The Lizzie Bennet Diaries

Nosso clube de leitura deixou de existir há dois anos. Mesmo assim, nunca voltamos para encerrar o blog e manter apenas as discussões passadas, que tão importante foram para nós.

Como post derradeiro, vamos falar da websérie The Lizzie Bennet Diaries, que também começou há dois anos. Elizabeth Bennet é uma pós-graduanda em comunicação social que mantém um videoblog no YouTube como trabalho de curso. Ela tem duas irmãs, Jane e Lydia, e possui uma imensa antipatia por um tal de Darcy. Alguém aí reconheceu “Orgulho e preconceito”?

São 100 episódios e a maioria está legendada em português, mas às vezes há alguns problemas de sincronização. Não deixem que isso atrapalhe, sigam até o final porque vale muito a pena, especialmente para quem já leu o livro.

Este é o primeiro episódio. Quem quiser acompanhar a história completa, aqui.

(Se a legenda em português não aparecer automaticamente, clique no quarto ícone, da direita para a esquerda.)

Livro 12: A estrada

O encontro aconteceu dia 19 de fevereiro com participação de Cássia, Cátia, Nina e Teeh. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Cátia: Terminei há uma hora o livro. Gente que pancada de livro.

Cássia: Eu não gostei.

Teeh: 2.

Cátia: Do livro?

Cássia: Isso. Nem do livro, nem do filme.

Cátia: O filme eu não vi.

Cássia: Maniqueísta até a tampa.

Cátia: Eu gostei do livro, gostei muito mesmo.

Teeh: Eu comecei o livro assustada, atrasada e com medo de bibliotecárias gritalhonas, dai pensei que fosse por isso que não estava curtindo.

Cássia: Li o livro por obrigação, hehehe, por conta do clube. Comecei, pensei que o estilo que não me agradou. Mas… não foi.

Cátia: Então o que não te agradou, Cássia?

Cássia: O estilo não me agradou, mas entendo que é coisa minha. O que me incomodou foi o maniqueísmo, o autor dividiu as pessoas entre “bons e maus”. O menino falando que eles eram os bons porque o pai ensinou isso, e os outros eram os maus… Como isso me incomodou!

Cátia: Eu encarei isso como uma forma de defender o filho, porque no fim das contas, numa situação daqueles isso deixa de fazer sentido, o ser bom ou mau.

Cássia: Mais ou menos… Para ele, todos eram maus.

Cátia: Acho que ele tinha consciência de que não ia sobreviver ao filho e queria que ele estivesse preparado para isso.

Cássia: Preparado para a solidão? Se o filho não tivesse bondade dentro dele, não teria ido com o casal no final.

Cátia: Preparado para sobreviver. Olha, essa parte final é que não fez sentido para mim.

Cássia: Então, mas se preparar para sobreviver não significa negar ajuda. Eu entendo, mesmo!, que era uma situação adversa, mas talvez por gostar tanto de “Ensaio sobre a cegueira”, vejo que há nuances de comportamento em uma situação limite. Tem aquele que mata para comer, aquele que divide o pedaço de pão, aquele que come sozinho por medo, sabe assim?

Cátia: Sim, eu entendo o que queres dizer.

Cássia: Mas daí, gostei da parte em que o pai tira tudo daquele homem que roubou as coisa dele porque mostra que, na verdade, o que é a maldade? O pai deixou o outro nu, no frio, para se vingar. Como ele pode dizer que só os outros são maus?

Cátia: Eu não encarei como vingança, eu achei que ele fez aquilo para não ser seguido.

Cássia: Mesmo assim, foi de uma maldade sem tamanho.

Teeh: Concordo, eu fiquei me sentindo mal.

Cássia: Eu também.

Teeh: No filme também, por causa que é o Robert Duvall, rs.

Cátia: Sim, foi.

Cássia: O menino disse bem, que o cara só roubou porque também sente fome.

Cátia: A sério? Adoro o Robert Duvall.

Cássia: Mas não é o senhor, é aquele outro, que roubou o carrinho.

Teeh: Sério.

Cátia: Certo que o pai foi cruel, mas o que roubou o carrinho também roubou tudo sem piedade, sabendo que eles também não sobreviveriam a isso.

Cássia: E isso justifica tirar tudo também, sem piedade?

Teeh: Eu só sei de uma coisa: que mundo horroroso.

Cátia: Não, não justifica.

Cássia: Aí entramos no olho por olho, dente por dente. Mas ele recuperou suas coisas, pegue e siga. Precisa tirar o que é do outro só porque o outro tirou?

Cátia: Mas é daquelas situações em que ninguém está impune.

Cássia: Não importa… Se o pai divide o mundo entre bons e maus, não enxergou que também há maldade em nós em situações assim. Porque “maus” são sempre os outros, nós sempre somos os bons da história.

Cátia: Eu entendo o que dizes, Cássia, sério, mas penso que o pai estava absolutamente obcecado com a sobrevivência do filho.

Cássia: Sim, sim… mas não da melhor maneira, eu acho.

Teeh: Mas não acho que é justificável salvar uma vida condenando outra…

Cássia: Concordo.

Cátia: Também concordo.

Cássia: Senão vira realmente terra de ninguém.

Cátia: Mas o que me intrigou realmente é que não sabemos como tudo aconteceu, vocês pensaram nisso?

Cássia: Como assim? Como tudo desapareceu?

Cátia: Só vemos descrição de destruição e miséria mas não me lembro de ler algo que dissesse como tudo ficou assim. Enquanto lia, esperava ver algo que dissesse e nada. Isso me frustrou.

Cássia: No filme, ele está com a mulher dele na casa dos dois e tem um clarão. E só.

Cátia: Tipo desastre nuclear? Mas aí não sobraria nada.

Cássia: Não, não, era clarão de fogo mesmo. Ó, li no Twitter [da Cátia]: “Este livro, “A Estrada”, caiu em mim de uma forma inexplicável.” Conta pra gente.

Teeh: Vish.

Cátia: Esta semana foi uma semana difícil e neste livro tem assim reflexões que me atingiram um pouco. Cada diálogo entre pai e filho termina com uma espécie de conclusão, vocês deram conta disso? Então teve muitos momentos que me tocaram. Eles falavam muito sobre esquecimento, sobre não desistir.

Cássia: É verdade…

Cátia: Achei interessante um momento em que ele disse ao filho para ele não ter bons sonhos e coloridos que isso seria um sinal de desistência.

Cássia: Achei isso tão triste.

Cátia: Achei isto de uma complexidade… nem imaginam, teve um impacto tão grande em mim.

Teeh: É, foda…

Cátia: E depois, fico sempre frustrada quando vejo um pai a fazer tudo por um filho, mesmo com defeitos, mesmo sendo um pai de valores distorcidos.

Cássia: Isso do pai fazer o que tiver de fazer por um filho… O pai era um pessimista, mas dá para entender. Ele sempre esperava o pior, sempre.

Cátia: Mas o engraçado é que ele dizia para o filho que não ia ser pior, não iam encontrar ninguém e tal. O filho era mais realista do que o pai.

Cássia: Além de realista, acho que o filho tinha aquele lampejo de esperança, de que há alguma beleza mesmo na pior das situações.

Cátia: Com certeza!

Teeh: Bem coisa de criança. Toda criança tem isso em si.

Cássia: Exatamente, bem coisa de criança, e a grande questão é o quanto perdemos isso.

Cátia: Todo o livro é uma metáfora, não acharam? Sim, esta é a questão, Cássia, perder esse lampejo.

Cássia: Metáfora sobre?

Cátia: Há uma estrada, um objectivo a alcançar, um caminho a seguir, obstáculos, opções que se tem de tomar.

Cássia: Eu pensei muito naquela coisa do “não importa quão árido é o caminho, tem o arco-íris lá no final”, como se toda e qualquer dor fosse justificada pelo final.

