Livro 12: A estrada
O encontro aconteceu dia 19 de fevereiro com participação de Cássia, Cátia, Nina e Teeh. A nossa discussão, editada, vem a seguir.
Cátia: Terminei há uma hora o livro. Gente que pancada de livro.
Cássia: Eu não gostei.
Teeh: 2.
Cátia: Do livro?
Cássia: Isso. Nem do livro, nem do filme.
Cátia: O filme eu não vi.
Cássia: Maniqueísta até a tampa.
Cátia: Eu gostei do livro, gostei muito mesmo.
Teeh: Eu comecei o livro assustada, atrasada e com medo de bibliotecárias gritalhonas, dai pensei que fosse por isso que não estava curtindo.
Cássia: Li o livro por obrigação, hehehe, por conta do clube. Comecei, pensei que o estilo que não me agradou. Mas… não foi.
Cátia: Então o que não te agradou, Cássia?
Cássia: O estilo não me agradou, mas entendo que é coisa minha. O que me incomodou foi o maniqueísmo, o autor dividiu as pessoas entre “bons e maus”. O menino falando que eles eram os bons porque o pai ensinou isso, e os outros eram os maus… Como isso me incomodou!
Cátia: Eu encarei isso como uma forma de defender o filho, porque no fim das contas, numa situação daqueles isso deixa de fazer sentido, o ser bom ou mau.
Cássia: Mais ou menos… Para ele, todos eram maus.
Cátia: Acho que ele tinha consciência de que não ia sobreviver ao filho e queria que ele estivesse preparado para isso.
Cássia: Preparado para a solidão? Se o filho não tivesse bondade dentro dele, não teria ido com o casal no final.
Cátia: Preparado para sobreviver. Olha, essa parte final é que não fez sentido para mim.
Cássia: Então, mas se preparar para sobreviver não significa negar ajuda. Eu entendo, mesmo!, que era uma situação adversa, mas talvez por gostar tanto de “Ensaio sobre a cegueira”, vejo que há nuances de comportamento em uma situação limite. Tem aquele que mata para comer, aquele que divide o pedaço de pão, aquele que come sozinho por medo, sabe assim?
Cátia: Sim, eu entendo o que queres dizer.
Cássia: Mas daí, gostei da parte em que o pai tira tudo daquele homem que roubou as coisa dele porque mostra que, na verdade, o que é a maldade? O pai deixou o outro nu, no frio, para se vingar. Como ele pode dizer que só os outros são maus?
Cátia: Eu não encarei como vingança, eu achei que ele fez aquilo para não ser seguido.
Cássia: Mesmo assim, foi de uma maldade sem tamanho.
Teeh: Concordo, eu fiquei me sentindo mal.
Cássia: Eu também.
Teeh: No filme também, por causa que é o Robert Duvall, rs.
Cátia: Sim, foi.
Cássia: O menino disse bem, que o cara só roubou porque também sente fome.
Cátia: A sério? Adoro o Robert Duvall.
Cássia: Mas não é o senhor, é aquele outro, que roubou o carrinho.
Teeh: Sério.
Cátia: Certo que o pai foi cruel, mas o que roubou o carrinho também roubou tudo sem piedade, sabendo que eles também não sobreviveriam a isso.
Cássia: E isso justifica tirar tudo também, sem piedade?
Teeh: Eu só sei de uma coisa: que mundo horroroso.
Cátia: Não, não justifica.
Cássia: Aí entramos no olho por olho, dente por dente. Mas ele recuperou suas coisas, pegue e siga. Precisa tirar o que é do outro só porque o outro tirou?
Cátia: Mas é daquelas situações em que ninguém está impune.
Cássia: Não importa… Se o pai divide o mundo entre bons e maus, não enxergou que também há maldade em nós em situações assim. Porque “maus” são sempre os outros, nós sempre somos os bons da história.
Cátia: Eu entendo o que dizes, Cássia, sério, mas penso que o pai estava absolutamente obcecado com a sobrevivência do filho.
Cássia: Sim, sim… mas não da melhor maneira, eu acho.
Teeh: Mas não acho que é justificável salvar uma vida condenando outra…
Cássia: Concordo.
Cátia: Também concordo.
Cássia: Senão vira realmente terra de ninguém.
Cátia: Mas o que me intrigou realmente é que não sabemos como tudo aconteceu, vocês pensaram nisso?
Cássia: Como assim? Como tudo desapareceu?
