguém falando isso de um homem? Olha o Sr. Darcy…

Cássia: TODAS, ah, mas falam mesmo. Eu estou com 31 e escuto: “Poxa, mas você é tão linda, inteligente… Ninguém quer casar com você?” Como se não tivéssemos opção de escolher.

Carol: É isso, CÁSSIA.

Cássia: Uma vez conversei com um rapazote sobre isso e disse: “Se você chegar aos 50 anos e não casar, será porque você não quis. Se eu chegar aos 50 e não casar, é porque ninguém me quis”.

Carol: É disso que estou falando, Marina. Não de falar na cara dela, mas do preconceito mesmo, geral. É isso, CÁSSIA, assim que o povo pensa! Isso está bem arraigado, gurias, e olha que lá na Jane já tinha… O trem vem de longe! Ser pobre naquela época parecia ser ruim, mas ser mulher e pobre, coitada!

Nina: O povo é muito é chato, isso sim!

Carol: Mulher solteira ouve: “Você não vai casar?” A mulher casa e ouve: “Você não vai ter filho?” Tem o primeiro filho e ouve: “Não vai ter o segundo?” E seguem as cobranças.

Cássia: E se tem filho: “Mas você trabalha e tem filho? Consegue ter tempo?”.

Carol: KKKKKKKKKKKKKKK.

Cássia: Se decide parar de trabalhar um tempo: “Virou dondoca?”.

Carol: Aff!

Cássia: “Vai ficar só cuidando de filho?” Se trabalha muito: “Que mãe é você? Seus filhos não sentem sua falta?”.

Nina: Pessoas… que tal voltarmos para o livro. Isso aqui está parecendo um movimento feminista.

Carol: E os preconceitos contra os homens? No livro é contra o Bingley – rico e solteiro só pode estar atrás de uma esposa! Aff!

Cássia: NINA, a ideia não é comentar sobre Jane no que diz respeito a nossa vida? É isso que estamos fazendo.

Nina: Não é não.

Cássia: Claro que é.

Nina: Vocês entraram numa de ficar falando e falando. Só pedi pra não perder o foco. Só isso.

Cássia: Não perdemos o foco, tenha certeza. E falamos porque estamos discutindo. E como disse a Carol, sim, o Bingley sofria preconceito.

Carol: NINA, sobre o que você quer falar?

Cássia: Aliás, o livro já começa falando que homem rico e solteiro tem de casar e ele era um fofo.

Carol: Toc toc, GEEEEEEEEEEEEEEENTE.

Cássia: Eu estou aqui.

Marina: Presente.

Nina: Aqui.

Carol: NINA, sobre o que você quer falar? Por favor, puxe o tópico.

Nina: Eu queria falar sobre o livro mesmo. O que acham que fez o Darcy, tão arrogante, se apaixonar pela Lizzy, por exemplo. Mesmo sendo contra tudo o que ele acreditava e contra o que a sociedade da época permitia.

Carol: Acredito que foi uma estratégia da autora para discutir o preconceito presente no título do livro, e também o orgulho, esse romance mexeu com o orgulho dos dois. Ela por ser mulher e inicialmente rejeitada. Ele por ser homem e rejeitar uma mulher pobre. Acredito que isso seja um foco importante do livro, para mostrar que esses dois defeitos são graves, mas podem ser superados. Se houver amor, enfim…

Marina: NINA, não acho que ele é arrogante, talvez um pouco, mas acho que é também um modo de se proteger de pessoas oportunistas.

Nina: MARINA, pode ser. Ele era o melhor partido, afinal, hehehe. Apesar do Bingley ser um queridão.

Marina: NINA, pois, vocês podem ma bater, mas eu gostava dele, hehehe.

Cássia: Acho que ele se apaixonou pela Lizzy por ela ser, justamente, o oposto dele. Ele escondia, ela falava, ele se calava, ela peitava. É bem o amor espelho: ela era o que ele queria ser.

Nina: Concordo. Ela era o oposto das mulheres que ele estava acostumado. Lembram da irmã do Bingley?

Marina: NINA, nossa, aquela lá sim dava vontade de bater, pior que ela só a tal da Charlotte.

Cássia: Por que você não gostava da Charlotte, MARINA?

Nina: MARINA, eu senti pena da Charlotte.

Marina: CÁSSIA, ai, lá vou eu confundir os nomes de novo, não era a Charlotte, era a tia, aquela velha rica.

Nina: Aaaaaaaah.

Cássia: HAHAHAHAHA! Eu também tive raiva dela, mas dá para entender, eu também protegeria o meu Darcy! Hehehe. Além disso, ela podia muito bem achar que era golpe do baú. Ela era arrogante, mas entendi o seu lado.