Cátia: Sim.  Por isso, fiquei meio frustrada com o final. Eu espero algo assim meio revelação, dele alcançar algum lugar totalmente diferente.

Cássia: Aí que está: a revelação não existe. Você assistiu ao “Mágico de Oz”?

Cátia: Sim, dear Dorothy!

Cássia: No final, é aquela coisa, não tem mágico.

Teeh: Owwwn, o mágico de Oz!

Cássia: Foi o primeiro filme que vi na vida.

Teeh: Sério?

Cátia: Sério?

Cássia: Acho que faz parte do meu caráter, hehehe.

Teeh: Eu passei quase um ano pedindo um Munchkin para meus pais, HAHAHAHAHAHA. Eu tenho! rs

Cássia: Sério, foi o primeiro que vi na vida. Eu tinha cinco anos e lembro até hoje.

Teeh: Que lindo! *–*

Cátia: Nossa, lindo mesmo!

Cássia: Mas, enfim, acho que moldou [o meu caráter] por isso: não tinha “o” mágico salvador, a solução estava na própria Dorothy e em cada um deles. Acho que a gente tem muito isso, de sofrer pela estrada, de aguentar tudo porque acha que terá a recompensa sublime e, chega lá, a solução está com a gente.

Cátia: Não sei, há coisas que nos ultrapassam completamente.

Cássia: Isso, sem dúvida. Mas se nos ultrapassam, não estão em nossas mãos. A gente só é responsável pelo que nos compete.

Cátia: Mas também sofremos pelo que não nos compete.

Cássia: Aí que tá… Adianta sofrer por isso? A gente quer controlar tudo. No livro, o pai tinha muito isso, ele queria controlar o que não tinha controle.

Cátia: Sim.

Cássia: E o menino era mais o “ó, isso não dá para controlar”. Quando somos criança, temos muito mais essa consciência. Adultos, achamos que o mundo está na palma da nossa mão.

Teeh: É por que quando somos crianças não controlamos NADA, mas crescendo ganhamos responsabilidades, assumimos o controle de algumas coisas, e o poder vicia.

Cássia: Algumas [coisas].

Cátia: Estou aqui a pensar…

Cássia: O poder vicia mesmo, em todas as instâncias. Eis o grande problema!

Cátia: Nem sempre o controle tem a ver com poder.

Cássia: É, também acho.

Cátia: Por vezes, queremos o controle para que as circunstâncias alcancem um fim harmonioso. Era o que o pai queria para o filho, que aquela catástrofe não o destruísse.

Cássia: Sim, claro… mas a grande questão é que não podemos controlar. E não aproveitamos muito coisa por nossa total incapacidade de entender isso.

Cátia: E quando entendemos e não conseguimos viver de outra maneira?

Cássia: Então não entendeu.

Cátia: …morremos à beira da estrada.

Cássia: Ainda queremos ter um controle que não nos pertence. Vamos todos morrer à beira da estrada, no fim das contas. Quem aproveitou o percurso, terá vivido bem melhor.

Cátia: É oficial, este livro me deprimiu imensamente.

Cássia: É, estou sentindo isso… =/

Teeh: : C

Cátia: Vou ter de ver uns 500 filmes para esquecer as imagens e sensações que ele me despertou.

Cássia: Tipo, nossa discussão tá bem depressiva, hehehe.

Cátia: É… Acho que é a primeira que está assim.

Cássia: Assista a um filme que mostre a humanidade feliz. Indica um, Teeh.

Cátia: Nossa, culpa minha!!

Cássia: Culpa sua nada, imagina.

Cátia: Gente vamos escolher só romances açucarados agora para ler!

Cássia: Vamooooos.

Cátia: Beeeeeeeeeeeeemmmmmmmm românticos, de chorar o livro todo com o amor lindo dos protagonistas.

Cássia: Era o clube na sua primeira fase, hehehe. Só Jane.

Teeh: Só por que eu ia indicar um livro dramático. U_U* UASAHUSAUSAHUSAHUSHUS

Cátia: Hehehehehehehehe, outro, Teeh!!!

Cássia: A Nina chegou!

[Nina está na conversa.]

Cátia: Obaaaa! Oiiii, Nina!

Nina: Oi, gente, me perdoem. A conexão aqui é ruim.

Cássia: Sem angústias, nada de sofrimento, hehehe.

Cátia: Já basta o livro traumático.

Cássia: A gente falou pouco sobre o livro. A Cátia está deprê por ele.

Nina: Sério?

Teeh: Seríssimo, rs.

Cássia: É, estamos num bode, aff.

Cátia: Isso, queremos te ouvir.

Nina: Ai gente, eu sei que ele é triste. Também fiquei meio deprê quando terminei.

Teeh: Hahahaha. Fod*u.

Cássia: Gente, só eu que não fiquei? Estou me sentindo fria e insensível, hehehe.

Cátia: lol

Nina: Mas já era de se esperar o final, né?

Cássia: Vai, Nina, fale sobre o livro, senão essa discussão não engata hoje.

Nina: Cássia, diga como se sentiu… Você disse que se sentiu diferente.

Cássia: Eu não gostei do livro, não me envolvi com a história. Não senti pena, tristeza, nem torci pelos dois. E, como falei para elas, achei maniqueísta.

Nina: Eu não torci pelos dois também, mas porque meio que sentia que não tinha jeito, mas consegui me envolver com a história…

Cássia: Então, esse foi meu problema: eu não consegui. Não “comprei” o drama deles.

Nina: Entendi.

Cátia: Eu me envolvi demais.

Nina: E sofreu, né?

Cátia: Nossa…!

Teeh: Eu já tinha visto o filme, então sabia o que ia acontecer, mas… também não entrei na deles.

Cássia: A Cátia está sofrendo ainda.

Cátia: Eu costumo ver os filmes dos livros, mas acreditem, eu acho que não vou querer ver esse não.

Cássia: Depois de “Ensaio sobre a cegueira”, só “The Walking Dead” me fez comprar uma história assim.

Nina: Eu sofri porque na medida que ia avançando, eu percebia que não tinha mais esperança pra eles.

Cátia: Eu tenho a série aqui e ainda não vi, sinto que não estou preparada.

Cássia: Então não veja, Cátia.

Teeh: Poxa, é um bom filme sabe, Cátia? O visual dele é, desculpem a expressão, de foder.

Nina: É, “The Walkind Dead” é totalmente “comprável”, kkkkkkkkkk.

Teeh: TWD é A série.

Cássia: Você fica com medo de entrar um zumbi na sua casa. Você acredita que o mundo está daquele jeito.

Cátia: Sério, não consigo ver coisas assim actualmente, só coisas cor de rosa.

Teeh: Cara, se o apocalipse zumbi acontecer, quero que seja daquele jeito.

Cátia: Eu vi o “Melancolia” e fiquei de rastos.

Teeh: Antes eu queria que fosse tipo “Resident Evil”, mas agora não. MELANCOLIA

Nina: Nossa, eu ainda não vi “Melancolia”. Preferi esperar um pouco.

Cátia: Aquele filme acabou comigo.

Cássia: Ainda não vi “Melancolia”.

Teeh: Eu chorei que nem desgraçada em “Melancolia”, amei aquele filme de uma maneira tão profunda que nem eu consigo compreender.

Cátia: Gente, é qualquer coisa. O filme é tão tão tão… A meio eu já estava sem entender nada e entendendo tudo.

Teeh: Melancolia é a metáfora da depressão. E para quem já esteve deprimido de verdade, ele cai que nem uma bomba no seu emocional, mas de uma maneira boa, HAHAHAHAHHA.

Cátia: Sim, Teeh.

Teeh: Eu escrevi a crítica, fica a dica. HAHAHA.