Cátia: Só vemos descrição de destruição e miséria mas não me lembro de ler algo que dissesse como tudo ficou assim. Enquanto lia, esperava ver algo que dissesse e nada. Isso me frustrou.
Cássia: No filme, ele está com a mulher dele na casa dos dois e tem um clarão. E só.
Cátia: Tipo desastre nuclear? Mas aí não sobraria nada.
Cássia: Não, não, era clarão de fogo mesmo. Ó, li no Twitter [da Cátia]: “Este livro, “A Estrada”, caiu em mim de uma forma inexplicável.” Conta pra gente.
Teeh: Vish.
Cátia: Esta semana foi uma semana difícil e neste livro tem assim reflexões que me atingiram um pouco. Cada diálogo entre pai e filho termina com uma espécie de conclusão, vocês deram conta disso? Então teve muitos momentos que me tocaram. Eles falavam muito sobre esquecimento, sobre não desistir.
Cássia: É verdade…
Cátia: Achei interessante um momento em que ele disse ao filho para ele não ter bons sonhos e coloridos que isso seria um sinal de desistência.
Cássia: Achei isso tão triste.
Cátia: Achei isto de uma complexidade… nem imaginam, teve um impacto tão grande em mim.
Teeh: É, foda…
Cátia: E depois, fico sempre frustrada quando vejo um pai a fazer tudo por um filho, mesmo com defeitos, mesmo sendo um pai de valores distorcidos.
Cássia: Isso do pai fazer o que tiver de fazer por um filho… O pai era um pessimista, mas dá para entender. Ele sempre esperava o pior, sempre.
Cátia: Mas o engraçado é que ele dizia para o filho que não ia ser pior, não iam encontrar ninguém e tal. O filho era mais realista do que o pai.
Cássia: Além de realista, acho que o filho tinha aquele lampejo de esperança, de que há alguma beleza mesmo na pior das situações.
Cátia: Com certeza!
Teeh: Bem coisa de criança. Toda criança tem isso em si.
Cássia: Exatamente, bem coisa de criança, e a grande questão é o quanto perdemos isso.
Cátia: Todo o livro é uma metáfora, não acharam? Sim, esta é a questão, Cássia, perder esse lampejo.
Cássia: Metáfora sobre?
Cátia: Há uma estrada, um objectivo a alcançar, um caminho a seguir, obstáculos, opções que se tem de tomar.
Cássia: Eu pensei muito naquela coisa do “não importa quão árido é o caminho, tem o arco-íris lá no final”, como se toda e qualquer dor fosse justificada pelo final.
Cátia: Sim. Por isso, fiquei meio frustrada com o final. Eu espero algo assim meio revelação, dele alcançar algum lugar totalmente diferente.
Cássia: Aí que está: a revelação não existe. Você assistiu ao “Mágico de Oz”?
Cátia: Sim, dear Dorothy!
Cássia: No final, é aquela coisa, não tem mágico.
Teeh: Owwwn, o mágico de Oz!
Cássia: Foi o primeiro filme que vi na vida.
Teeh: Sério?
Cátia: Sério?
Cássia: Acho que faz parte do meu caráter, hehehe.
Teeh: Eu passei quase um ano pedindo um Munchkin para meus pais, HAHAHAHAHAHA. Eu tenho! rs
Cássia: Sério, foi o primeiro que vi na vida. Eu tinha cinco anos e lembro até hoje.
Teeh: Que lindo! *–*
Cátia: Nossa, lindo mesmo!
Cássia: Mas, enfim, acho que moldou [o meu caráter] por isso: não tinha “o” mágico salvador, a solução estava na própria Dorothy e em cada um deles. Acho que a gente tem muito isso, de sofrer pela estrada, de aguentar tudo porque acha que terá a recompensa sublime e, chega lá, a solução está com a gente.
Cátia: Não sei, há coisas que nos ultrapassam completamente.
Cássia: Isso, sem dúvida. Mas se nos ultrapassam, não estão em nossas mãos. A gente só é responsável pelo que nos compete.
Cátia: Mas também sofremos pelo que não nos compete.
Cássia: Aí que tá… Adianta sofrer por isso? A gente quer controlar tudo. No livro, o pai tinha muito isso, ele queria controlar o que não tinha controle.
Cátia: Sim.
Cássia: E o menino era mais o “ó, isso não dá para controlar”. Quando somos criança, temos muito mais essa consciência. Adultos, achamos que o mundo está na palma da nossa mão.