Nina: Claro! Ele era o futuro da filha dela, oras, hihihi.

Marina: CÁSSIA, hahahahahaha.

Nina: MARINA, a Charlotte teve que aguentar o bajulador do Sr. Collins.

Marina: TODAS, eu acho que ela estava mais preocupada com a filha dela que com o Sr. Darcy.

Nina: Aquele eu matava fácil.

Cássia: É, MARINA, tem razão.

Marina: NINA, isso mesmo, agora lembrei. TODAS, quando o Sr, Collins pediu pra casar com a Jane eu levei um susto, pensei, nãããããããõoooooooooooooooooo.

Nina: TODAS, sabem outra coisa que me fez lembrar dos dias de hoje? O comportamento das irmãs mais novas com os oficiais.

Cássia: MARINA, mas lembra que a Jane era a mais bonita? Sempre pensavam nela primeiro para casar, hehehe. CAROL?

Marina: CASSIA, é, né, mas eu troquei o nome de novo, aff pra mim. Quando ele pediu pra Lizzy casar eu surtei, hehehe.

Cássia: AAAAAAAAAH! Eu me assustei também.

Carol: OI.

Marina: Mas eu ri muito quando ela recusou e ele falava que mulher é assim mesmo, diz não mas depois diz sim, e ela continuava dizendo não, eu dava risada, hehehe.

Cássia: Nada diferente de muitos homens por aí, hehehe, achar que é sempre “doce” da mulher.

Carol: TODAS, o Collins pra mim é o personagem mais asqueroso da Jane, até o momento.

Cássia: Sabe que não acho ele asqueroso?

Carol: Todos os defeitos de um homem e de um ser humano estão nele!

Marina: CÁSSIA, é, né, eles acham que é charme, não sabem diferenciar um não de verdade de um não que quer dizer “talvez”, hehe.

Cássia: Eu entendo o Collins naquele contexto.

Marina: Também não acho que ele é asqueroso, acho que ele representa muito bem muitos homens da época, e de acordo com o que foi discutido lá em cima sobre as pessoas falarem dos outros, ele representa essas pessoas, que julgam e vivem do que os outros vão pensar e achar e do que a sociedade manda fazer.

Cássia: NINA?

Nina: Tô aqui.

Cássia: Exatamente, MARINA! Ele só pensa nos outros o tempo todo, tem razão.

Nina: Acho que o Sr. Collins era fraco. Ele fazia o que diziam que era certo fazer, mas eu não dava conta dele não. Nojento!

Marina: Seria a representação da massa controlada pela sociedade. Se ele é asqueroso, então a maioria das pessoas a nossa volta também são.

Carol: Por isso ele é asqueroso!

Cássia: MARINA, praticamente socióloga!

Carol: MARINA, e somos!

Marina: CÁSSIA, hahahahahahaha, é o frio fazendo minha cabeça funcionar.

Carol: rs.

Cássia: Eu não acho ele asqueroso. E acho que todo mundo, em algum momento, agiu de uma maneira ou outra de acordo com o que os outros vão pensar. Não é todo mundo que tem peito de falar “não vou te agradar”, ainda mais que ele era sustentado pela dona lá. Enquanto ele não tivesse a casa dos Bennet, era mantido por ela. É o protótipo do bajulador.

Nina: Ele nem tinha escolha, tinha que ser bajulador.

Marina: CÁSSIA, verdade.

Carol: CÁSSIA, estamos sempre ou pelo menos na maioria das vezes agindo assim. Não temos como não agirmos assim por causa do sistema – capitalista – que não nos dá a liberdade de pensarmos e agirmos como somos de verdade. Aliás, nem sabemos quem somos, nos perdemos muito nisso tudo que jogam em cima da gente: TV, moda, internet, cobranças e mais cobranças… Tem de ser assim, tem de se vestir assado… Tem de ter tal coisa para ser… Enfim…

Cássia: Nem acho que é questão de sistema capitalista, mas da sociedade como um todo. E a grandeza da Jane é justamente esta: mostrar como a sociedade funciona. A gente adora ler porque se identifica e percebe que, na verdade, ser Lizzy continua não sendo fácil, ser mulher continua sendo complicado, o sistema familiar nem mudou taaaaaaanto assim. Três vivas para a Jane!

Nina: É isso aí. Preciso me despedir, meninas.

Marina: NINA, tchauuuuuuuu, beijoooosss.

Cássia: NINA, beijos e boa semana.

Marina: Eu também vou daqui a pouco.

Nina: Obrigada por mais um encontro. Beijos e nos vemos no próximo.

Marina: Até.

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