Nina: Teeh, meu marido é um especialista em zumbis. Ele já viu 3456.7643.8577 vezes TUDO quanto é filme de zumbis. Conhece tudo e ele sempre disse que “Resident Evil” não é uma boa história zumbi, aquela história de zumbi mutante não combina, hehehehe.

Cátia: Olha, Cássia, o “Melancolia” tem assim um gosto tão estranho na boca, tão diferente, tão…

Teeh: Gosto de cinzas (interna para quem assistiu).

Nina: Cássia, você achou o livro maniqueísta?

Cássia: Achei sim, Nina.

Nina: Por quê?

Cássia: Porque, Nina, fica a coisa dos “homens bons” e “homens maus”.

Nina: Ah, tá! Tipo, bem diferente de TWD, onde todo mundo é um pouco bom e um pouco mau, né?

Cássia: Isso… até de “Ensaio sobre a cegueira” que tem várias nuances.

Nina: E acho que você tem razão.

Cássia: Nesse, ou você prende gente no porão para comer ou vai morrer de fome, não tem a nuance.

Teeh: haushauhsuhaush. Kinda Book of Eli

Nina: Como diria o querido-love-you-Grissom: ninguém é 100% inocente!!!

Cássia: Exaaaatamente. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau.

Cátia: E que momento foi aquele da cave?

Cássia: Ainda mais em uma situação limite.

Nina: Aquele lugar que tinha tudo?

Cátia: Não, o primeiro.

Cássia: Vocês conhecem aquela história da queda do avião no Chile, há mil anos?

Cátia: Não, Cássia.

Nina: Que o povo se comeu?

Cássia: Exatamente. Aconteceu o seguinte, Cátia: um avião caiu no Chile, na Cordilheira dos Andes. Uma turma morreu, outra sobreviveu, mas não tinha comida e o jeito foi… comer os mortos. E quem estava para morrer, já dizia que poderia ser comido e tal.

Teeh: Argh, odeio essa caso. Esses dias um dos caras que sobreviveu passou na “rede bobo” esses dias.

Cássia: Eu vi esse cara. Mas ele disse umas coisas bem legais.

Nina: Isso tudo é bizarro!

Cátia: Eu nunca ouvi falar nisso.

Nina: Tem um filme sobre isso, não é?

Cássia: Tem um filme sim.

Cátia: Nossa!

Cássia: É muito bizarro… mas, pensa, aconteceu.

Nina: Pois é!

Cássia: E ele disse uma frase na Globo que foi ótima: “Quem reclama é quem está bem. Quem está mal, serra os dentes e segue em frente”.

Nina: O nome do filme é “Vivos”.

Cássia: Porque ele andou SOZINHO sei quantos quilômetros, no gelo, para tentar salvar quem ficou (e a própria pele, claro). Então, é aquela coisa: na hora do vamos ver, a gente não sabe do que é capaz.

Nina: Exatamente.

Teeh: Isso é…

Cátia: A questão da sobrevivência.

Nina: E voltando à história dos zumbis… é disso que trata, da sobrevivência.

Cássia: Exatamente.

Nina: Não é o terror dos bichos, mas a história de sobrevivência. O que os seres humanos se tornam na hora do vamos ver.

Cássia: E como cada um lida com isso. Aí que está a graça.

Nina: Isso.

Cátia: Olha, quando eu lia o livro eu pensava que numa situação daquelas, de catástrofe, de fome e miséria, todos os valores que cultivamos caem aos nossos pés.

Nina: Eu achei o livro lento em algumas partes, mas na verdade, eu sentia aquela tentativa (em vão) do pai de salvar o filho.

Cássia: Caem mesmo, Cátia. E era um salvamento meio impossível.

Nina: Mas era uma situação onde não havia mais esperança, e ele sabia disso, né?

Cátia: Porque era muito descritivo, Nina.

Cássia: Pior que sabia.

Nina: Só de imaginar uma coisa dessas… Tipo, vamos pra onde? Fazer o quê? aff!

Cássia: Comer o quê?

Nina: Exato.

Cássia: Ficar ou ir embora? Continuar vivo ou acabar com isso? Porque eu entendi a mulher do cara.

Nina: É, por mais angustiante que seja… a gente entende.

Cássia: Entende…

Nina: Numa situação dessas… quem vai julgar alguém?

Cátia: Sim…

Nina: Lembram da cena em “Ensaio…” onde o médico transa com a prostituta e a mulher vê tudo?

Cássia: Meu, essa cena é emblemática. Eu entendi o cara.

Nina: Demais!

Cássia: Todo mundo me xinga, mas eu entendi.

Nina: Kkkkkkkkkkk.

Cássia: Sério. Pensa, você virou um necas, sua mulher virou sua enfermeira…

Teeh: rs

Cássia: Mas é verdade.

Nina: É a velha história do que o ser humano se torna, né?

Cássia: Exatamente. Aí vai buscar meios para voltar a ser o que era, de alguma forma.

Nina: Quem pode julgar?

Cássia: Ninguém. Aliás, “Ensaio…” é sensacional. A humanidade inteira está ali.

Nina: Sim!

Cássia: Por isso que invoquei com “A estrada”. Porque, nossa… para chegar perto de “Ensaio…” precisa de muito.

Nina: Mas acho que “A estrada” era mais voltado para a relação do pai com o filho e da busca por algo que não existia mais, né? Tipo, ele não tinha esperança, mas sabia que tinha que continuar caminhando…

Cássia: Tem razão. Talvez, se eu tivesse lido sob esse enfoque, teria achado mais legal.

Teeh: Eu acho que ele tenta mostrar uma das parcelas da humanidade, a única em que há amor incondicional entendem? Que é a relação entre pais e filhos. (na maioria das vezes, rs)

Cátia: Eu acho que ele tinha alguma esperança.

Teeh: É a última que morre.

Nina: rs

Cássia: Sem esperança a gente não consegue nem acordar.

Cátia: Não sei… Precisamos de esperança para sobreviver? Ou precisamos dela para viver de verdade?

Cássia: Para tudo na vida.

Cátia: Haverá diferença entre viver e sobreviver?

Cássia: (Cátia, releia Jane Austen em breve!)

Cátia: (Sério… preciso mesmo… outro dia disse isso no Twitter.)

Cássia: (Precisa… para voltar a ter o coração cheio de suspiros.)

Teeh: Leia “Comer, rezar, amar”, Cátia.

Nina: (“Persuasão”, de preferência!!!)

Teeh: Que livro absolutamente gostoso.

Cássia: (Isso, “Persuasão”!)

Nina: Engraçado… Vocês lembram do nosso encontro de “Persuasão”???

Cátia: Acho que sim. Ai, “Persuasão”…

Cássia: Também acho que sim. Pena que a Teeh não pegou a fase Austen.

Nina: Ninguém parava de falar sobre o livro, sobre as personagens, era uma loucura só… A Cássia sofreu mediando o debate! kkkkkkkkkkk.

Teeh: Não. Li Jane Austen sozinha. BUAAAAAAAAAAAAAA.

Cátia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.

Cássia: Você adoraria. A gente amava ter discussões apaixonadas.

Cátia: Gente, foi animado.

Nina: E agora a gente se dispersa rapidinho!!!

Cátia: Mas “Emma” também foi…….

Cássia: A gente divergia, mas parecíamos mulheres loucamente apaixonadas, hehehe.

Nina: Muito apaixonadas!!!

[O papo seguiu sobre diversos livros. Até que Nina nos apresentou ao termo “senhorinha”…]

Nina: Quando eu trabalhava na livraria, esses tipos de livros ficavam numa estante que a gente chamava de “senhorinhas”.

Cássia: Senhorinhas, AMEI!

Cátia: Muito bommm, Nina.

Teeh: AHUSHUASAHUSUASAHUS.

Cátia: E como chamavam Jane?

Teeh: Delícia!