Teeh: É por que quando somos crianças não controlamos NADA, mas crescendo ganhamos responsabilidades, assumimos o controle de algumas coisas, e o poder vicia.
Cássia: Algumas [coisas].
Cátia: Estou aqui a pensar…
Cássia: O poder vicia mesmo, em todas as instâncias. Eis o grande problema!
Cátia: Nem sempre o controle tem a ver com poder.
Cássia: É, também acho.
Cátia: Por vezes, queremos o controle para que as circunstâncias alcancem um fim harmonioso. Era o que o pai queria para o filho, que aquela catástrofe não o destruísse.
Cássia: Sim, claro… mas a grande questão é que não podemos controlar. E não aproveitamos muito coisa por nossa total incapacidade de entender isso.
Cátia: E quando entendemos e não conseguimos viver de outra maneira?
Cássia: Então não entendeu.
Cátia: …morremos à beira da estrada.
Cássia: Ainda queremos ter um controle que não nos pertence. Vamos todos morrer à beira da estrada, no fim das contas. Quem aproveitou o percurso, terá vivido bem melhor.
Cátia: É oficial, este livro me deprimiu imensamente.
Cássia: É, estou sentindo isso… =/
Teeh: : C
Cátia: Vou ter de ver uns 500 filmes para esquecer as imagens e sensações que ele me despertou.
Cássia: Tipo, nossa discussão tá bem depressiva, hehehe.
Cátia: É… Acho que é a primeira que está assim.
Cássia: Assista a um filme que mostre a humanidade feliz. Indica um, Teeh.
Cátia: Nossa, culpa minha!!
Cássia: Culpa sua nada, imagina.
Cátia: Gente vamos escolher só romances açucarados agora para ler!
Cássia: Vamooooos.
Cátia: Beeeeeeeeeeeeemmmmmmmm românticos, de chorar o livro todo com o amor lindo dos protagonistas.
Cássia: Era o clube na sua primeira fase, hehehe. Só Jane.
Teeh: Só por que eu ia indicar um livro dramático. U_U* UASAHUSAUSAHUSAHUSHUS
Cátia: Hehehehehehehehe, outro, Teeh!!!
Cássia: A Nina chegou!
[Nina está na conversa.]
Cátia: Obaaaa! Oiiii, Nina!
Nina: Oi, gente, me perdoem. A conexão aqui é ruim.
Cássia: Sem angústias, nada de sofrimento, hehehe.
Cátia: Já basta o livro traumático.
Cássia: A gente falou pouco sobre o livro. A Cátia está deprê por ele.
Nina: Sério?
Teeh: Seríssimo, rs.
Cássia: É, estamos num bode, aff.
Cátia: Isso, queremos te ouvir.
Nina: Ai gente, eu sei que ele é triste. Também fiquei meio deprê quando terminei.
Teeh: Hahahaha. Fod*u.
Cássia: Gente, só eu que não fiquei? Estou me sentindo fria e insensível, hehehe.
Cátia: lol
Nina: Mas já era de se esperar o final, né?
Cássia: Vai, Nina, fale sobre o livro, senão essa discussão não engata hoje.
Nina: Cássia, diga como se sentiu… Você disse que se sentiu diferente.
Cássia: Eu não gostei do livro, não me envolvi com a história. Não senti pena, tristeza, nem torci pelos dois. E, como falei para elas, achei maniqueísta.
Nina: Eu não torci pelos dois também, mas porque meio que sentia que não tinha jeito, mas consegui me envolver com a história…
Cássia: Então, esse foi meu problema: eu não consegui. Não “comprei” o drama deles.
Nina: Entendi.
Cátia: Eu me envolvi demais.
Nina: E sofreu, né?
Cátia: Nossa…!
Teeh: Eu já tinha visto o filme, então sabia o que ia acontecer, mas… também não entrei na deles.
Cássia: A Cátia está sofrendo ainda.
Cátia: Eu costumo ver os filmes dos livros, mas acreditem, eu acho que não vou querer ver esse não.
Cássia: Depois de “Ensaio sobre a cegueira”, só “The Walking Dead” me fez comprar uma história assim.
Nina: Eu sofri porque na medida que ia avançando, eu percebia que não tinha mais esperança pra eles.
Cátia: Eu tenho a série aqui e ainda não vi, sinto que não estou preparada.