Cássia: Vamos criar o “Clube das Senhorinhas” só para ler esse tipo de livro.

Teeh: HSHSHSHSH .

Nina: Sério! Era Sidney Sheldon, Nora Roberts, Rosamund Pilcher, Jane Austen…

Cássia: Meu, sensacional.

Cátia: Eu nunca li a Nora, acreditam?

Cássia: Vamos mudar o nome do clube.

Nina: E eu era a senhorinha NÚMERO 1 DA LOJA! kkkkkkkkkk.

Cátia: Gente, mas Jane e Sidney nada a ver.

Cássia: A Nina vai nos guiar pela literatura senhorinha.

Nina: Não é por isso, Cátia, não é porque tem algo a ver, mas pela procura na loja, pelos romances. Tipo, a procura era maior pelas senhoras do que por jovens, entendeu?

Cátia: Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, entendi. Eu apoio, eu quero literatura de final feliz.

Nina: Tipo, a juventude só quer ler “Crepúsculo” e cia, e as senhoras gostam do bom e velho romance.

[E então o rumo da conversa mudou: criticamos “Crepúsculo” e demais livros juvenis, Nina nos indicou belos livros do gênero, zoamos com Bella Swan até chorar de rir e nos esquecemos de concluir “A estrada”.]

Próximo Livro: A Estrada, de Cormac McCarthy.

Olá gente querida,

Enquanto o nosso próximo encontro não acontece, que tal algumas curiosidades?? Eu encontrei um artigo bem legal sobre o Cormac McCarthy, o autor do nosso próximo livro. Espero que gostem! 😉

Livros: Cormac McCarthy e sua arte peculiar de contar grandes histórias
Por: Leilane Soares
Site: Cinema com Rapadura

Ele é o autor de “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “A Estrada”.

Você já parou para pensar no que motiva um escritor a fazer um filme sobre faroeste? Daqueles onde o mais forte sobrevive e a cidade tem aquele feno que percorre o cenário perfeito de uma terra sem lei? Ou o que levaria alguém a escrever sobre um filme apocalíptico? Onde tudo o que sobrou de uma família foi o pai e seu filho pequeno? Para Cormac McCarthy, a resposta, dada uma entrevista concedida a Oprah, é muito simples: “eu não preciso de um motivo, apenas quero contar uma história”.

O autor, que publicou “Onde os Velhos Não Tem Vez” em 2005, caiu nas graças dos críticos à época do lançamento, mas  só foi descoberto pelo grande publico com a adaptação cinematográfica da sua obra para o cinema em 2007. O tema? O velho oeste. Mesmo com um tema tão adverso para um romance hoje em dia, o livro fez sucesso e chamou a atenção dos Irmãos Coen. E dois anos depois chegaria às telas do cinema sob o título, no Brasil, de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”. Em seu elenco o filme conta com Tommy Lee Jones (“Capitão América: O Primeiro Vingador”), Javier Bardem (“O Amor nos Tempos do Cólera”) e Josh Brolin (“Bravura Indômita”). Vencedor de quatro Oscar, incluindo melhor filme em 2008, o longa baseado na obra de McCarthy levaria ainda mais 75 prêmios internacionais.

Em 2006 o autor foi agraciado com o Pulitzer de Literatura por “A Estrada”. Uma adaptação ganharia as telas em 2009. Com direção de John Hillcoat, roteiro de Joe Penhall (“O Último Rei da Escócia”), o filme seria estrelado por Viggo Mortensen (“O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei”) e Kodi Smit-McPhee (“Deixe-me Entrar”). Ainda em 2006, McCarthy publicaria a peça “The Sunset Limited”, que seria adaptada para TV. Em fevereiro de 2011, a série de mesmo nome seria produzida e dirigida por Tommy Lee Jones. O elenco do seriado também conta com Samuel L. Jackson.

Em 2010, o The Times colocou “A Estrada” ocupando o primeiro lugar na sua lista de 100 melhores livros de ficção e não-ficção dos últimos 10 anos. Frequentemente comparado pelos críticos modernos a William Faulkner, McCarthy tem sido muito cotado a ser o próximo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Mas não é apenas isso. A vida literária do autor é um mais extensa. Outras obras também ganharam destaque no cenário literário como A trilogia da Fronteira. Que tal conhecer um pouco mais dessa caminhada do autor? […]

Para continuar a leitura, clique aqui.

Livro 11: Mãos de cavalo

O encontro aconteceu dia 11 de dezembro com participação de Alex, Cássia, Cátia e Laís. A nossa discussão, editada, vem a seguir.

Alex: Bem, quem começa?… rs

Laís: Depois de ler esse livro concluí que eu também posso escrever um romance.

Cássia: Eu conhecia tanto o livro, que achei que fosse de contos… só fui me ligar que era romance no capítulo 4 ou 5.

Laís: Não sei para vocês, mas para mim ele não teve absolutamente nada de mais; passei por ele praticamente sem sentir nada.

Cássia: Eu tenho uma lista de críticas e um punhadinho de elogios.

Laís: Também tenho elogios.

Alex: Eu achei que o livro tem umas questões muito interessantes e uma simbologia instigante, mas a escrita me incomodou um pouco.

Cássia: A primeira coisa que me incomodou: erros. Erros propositais.

Laís: Foi da escrita que eu gostei. Flui, ele te transporta para aquele espaço, para aquelas cenas.

Cássia: É que você gosta de descrição, não é, Laís? Eu não suporto.

Laís: Nada como uma descrição bem feita!

Cássia: Isso me mata: descrição.

Alex: Pareceu a mim como que o livro tivesse sido impresso sem revisão… fosse o 1º tratamento da narrativa.

Laís: Aquele começo, dele na bicicleta, foi lindo.

Cássia: Então, Alex… aí que tá.

Alex: Não revisão gramatical, que fique bem claro… rs.

Cássia: Tem erro proposital, aqueles “pras”. Em literatura, a regra para o revisor é: só mexa em acentuação. Em outros casos, perguntar ao autor. Tem “ver ela”.

Alex: Acho que a palavra melhor seria que o livro aparenta não ter sido editado.

Cássia: Tem “chegou na” em vez de “chegou à”. Tipo, para quê? Mas foi, hehehe. A Companhia das Letras é cuidadosa nisso. E só de revisão, foram duas. É coisa do autor mesmo.

Alex: Isso é interessante… Também não sei, mas pode ter alguma intenção embutida que não tenhamos captado, rs.

Cássia: (a Cátia não consegue comentar)

Laís: Confesso que isso não me incomodou.

Cássia: Então, ele escreve bem. Esse tipo de coisa é frescura, não cabe no texto dele.

Laís: Entendi que era algo proposital mesmo e só.

Cássia: Tá, mas qual o propósito? Colocar “pras” e “nas” ao longo do texto? Não rola se o autor escreve tão bem, porque ele escreve muuuuito bem!

[Cátia entrou na conversa]

Alex: Bem, retomando estávamos falando sobre a escrita…

Cássia: Isso, da falta de cuidado que eu achei que ele tem com o próprio texto. Sabe a impressão que eu tive? É como se ele tivesse escrito a história de maneira linear, em capítulos, depois resolveu misturar a ordem e fim.

Cátia: Estás a falar da forma que a história está organizada?

Laís: Acho que foi tudo proposital. Para que eu não sei, mas ingenuidade não sinto que foi.

Cássia: Isso, Cátia.

Alex: Também não acho que foi ingenuidade, parece tudo muito bem encaixado.

Cássia: Sim, foi proposital, mas a questão é qual o propósito.

Cátia: Gente, eu tenho de dizer, eu amei o livro.

Cássia: Sério?

Cátia: Sério.

Cássia: Eu xinguei o livro até a metade.

Cátia: lol. A parte inicial eu confesso, foi difícil porque ele exaustivo a escrever.

Laís: Amei a parte inicial.

Cátia: Mas o personagem era extremamente interessante.

Laís: Não sei se isso tem a ver com o fato de eu estar escrevendo mais, fazendo curso de escrita e tal, mas achei ótima.

Alex: O primeiro capítulo não pareceu que foi um resumo do restante da história com o paralelo entra os obstáculos na descida com a bicicleta e os desafios da vida do protagonista?

Cássia: Tem razão, acho que ele “resume” o personagem.

Laís: Confesso que não pensei nisso.

Cátia: Também não pensei nisso.

Cássia: Porque é sempre em torno disso, dessa história da bicicleta, depois do carro, mas como eu não gostei desse começo, não tinha nem pensado nisso.

Laís: Mas faz sentido.

Alex: Inclusive a fixação por sangue que depois permeia todo o livro de vermelho… rs. Tem vermelho prá todo lado… rs.

Cássia: Nem me fala nessa fixação por sangue, minha terapeuta ia amar tamanha escatologia, pelamor!

Cátia: O começo, para mim, foi difícil porque achei extremamente masculino.

Laís: Achei o livro inteiro masculino, in-tei-ro.

Cássia: Mas eu gosto de textos bem masculinos.

Cátia: A questão da infância em grupo. Sim, completamente.

Cássia: Tem de um outro autor, dessa mesma turma do Daniel Galera, que é testosterona pura e eu amo de paixão, não foi isso que me incomodou.

Cátia: Mas eu tive dificuldade de entender algumas coisas.

Laís: Quem é, Cássia?

Cássia: O Cuenca. Ele só conta histórias de mulheres chamadas Carmen. É MUITO macho-cho.

Cátia: Esse eu conheço.

Cássia: Que eu li umas cinco vezes.

Laís: Nunca li!

Alex: Acho que isso é porque é um protagonista masculino e os como os flashbacks se concentraram em momentos de transição (os rituais que passamos pela vida), mostrou aqueles tipicamente masculinos, afinal a jornada do homem é um pouco diferente da mulher.

Cátia: Sim, é verdade, o que eu achei.

Laís: É bem diferente.

Cássia: O nome do livro é “Corpo presente”, João Paulo Cuenca.

Laís: Às vezes incompreensível.

Cátia: E retomando o lado do sangue, vocês não acham que é interessante o facto de ele procurar quase que um sofrimento constante e, ao mesmo tempo, fugir dele?

Cássia: Ele se autoflagela o tempo todo.

Cátia: Sim. Mas ao mesmo tempo ele foge.

Cássia: Mas acho que isso é uma fuga. Quando a gente sente dor física, esquece a dor emocional.

Alex: Acho que não foi fuga e sim transferência.

Cátia: Como assim?

Alex: Sensação de dor no corpo compensava a apatia emocional.

Cátia: Não tinha pensado nisso….

Cássia: Não sei se seria transferência, mas acho que entendi o que você quis dizer.

Laís: Isso fica evidente quando ele está com a Naiara.

Alex: Como não podia sentir as agruras da vida emocionalmente, ele transferia para o corpo.

Cátia: Achei isso contraditório, mas as duas explicações são possíveis.

Cássia: O mais triste é que, no final, ele diz que as coisas serão diferentes e a gente sabe que, adulto, elas não foram.

Alex: Será que não? Não acham que o tema do livro é a segunda (ou segundas) chances?

Cássia: Claro que não… Olha a apatia da vida adulta.

Cátia: Não achei.

Laís: Aquele embate com os meninos que queriam bater no outro garoto.

Cátia: Achei mais uma expiação.

Cássia: Ele se afundou no estudo, se tornou médico, casou com uma mulher que não amava.

Laís: Acho que aquilo foi um começo e o fato de ter desistido de escalar tambémm, porque para ele escalar era uma fuga.

Cássia: E teve de dar surra em adolescente para se sentir vivo de novo? Aos 30 anos?

Cátia: Acho que foi uma expiação.

Cássia: Sim, isso foi.

Alex: Vocês repararam que a fase adulta dura menos de 2h? Acho que houve uma profunda reflexão durante esse período onde revisitou os momentos marcantes do passado e ele tentou “consertar” as falhas.

Cátia: Ele quis expiar, de alguma forma, a covardia do passado.

Cássia: Mas mostra como ele carregou aquilo com ele a vida toda.

Cátia: Sim.

Alex: E isso é muito legal quando você vê a forma como o livro foi construído.

Cássia: Eu achei a parte adulta melhor que a parte infantil/adolescente.

Alex: O passado vai revelando o futuro e o próprio passado ao mesmo tempo.

Cássia: Eu gostava mais de saber o que ele iria fazer do que quando ele era criança.

Cátia: O capítulo do parto da mulher é qualquer coisa…

Cássia: Mas aí eu vi uma coisa que não gostei. Era tudo meio anticlímax. Aquele parto, ó, quase desisti de ser mãe, hehehe.

Laís: A vida de muita gente é anticlimática.

Cátia: lollllllllll. Eu também. Mas muito intenso, muito real.

Cássia: Não é não, Laís. Na nossa vida, os acontecimentos se encadeiam em antes e depois.

Cátia: Muito cinematográfico.

Cássia: No livro, não é assim. A surra nos adolescentes quando ele é adulto é catártico, mas só entendemos isso nos capítulos seguintes, ou seja, não me envolvo com aquele momento porque não sei a importância que ele teve no passado. É disso que estou falando. Cátia, tem razão. Aliás, o livro todo é bem cinematográfico.

Laís: Digo isso porque há um momento em que ele diz que a vida parece sempre mostrar algo de heroico que nunca vem, algo assim.

Alex: Isso mesmo.

Cássia: Ah, entendi, mas é que falei de outro ponto mesmo.

Cátia: A desistência da escalada, como lembra a Laís, vocês entenderam o que fez o clique para ele desistir? Eu fiquei na dúvida.

Cássia: Não…

Cátia: Foi ele pensar na mulher, foi ele pensar na vida enquanto ia para a casa do amigo? Este foi um momento que não consegui alcançar bem.

Alex: Acho que é porque o livro vai mostrando uma pessoa que tem uma certa crise de identidade, de tentar descobrir quem ele é.

Cátia: Mas o que despoletou isso? Ele estar meio tremido com a mulher?

Laís: Sei que não é o ponto central, mas, Cássia, você falou que ele não amava a mulher; acha mesmo? Tenho dúvidas.

Cássia: Acho sim.

Cátia: Eu não tenho certeza.

Laís: Nem eu.

Cássia: Esse rapaz buscava por momentos “epifânicos”. Ele resolveu casar com essa mulher depois de um momento assim: “Vou te fazer feliz assim pra sempre”.

Cátia: Grandes auges?

Alex: Também não tenho uma opinião tão definida quanto aos sentimento pela esposa.

Cássia: Ãrrã, vai sim, fofo. Exatamente.

Cátia: Ele era muito de adrenalina.

Cássia: Ele nunca quis casar e resolveu quando teve um momento incrível com essa mulher. Isso não é amor. Bem, pelo menos foi como eu vi a situação, né.

Laís: Acho que ele aproveitou esse momento porque se contrapunha a toda a apatia que ele sentia por tanta coisa…

Cássia: Então, casou para não ter apatia e era impossível não ter.

Alex: Bem, é que ele era pessoa que se via (e aparentava) não conseguir ter sentimentos.

Laís: Uma chance de se conectar a algum universo exterior a ele mesmo.

Cátia: Interessante.

Alex: Acho que ele era meio Dexter… rs.

Laís: Hahahaha.

Cássia: Hahahaha! Fora a psicopatia, tem razão.

Cátia: Eu tenho que ver mesmo o Dexter.

Alex: Exatamente nesse sentido de ter uma dificuldade de conexão, rs. Até o gosto por sangue… rs.