Cássia: Então não veja, Cátia.
Teeh: Poxa, é um bom filme sabe, Cátia? O visual dele é, desculpem a expressão, de foder.
Nina: É, “The Walkind Dead” é totalmente “comprável”, kkkkkkkkkk.
Teeh: TWD é A série.
Cássia: Você fica com medo de entrar um zumbi na sua casa. Você acredita que o mundo está daquele jeito.
Cátia: Sério, não consigo ver coisas assim actualmente, só coisas cor de rosa.
Teeh: Cara, se o apocalipse zumbi acontecer, quero que seja daquele jeito.
Cátia: Eu vi o “Melancolia” e fiquei de rastos.
Teeh: Antes eu queria que fosse tipo “Resident Evil”, mas agora não. MELANCOLIA
Nina: Nossa, eu ainda não vi “Melancolia”. Preferi esperar um pouco.
Cátia: Aquele filme acabou comigo.
Cássia: Ainda não vi “Melancolia”.
Teeh: Eu chorei que nem desgraçada em “Melancolia”, amei aquele filme de uma maneira tão profunda que nem eu consigo compreender.
Cátia: Gente, é qualquer coisa. O filme é tão tão tão… A meio eu já estava sem entender nada e entendendo tudo.
Teeh: Melancolia é a metáfora da depressão. E para quem já esteve deprimido de verdade, ele cai que nem uma bomba no seu emocional, mas de uma maneira boa, HAHAHAHAHHA.
Cátia: Sim, Teeh.
Teeh: Eu escrevi a crítica, fica a dica. HAHAHA.
Nina: Teeh, meu marido é um especialista em zumbis. Ele já viu 3456.7643.8577 vezes TUDO quanto é filme de zumbis. Conhece tudo e ele sempre disse que “Resident Evil” não é uma boa história zumbi, aquela história de zumbi mutante não combina, hehehehe.
Cátia: Olha, Cássia, o “Melancolia” tem assim um gosto tão estranho na boca, tão diferente, tão…
Teeh: Gosto de cinzas (interna para quem assistiu).
Nina: Cássia, você achou o livro maniqueísta?
Cássia: Achei sim, Nina.
Nina: Por quê?
Cássia: Porque, Nina, fica a coisa dos “homens bons” e “homens maus”.
Nina: Ah, tá! Tipo, bem diferente de TWD, onde todo mundo é um pouco bom e um pouco mau, né?
Cássia: Isso… até de “Ensaio sobre a cegueira” que tem várias nuances.
Nina: E acho que você tem razão.
Cássia: Nesse, ou você prende gente no porão para comer ou vai morrer de fome, não tem a nuance.
Teeh: haushauhsuhaush. Kinda Book of Eli
Nina: Como diria o querido-love-you-Grissom: ninguém é 100% inocente!!!
Cássia: Exaaaatamente. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau.
Cátia: E que momento foi aquele da cave?
Cássia: Ainda mais em uma situação limite.
Nina: Aquele lugar que tinha tudo?
Cátia: Não, o primeiro.
Cássia: Vocês conhecem aquela história da queda do avião no Chile, há mil anos?
Cátia: Não, Cássia.
Nina: Que o povo se comeu?
Cássia: Exatamente. Aconteceu o seguinte, Cátia: um avião caiu no Chile, na Cordilheira dos Andes. Uma turma morreu, outra sobreviveu, mas não tinha comida e o jeito foi… comer os mortos. E quem estava para morrer, já dizia que poderia ser comido e tal.
Teeh: Argh, odeio essa caso. Esses dias um dos caras que sobreviveu passou na “rede bobo” esses dias.
Cássia: Eu vi esse cara. Mas ele disse umas coisas bem legais.
Nina: Isso tudo é bizarro!
Cátia: Eu nunca ouvi falar nisso.
Nina: Tem um filme sobre isso, não é?
Cássia: Tem um filme sim.
Cátia: Nossa!
Cássia: É muito bizarro… mas, pensa, aconteceu.
Nina: Pois é!
Cássia: E ele disse uma frase na Globo que foi ótima: “Quem reclama é quem está bem. Quem está mal, serra os dentes e segue em frente”.
Nina: O nome do filme é “Vivos”.
Cássia: Porque ele andou SOZINHO sei quantos quilômetros, no gelo, para tentar salvar quem ficou (e a própria pele, claro). Então, é aquela coisa: na hora do vamos ver, a gente não sabe do que é capaz.