Cássia: Opa, não viu ainda, Cátia? VEJA!

Cátia: Não, acredita?

Cássia: É sensacional. Angustiante, mas sensacional. Esse gosto por sangue foi me dando uma agonia…

Cátia: Acho que está a fazer falta na minha cultura de séries.

Laís: Vocês acham que o nome que ele deu para a filha tem algo a ver com a Naiara?

Cássia: Acho.

Cátia: Eu achei muuuuuuito coincidência.

Alex: Completamente. rs.

Cátia: Até a Naiara achou.

Alex: Isso mesmo. rs.

Cássia: E no que a Naiara se transformou, hein?!

Cátia: Eu cheguei a conclusão que ele era um prisioneiro do seu próprio passado.

Laís: Mas por que ele fez isso?

Cátia: Porque ela foi a mulher dele, apesar de tudo.

Cássia: Não sei… Acho que ele quis cuidar da Naiara e não conseguiu. Ele fala dela de um jeito paternal, mesmo na adolescência.

Cátia: Apesar de não ter sido mas poderia ter sido.

Cássia: Ele não conseguia vê-la como mulher.

Alex: Como se trata de tentar fazer o que não tinha feito, é como se desse a ela a vida que ele se sentia incapaz de dar. Ele queria amá-la mas não conseguia.

Cássia: Quando eles estão no quarto, ele mesmo ficava “mulher, mulher, mulher”. Exatamente. A filha era a única que ele amava.

Cátia: A tragédia os separou.

Laís: Por isso que eu gosto de discutir com vocês; vocês abrem portas de percepção. Não acho que a tragédia os tenha separado, ele mesmo os separou.

Cássia: Depois daquela tragédia, era natural ele ficar longe de todos. Eu também ficaria.

Cátia: Sim. Achei muito triste.

Alex: Eu acho que o que aconteceu com Bonobo (que nome!…rs) não interferiu na história dele com a Naiara.

Cátia: Não a separação, mas surra do Bonobo.

Laís: Fiquei me perguntando se o garoto que ele ajudou não poderia ser o filho do Pedreiro.

Cássia: Eu só lembrava dos macacos bonobos.

Cátia: Não achas?

Laís: Concordo, Alex.

Cátia: Nossa, que boa lembrança, Laís!

Alex: A história com ela foi mais uma, além da covardia no caso da morte do irmão dela, daquelas que ele precisava revisitar no presente.

Cássia: Não pensei nisso, mas pela idade, poderia ser.

Alex: É por isso que fico com a forte impressão sobre a questão da segunda chance.

Cássia: Só eu não vi segunda chance?

Cátia: Eu vi expiação e não segunda chance.

Cássia: É, acho que está mias para isso, resolver um trauma do passado para seguir adiante.

Cátia: Sim, mas mesmo aí.

Laís: Sim.

Cátia: Foi meio amargo.

Alex: Mas segunda chance não é voltar ao passado e refazer algo que deixou de fazer?

Laís: Acho que toda expiação, ou mesmo segunda chance, é meio amarga.

Cássia: Foi estranho. Ele com aquela machadinha que tem outro nome, atacando os meninos, não sei…

Cátia: Ele saiu de perto da Naiara e foi meio assim “adeus e até nunca”.

Cássia: Não, Alex.

Laís: Porque antes disso passa-se por um monte de coisas, um monte de pesadelos.

Cátia: Sim, é verdade, Laís. Sim.

Cássia: Segunda chance seria se ele pudesse salvar o Bonobo.

Cátia: Mas a expiação deveria ser um primeiro passo para um ressurgimento.

Laís: Não concordo, Cássia.

Cássia: Não sei, acho que a gente nunca é uma coisa só.

Cátia: E faltou um pouco isso, ou é em aberto para nós sonharmos.

Alex: Hum… Acho que a segunda chance não é salvar o Bonobo, mas sim não se acovardar naquele tipo de situação.

Cássia: Acho que ele era uma soma de coisas e a sua atitude na vida adulta não era apenas por conta do Bonobo.

Laís: Às vezes segunda chance é só você conseguir seguir; não consertar o que está feito, mas não cometer as mesmas bobagens.

Cássia: Queridos, respeito a opinião de vocês, mas para mim segunda chance é outra coisa. Seguir adiante não é segunda chance, é seguir, apesar do que aconteceu.

Alex: Era o tal de não desperdiçar novamente a chance de ser “herói” como o trecho que a Laís destacou.

Cátia: Agora estou confusa.

Cássia: Para mim, a questão ali não era apenas ser herói, era salvar alguém da morte.

Laís: A gente pode até discordar do modo, dele chegando lá e detonando os adolescentes.

Cássia: O Bonobo era aquilo que ele queria ser.

Laís: Mas não se pode negar que foi uma mudança de atitude.

Cássia: Não acho que tenha sido, Laís. Sinceramente. Até porque, não vemos como foi a vida dele depois disso, ele parou na Naiara e fim. Ele continuou médico? Continuou casado? Continuou escalando? Continuou amigo do Renan? Continuou apático?

Cátia: Ppois, ficou em aberto.

Cássia: Continuou buscando coisas para sentir dor? Se continuou, não mudou a atitude, só expiou o passado. Tirou a culpa dos próprios ombros, só isso.

Cátia: Sim.

Laís: Aí cada leitor pensa o que quiser e o que couber.

Cássia: Ele não fez para salvar o garoto, ele fez para si mesmo.

Cátia: Eu concordo com isso. Mas não posso negar que ele tinha um lado que gostava de aparentar ser um herói, gostava de aparecer.

Laís: Tinha mesmo.

Cássia: Isso sim. E achei tão estranho ele ser “ooooo” cara aos 30 anos de idade.

Laís: Desde o ciclista urbano, rs.

Cátia: Se foi uma expiação, temos um personagem empenhado em melhorar.

Cássia: Ninguém é cirurgião plástico renomado aos 30 anos de idade.

Alex: Nisso concordo, a questão não era salvar ninguém sim uma segunda chance dele conseguir uma conexão com o mundo.

Cátia: Se foi para aparecer, temos um personagem mergulhado no seu próprio egoísmo.

Cássia: Mas ele era egoísta.

Laís: Acho que tinha um pouco das duas coisas.

Cássia: E vocês podem me bater, mas não acho que ele queria melhorar. Sabe o que pareceu? Desculpem o vocabulário, mas… Quando a gente já está até a tampa e dá um foda-se no mundo.

Cátia: Sim, concordo, Cássia.

Cássia: Foi o que ele fez com a mulher e o Renan: “Fodam-se vocês e me deixem em paz”.

Cátia: Sim. Eu tendo a romantizar.

Cássia: E foi uma das partes que mais gostei do livro.

Cátia: Mas foi isso.

Cássia: Ele falando na “cara” do amigo: “Você fala demais!”

Cátia: lol. Renan você é o mala. lol

Cássia: Exatamente.

Alex: Você dar um foda-se para o mundo é uma demonstração de que ele poderia estar saindo da letargia emocional.

Cássia: Não suporto mais você. Todo mundo tem seu momento que enche a tampa, mas nem sempre surta.

Laís: Concordo de novo, Alex.

Cássia: Ele estava no momento propício de surtar.

Cátia: Sabem, num contexto diferente isto me lembra o perfume. Será que ele era apático ou ele tão egoísta que não estava nem aí para ninguém?

Alex: Acho que você sair de alguém que o talento para se conectar com as pessoas era se machucar para alguém que expressa seus sentimentos e toma uma atitude mais proativa (ainda que não tenha grandes resultados) é uma mudança considerável.

Cássia: Boa, Cátia! Para pensar…

Alex: Acho que apático.

Laís: Concordo de novo, Alex.

Cátia: Porque em algumas situações impressionava-me a insensibilidade dele.