Nina: Exatamente.
Teeh: Isso é…
Cátia: A questão da sobrevivência.
Nina: E voltando à história dos zumbis… é disso que trata, da sobrevivência.
Cássia: Exatamente.
Nina: Não é o terror dos bichos, mas a história de sobrevivência. O que os seres humanos se tornam na hora do vamos ver.
Cássia: E como cada um lida com isso. Aí que está a graça.
Nina: Isso.
Cátia: Olha, quando eu lia o livro eu pensava que numa situação daquelas, de catástrofe, de fome e miséria, todos os valores que cultivamos caem aos nossos pés.
Nina: Eu achei o livro lento em algumas partes, mas na verdade, eu sentia aquela tentativa (em vão) do pai de salvar o filho.
Cássia: Caem mesmo, Cátia. E era um salvamento meio impossível.
Nina: Mas era uma situação onde não havia mais esperança, e ele sabia disso, né?
Cátia: Porque era muito descritivo, Nina.
Cássia: Pior que sabia.
Nina: Só de imaginar uma coisa dessas… Tipo, vamos pra onde? Fazer o quê? aff!
Cássia: Comer o quê?
Nina: Exato.
Cássia: Ficar ou ir embora? Continuar vivo ou acabar com isso? Porque eu entendi a mulher do cara.
Nina: É, por mais angustiante que seja… a gente entende.
Cássia: Entende…
Nina: Numa situação dessas… quem vai julgar alguém?
Cátia: Sim…
Nina: Lembram da cena em “Ensaio…” onde o médico transa com a prostituta e a mulher vê tudo?
Cássia: Meu, essa cena é emblemática. Eu entendi o cara.
Nina: Demais!
Cássia: Todo mundo me xinga, mas eu entendi.
Nina: Kkkkkkkkkkk.
Cássia: Sério. Pensa, você virou um necas, sua mulher virou sua enfermeira…
Teeh: rs
Cássia: Mas é verdade.
Nina: É a velha história do que o ser humano se torna, né?
Cássia: Exatamente. Aí vai buscar meios para voltar a ser o que era, de alguma forma.
Nina: Quem pode julgar?
Cássia: Ninguém. Aliás, “Ensaio…” é sensacional. A humanidade inteira está ali.
Nina: Sim!
Cássia: Por isso que invoquei com “A estrada”. Porque, nossa… para chegar perto de “Ensaio…” precisa de muito.
Nina: Mas acho que “A estrada” era mais voltado para a relação do pai com o filho e da busca por algo que não existia mais, né? Tipo, ele não tinha esperança, mas sabia que tinha que continuar caminhando…
Cássia: Tem razão. Talvez, se eu tivesse lido sob esse enfoque, teria achado mais legal.
Teeh: Eu acho que ele tenta mostrar uma das parcelas da humanidade, a única em que há amor incondicional entendem? Que é a relação entre pais e filhos. (na maioria das vezes, rs)
Cátia: Eu acho que ele tinha alguma esperança.
Teeh: É a última que morre.
Nina: rs
Cássia: Sem esperança a gente não consegue nem acordar.
Cátia: Não sei… Precisamos de esperança para sobreviver? Ou precisamos dela para viver de verdade?
Cássia: Para tudo na vida.
Cátia: Haverá diferença entre viver e sobreviver?
Cássia: (Cátia, releia Jane Austen em breve!)
Cátia: (Sério… preciso mesmo… outro dia disse isso no Twitter.)
Cássia: (Precisa… para voltar a ter o coração cheio de suspiros.)
Teeh: Leia “Comer, rezar, amar”, Cátia.
Nina: (“Persuasão”, de preferência!!!)
Teeh: Que livro absolutamente gostoso.
Cássia: (Isso, “Persuasão”!)
Nina: Engraçado… Vocês lembram do nosso encontro de “Persuasão”???
Cátia: Acho que sim. Ai, “Persuasão”…
Cássia: Também acho que sim. Pena que a Teeh não pegou a fase Austen.
Nina: Ninguém parava de falar sobre o livro, sobre as personagens, era uma loucura só… A Cássia sofreu mediando o debate! kkkkkkkkkkk.
Teeh: Não. Li Jane Austen sozinha. BUAAAAAAAAAAAAAA.
Cátia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Cássia: Você adoraria. A gente amava ter discussões apaixonadas.
Cátia: Gente, foi animado.