Cássia: Para mim, ele continua sendo um rapaz egoísta que teve um surto momentâneo e que, se o livro continuasse, teria a mesma vida de antes.

Laís: Não há como saber isso.

Cássia: Não há como saber o que, Laís?

Cátia: Ele roçava a indiferença.

Laís: Se ele continuaria sendo um egoísta ou se de fato mudou alguma coisa.

Cássia: Claro, né, Laís? Hehehe. O livro parou, sei que não é possível.

Alex: Bem, não sei o que pensar. A não ser que adotemos um parâmetro do que é ser apático e do que é ser egoísta, daí fica mais fácil saber em qual dos dois penso que ele se encaixa, rs.

Cássia: Estou falando o que, na minha visão, aconteceria. Acho que cada qual o enxergará com seus próprios olhos.

Laís: Sim, Cássia.

Cátia: Eu acho que ele voltaria, continuaria com a mulher e teria outro surto daqui uns tempos.

Cássia: Eu não consigo vê-lo como alguém que deu uma guinada na vida. Vocês, sim. E se batermos nessa tecla, ficaremos aqui até amanhã.

Laís: Sobre apatia e egoísmo, não estariam as duas coisas bem próximas?

Cátia: Nem sempre, Laís.

Cássia: Há pessoas apáticas que são altruístas e pessoas “vivas” que são absolutamente egoístas.

Alex: Não uma guinada, mas uma mudança. E ele tinha um dilema e isso não é o mesmo do que um problema porque para se resolver um dilema você tem que mudar de percepção. Acho que isso ele fez. Agora, se isso trará grandes consequências à sua vida no futuro não sei e acho que nem o autor também… rs.

Cátia: Em nenhum momento do livro eu pensei nele como alguém apático.

Cássia: Qual era o seu dilema? Eu via um grande trauma ali, não um dilema.

Cátia: Eu vi um remorso.

Alex: Como uma pessoa solitária e renegada pode se conectar com o mundo?

Cássia: Saindo para o mundo é um começo.

Cátia: Renegada? Em que sentido?

Alex: Bem, mas só sair não irá resolver a não ser que haja uma mudança de percepção em algum nível.

Cássia: Mais ou menos. É fácil ser solitário quem vive no próprio mundo. E muitos renegados, na verdade, renegam as pessoas.

Alex: Boa pergunta. Talvez renegado não seja um termo muito apropriado… rs.

Cássia: Tem muito solitário que “odeia a humanidade”.

Alex: Talvez renegante? Existe isso? rs

Cássia: Ah, neologismo, vai, hehehe.

Cátia: Talvez exista.

Laís: Mas não dá para entender.

Cátia: Mas não entendo, renegado.

Cássia: Renegante não existe, o Houaiss me contou.

Laís: Solitário ele sempre foi, desde a infância; mas a gente não sabe o motivo.

Cátia: Ele se sentiria colocado de lado?

Alex: Ou ele se colocava de lado? O renegante seria nesse sentido

Laís: Aí é que está.

Cátia: Renegante, então.

Cássia: Acho que ele se colocava de lado.

Cátia: Então.

Cássia: Ele se sentia deslocado ali.

Cátia: Concordo com o renegante.

Cássia: Porque a galera gostava dele.

Cátia: Sim.

Laís: Concordo com o renegante também.

Cátia: Sim, é verdade.

Cássia: Ele não era o Morsa.

Cátia: Verdade. lllloooollllll. Ai, o Morsa.

Alex: Tenho um nanoconto em que o título “O Renegante”cairia muito bem… rs.

Cátia: Eu gostei do Morsa, tadinho.

Cássia: Também gostei do Morsa. Aí, Alex, já tem o título! hehehe.

Cátia: Todo mundo interessado só no game dele.

Cássia: Coitado.

Laís: Esse era renegado.

Cátia: Esse era.

Cássia: E todo mundo doido para fugir dali. E ainda mostra que ele teve uma vida típica de “a revanche do nerd”.

Cátia: Gente, adorei isso do renegado/renegante.

Cássia: Renegante é quem renega, certo?

Cátia: Acho que o teu conto vai fazer sucesso com esse título, Alex.

Alex: E já tenho o nanoconto, rs. Desculpem eventuais erros de concordância, etc: O Renegante – Viveu vários momentos felizes, não se deixou contaminar por qualquer deles.

Cátia: Sim.

Cássia: A palavra “correta” é renegador, segundo o Houaiss.

Cátia: Ihhhhhh.

Cássia: Lembra regador.

Cátia: Não soa tão bem.

Alex: Ah, deixa eu ter meu momento Guimarães Rosa vai… rs.

Cátia: Gosto mais do renegante.

Laís: Renegante é mais legal. E gostei do nano, Alex.

Cátia: Lembra navegante.

Cássia: “Renegador. Datação. 1785 cf. Catec. Acepções. Adjetivo e substantivo masculino: que ou aquele que renega.” Ah, claro, Alex.

Cátia: Alguém que vagueia no mundo da sua própria maneira.

Cássia: Se joga no neologismo e vai! hehehe.

Cátia: Hahahaha.

Cássia: Mas o mal de revisora foi descobrir no dicionário se existe, se tem sinônimo, essas coisas, hehehe.

Cátia: Hahahahahahaha.

Alex: Eu faria a mesma coisa, Cássia, é que meu mouse pifou e não dá para ficar saindo da janela do MSN e ficar navegando na internet, rs.

Cássia: Ah, saquei! hehehe.

Cátia: E o que dizer dos escritores que inventam palavras, tipo Mia Couto?

Cássia: Sinceramente?

Alex: Nossa, esse é campeão também… rs.

Cássia: Quanto melhor o autor, mais propriedade ele tem para inventar palavras.

Cátia: Pois é…

Cássia: Tem de ter propriedade.

Cátia: Isso também é verdade, não é para qualquer um.

Alex: Concordo.

Cássia: Exatamente. Tem uns livros ruins, textos ruins, umas coisas nada a ver e o autor “Ah, mas Guimarães criou, Mia criou, Saramago criou”. Filho, depois que você escrever algo semelhante a “Grande sertão: veredas” volta aqui e a gente conversa.

Cátia: Saramago é mais a pontuação e construção frásica.

Cássia: Sim, mas tem quem queira imitá-lo. aliás, imitam muito mais isso que os neologismos.

Cátia: Simmmmmmmm e como tem.

Cássia: Ele pode fazer essas coisas…

Cátia: Diz, Laís.

Laís: Uma dica: se tiverem a oportunidade de ler “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, do Marçal Aquino, não percam. Fecha parênteses.

Cátia: Ouço falar muito bem dessa história.

Alex: Opa, dica anotada.

Cátia: Depois, eu fiquei sem saber. Vocês gostaram do livro?

Cássia: O título é incrível, mas nunca li. No fim das contas, eu gostei.

Alex: Eu também gostei.

Cássia: Do meio para o final, eu comecei a gostar do livro.

Laís: Gostei mais depois dessa discussão. Me fez ver coisas que eu não tinha visto e dar uma importância maior aos acontecimentos.

Cássia: E daí dei crédito ao autor.

Alex: E emendando com outra pergunta: Vocês leriam outras obras do autor?

Cássia: Não que ele precise do meu crédito, hehehe! Mas não botava fé.

Cátia: Eu leria.

Cássia: Leria.

Cátia: Eu não botava fé, or causa do título.

Cássia: Essa pergunta é boa daqui para frente em todos os livros, se a gente leria outro livro do autor.

Laís: Leria, mas sem aquela expectativa absurda. Mas não colocaria na frente da minha fila não, o livro teria de esperar a sua vez.

Cátia: Mas eu comecei a ler, e parecei difícil, muito pormenorizado.

Alex: Eu também e essa resposta vale para os anteriores. Com exceção do autor d’O Perfurme, mas daria uma nova chance a ele (talvez).

Cátia: Depois eu fiquei tão fascinada. Esse nããããããoooooo.

Cássia: O autor de o Perfume, eu passo a vez para sempre.

Laís: Também.

Cássia: Eu leria outro do (qual o nome dele mesmo?)

Cátia: Eu nunca mais leria nada do autor de o Perfume e não recomendo. Perdoe-me, Teeh.

Cássia: Ai, meu Deus, do Cemitério de pianos, fugiu o nome!

Cátia: José Luís Peixoto.

Cássia: Isso! Dele eu leria.

Laís: Desse eu leria tudo e mais um pouco.

Cássia: Do Daniel Galera eu leria.

Cátia: Eu também e vou procurar mais coisas dele, gostei. Acho que foi o primeiro livro que eu li que achei totalmente masculino.

Cássia: Procurar mesmo eu não sei se vou, hehehe.

Cátia: E achei isso muito interessante.

Cássia: Leia “Corpo presente”.

Alex: Não sei vocês, mas adoro descobrir novos autores e saber que ainda tem coisas dele para ler… rs.

Cátia: Sim!

Laís: Eu sei que vou procurar mais coisas do José.

Cátia: O que a Laís recomendou eu já tenho aqui e já tenho o outro no olho.

Cássia: Eu confesso: sou reticente com novos autores.

Alex: Eu esqueci qual é o próximo… rs.

Laís: Nem começa.

Cátia: A estrada.

Laís: Eu vou ser uma nova autora e você vai ter que me ler, hahahahaha.

Cátia: Hahahahahaha.

Cássia: A estrada, Cormac MCCarthy. Sou reticente mesmo, ué, hehehe.

Laís: Mãos de cavalo pode não ter sido o melhor livro que já li para o clube, mas acho que esta foi a melhor discussão que tivemos. Foi bem produtiva.

Cátia: É verdade, porque eu acho que foi o livro com o personagem mais complexo.

Alex: Eu também achei a discussão muito elucidativa.

Cátia: E foi o livro mais desafiante para mim.

Alex: Eu achei um livro que a construção do personagem durante a narrativa foi muito bem construída.

Laís: Lembram que a Naiara disse que homens cegos a excitavam? Achei aquilo muito engraçado.

Cássia: Hehehe.

Cátia: Sim! A questão do tacto, talvez, ou um lado dela maternal.

Alex: Eu pensei o mesmo… rs.

Cátia: Não sei, eu achei ela muito maternal.

Cássia: Eu só pensava que ela era uma garota muito precoce.

Laís: Não sei…

Cássia: Para se excitar com Spectromen aos quatro anos de idade.

Cátia: Maternal no sentido de guiar, de ser uma guia. lollololololololloololol

Cássia: Mas maternal e excitação não são opostos?

Cátia: Eu só pensei.

Laís: Interpretação interessante.

Cátia: “Quem é o Spectromen?”

Alex: Segundo Freud e seu Complexo de Édipo, não… rs.

Cássia: Mas em Complexo de Édipo é outra coisa, é a fixação pela mãe ao vê-la como mulher, não pelo lado maternal da mãe, hehehe.

Cátia: Laís, eu achava que ela guiava mas não manipulava, entendes?

Laís: Claro, não manipulava nunca.

Cátia: Sim.

Laís: Tanto que perdeu o que mais queria.

Cátia: Quando ela o levou para o quarto, ela o guiou em todo o momento e todas as vezes que ela estava presente ela tinha assim uma presença marcadamente de observação e de condução, eu não sei explicar bem…

Alex: Então se a história seguisse a jornada mítica do herói ela seria uma espécie de mentor? Ou um aliado?

Laís: Está mais pra aliado, acho.

Cátia: Ela seria talvez uma conselheira… será isso ser mentor?

Laís: Sim.

Alex: No sentido proposto por Campbell, sim o mentor é um conselheiro.

Cátia: Mas a verdade é que ela era também uma aliada dela.

Alex: Ou quem apresenta o desafio e impulsiona o herói a iniciar sua jornada.

Cátia: Eita livro complexo!

Laís: Muito mais do que eu poderia imaginar.

Cátia: É verdade!

Laís: Ganhou vários pontos comigo.

Cátia: Para mim, foi o livro até agora. Na dianteira com O amor nos tempos de cólera.

Alex: Nossa… superou o do Peixoto que você gostou tanto?

Cátia: [carinha sorridente]

Cássia: Gente, só eu não vejo tanta complexidade e grandeza nesse livro? Eu acho que sou o ponto anormal no Clube de Leitura, sério.

Cátia: LLLLLLLLLOOOOOOOOLLLLLL. Ora bem…

Cássia: Estou me sentindo o Hermano.

Cátia: o Peixoto está lá em cima elevado.

Cássia: Vou lá estudar para o vestibular de Medicina.

Cátia: Acima dos céus. Hahahahaha. lololololololol

Alex: Agora ficou complexo: nós nos identificamos com a obra e você com o protagonista? rs

Cássia: Eu não me identifiquei com ninguém…

Cátia: lololololololololol

Cássia: E, para mim, o Hermano é só um garoto que passou por experiências na vida. Está longe de ser complexo ou de o analisarmos sob o ponto de vista da jornada do herói. Maaaaas, é o meu ponto de vista.

Alex: Eu sei que não se identificou… Eu só brinquei porque você disse que se sentiu como o Hermano, rs.

Cássia: Vocês veem de outra forma e só estou aqui copiando e colando no arquivo [que depois é publicado no blog]. Ah, foi porque dissemos que ele era excluído, ou se sentia de lado, hehehe.

Cátia: Eu achei desafiante a escrita, a forma de construção do livro.

Alex: E eu a construção do personagem e narrativa… rs.

Cátia: E o protagonista meio que indecifrável porque no fundo é tudo muito complexo e isso parece-me muito real.

Laís: Mais indecifrável para as mulheres, talvez (????????????????).

Cátia: Hahahahaha.

Alex: Eu me abstenho de comentar nesse ponto… rs.

Cássia: Ele não foi indecifrável para mim. Ou porque eu sempre tive mais amigos na infância.

Cátia: Não desce a rua na Caloi, Cássia!

Laís: Por isso eu disse talvez.

Cássia: Digo, mais amigos que amigas, eu achava os meninos mais legais. Ainda acho, na verdade.

Cátia: Você não fez colecção de papel de carta? LOL

Cássia: Fiz… E o que que tem a ver? Hehehe. Eu não agia como menino, eu só era amiga dos meninos, hehehe.

Cátia: EU FIZ TAMBÉM. Ainda tenho. Gente, que vergonha, eu ainda tenho.

Laís: Não se envergonhe não.

Cátia: Eu não era muito. Na realidade, eu não tinha mais amigos de um lado ou de outro.

Cássia: As meninas me excluíam na escola, hehehe.

Cátia: Sempre me dei bem com todos mas sem ser aquele elemento popular. Ohhhhhhhhhhhhhhhh. Eu seria sua amiga

Cássia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Abraço coletivo, gente.

Cátia: Eu dividiria a minha merenda contigo! Weeeeeeeeeeeeeee.

Cássia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhh.

Cátia: Hehehehhe.

Cássia: Também vou dividir minha merenda com você, amiga.

Cátia: Bem, íamos concluir mesmo?

Cássia: Fechamos o ano com chave de ouro. Livro bacana, discussão bacana.

Cátia: É verdade.

[Depois de longas trocas de feliz Natal e Ano-Novo…]

Alex: Abraços e nos encontramos na estrada… rs.

Cássia: É mesmo, vamos começar 2012, ano em que dizem que o mundo vai acabar, com um livro apocalíptico.

Cátia: Wow!

Cássia: Ai, que Deus nos proteja, hahahaha.

Alex: Presságio?! Nos vemos na próxima temporada do Clube.