Nina: E agora a gente se dispersa rapidinho!!!
Cátia: Mas “Emma” também foi…….
Cássia: A gente divergia, mas parecíamos mulheres loucamente apaixonadas, hehehe.
Nina: Muito apaixonadas!!!
[O papo seguiu sobre diversos livros. Até que Nina nos apresentou ao termo "senhorinha"...]
Nina: Quando eu trabalhava na livraria, esses tipos de livros ficavam numa estante que a gente chamava de “senhorinhas”.
Cássia: Senhorinhas, AMEI!
Cátia: Muito bommm, Nina.
Teeh: AHUSHUASAHUSUASAHUS.
Cátia: E como chamavam Jane?
Teeh: Delícia!
Cássia: Vamos criar o “Clube das Senhorinhas” só para ler esse tipo de livro.
Teeh: HSHSHSHSH .
Nina: Sério! Era Sidney Sheldon, Nora Roberts, Rosamund Pilcher, Jane Austen…
Cássia: Meu, sensacional.
Cátia: Eu nunca li a Nora, acreditam?
Cássia: Vamos mudar o nome do clube.
Nina: E eu era a senhorinha NÚMERO 1 DA LOJA! kkkkkkkkkk.
Cátia: Gente, mas Jane e Sidney nada a ver.
Cássia: A Nina vai nos guiar pela literatura senhorinha.
Nina: Não é por isso, Cátia, não é porque tem algo a ver, mas pela procura na loja, pelos romances. Tipo, a procura era maior pelas senhoras do que por jovens, entendeu?
Cátia: Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, entendi. Eu apoio, eu quero literatura de final feliz.
Nina: Tipo, a juventude só quer ler “Crepúsculo” e cia, e as senhoras gostam do bom e velho romance.
[E então o rumo da conversa mudou: criticamos "Crepúsculo" e demais livros juvenis, Nina nos indicou belos livros do gênero, zoamos com Bella Swan até chorar de rir e nos esquecemos de concluir "A estrada".]
Próximo Livro: A Estrada, de Cormac McCarthy.
Olá gente querida,
Enquanto o nosso próximo encontro não acontece, que tal algumas curiosidades?? Eu encontrei um artigo bem legal sobre o Cormac McCarthy, o autor do nosso próximo livro. Espero que gostem!
Livros: Cormac McCarthy e sua arte peculiar de contar grandes histórias
Por: Leilane Soares
Site: Cinema com Rapadura
Ele é o autor de “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “A Estrada”.
Você já parou para pensar no que motiva um escritor a fazer um filme sobre faroeste? Daqueles onde o mais forte sobrevive e a cidade tem aquele feno que percorre o cenário perfeito de uma terra sem lei? Ou o que levaria alguém a escrever sobre um filme apocalíptico? Onde tudo o que sobrou de uma família foi o pai e seu filho pequeno? Para Cormac McCarthy, a resposta, dada uma entrevista concedida a Oprah, é muito simples: “eu não preciso de um motivo, apenas quero contar uma história”.
O autor, que publicou “Onde os Velhos Não Tem Vez” em 2005, caiu nas graças dos críticos à época do lançamento, mas só foi descoberto pelo grande publico com a adaptação cinematográfica da sua obra para o cinema em 2007. O tema? O velho oeste. Mesmo com um tema tão adverso para um romance hoje em dia, o livro fez sucesso e chamou a atenção dos Irmãos Coen. E dois anos depois chegaria às telas do cinema sob o título, no Brasil, de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”. Em seu elenco o filme conta com Tommy Lee Jones (“Capitão América: O Primeiro Vingador”), Javier Bardem (“O Amor nos Tempos do Cólera”) e Josh Brolin (“Bravura Indômita”). Vencedor de quatro Oscar, incluindo melhor filme em 2008, o longa baseado na obra de McCarthy levaria ainda mais 75 prêmios internacionais.
Em 2006 o autor foi agraciado com o Pulitzer de Literatura por “A Estrada”. Uma adaptação ganharia as telas em 2009. Com direção de John Hillcoat, roteiro de Joe Penhall (“O Último Rei da Escócia”), o filme seria estrelado por Viggo Mortensen (“O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei”) e Kodi Smit-McPhee (“Deixe-me Entrar”). Ainda em 2006, McCarthy publicaria a peça “The Sunset Limited”, que seria adaptada para TV. Em fevereiro de 2011, a série de mesmo nome seria produzida e dirigida por Tommy Lee Jones. O elenco do seriado também conta com Samuel L. Jackson.
Em 2010, o The Times colocou “A Estrada” ocupando o primeiro lugar na sua lista de 100 melhores livros de ficção e não-ficção dos últimos 10 anos. Frequentemente comparado pelos críticos modernos a William Faulkner, McCarthy tem sido muito cotado a ser o próximo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Mas não é apenas isso. A vida literária do autor é um mais extensa. Outras obras também ganharam destaque no cenário literário como A trilogia da Fronteira. Que tal conhecer um pouco mais dessa caminhada do autor? [...]
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A estrada
Trailer do filme A estrada, de John Hillcoat.
Próximo livro: A estrada
Livro 11: Mãos de cavalo
O encontro aconteceu dia 11 de dezembro com participação de Alex, Cássia, Cátia e Laís. A nossa discussão, editada, vem a seguir.
Alex: Bem, quem começa?… rs
Laís: Depois de ler esse livro concluí que eu também posso escrever um romance.
Cássia: Eu conhecia tanto o livro, que achei que fosse de contos… só fui me ligar que era romance no capítulo 4 ou 5.
Laís: Não sei para vocês, mas para mim ele não teve absolutamente nada de mais; passei por ele praticamente sem sentir nada.
Cássia: Eu tenho uma lista de críticas e um punhadinho de elogios.
Laís: Também tenho elogios.
Alex: Eu achei que o livro tem umas questões muito interessantes e uma simbologia instigante, mas a escrita me incomodou um pouco.
Cássia: A primeira coisa que me incomodou: erros. Erros propositais.
Laís: Foi da escrita que eu gostei. Flui, ele te transporta para aquele espaço, para aquelas cenas.
Cássia: É que você gosta de descrição, não é, Laís? Eu não suporto.
Laís: Nada como uma descrição bem feita!
Cássia: Isso me mata: descrição.
Alex: Pareceu a mim como que o livro tivesse sido impresso sem revisão… fosse o 1º tratamento da narrativa.
Laís: Aquele começo, dele na bicicleta, foi lindo.
Cássia: Então, Alex… aí que tá.
Alex: Não revisão gramatical, que fique bem claro… rs.
Cássia: Tem erro proposital, aqueles “pras”. Em literatura, a regra para o revisor é: só mexa em acentuação. Em outros casos, perguntar ao autor. Tem “ver ela”.
Alex: Acho que a palavra melhor seria que o livro aparenta não ter sido editado.
Cássia: Tem “chegou na” em vez de “chegou à”. Tipo, para quê? Mas foi, hehehe. A Companhia das Letras é cuidadosa nisso. E só de revisão, foram duas. É coisa do autor mesmo.
Alex: Isso é interessante… Também não sei, mas pode ter alguma intenção embutida que não tenhamos captado, rs.
Cássia: (a Cátia não consegue comentar)
Laís: Confesso que isso não me incomodou.
Cássia: Então, ele escreve bem. Esse tipo de coisa é frescura, não cabe no texto dele.
Laís: Entendi que era algo proposital mesmo e só.
Cássia: Tá, mas qual o propósito? Colocar “pras” e “nas” ao longo do texto? Não rola se o autor escreve tão bem, porque ele escreve muuuuito bem!
[Cátia entrou na conversa]
Alex: Bem, retomando estávamos falando sobre a escrita…
Cássia: Isso, da falta de cuidado que eu achei que ele tem com o próprio texto. Sabe a impressão que eu tive? É como se ele tivesse escrito a história de maneira linear, em capítulos, depois resolveu misturar a ordem e fim.
Cátia: Estás a falar da forma que a história está organizada?
Laís: Acho que foi tudo proposital. Para que eu não sei, mas ingenuidade não sinto que foi.
Cássia: Isso, Cátia.
Alex: Também não acho que foi ingenuidade, parece tudo muito bem encaixado.
Cássia: Sim, foi proposital, mas a questão é qual o propósito.
Cátia: Gente, eu tenho de dizer, eu amei o livro.
Cássia: Sério?
Cátia: Sério.
Cássia: Eu xinguei o livro até a metade.
Cátia: lol. A parte inicial eu confesso, foi difícil porque ele exaustivo a escrever.
Laís: Amei a parte inicial.
Cátia: Mas o personagem era extremamente interessante.
Laís: Não sei se isso tem a ver com o fato de eu estar escrevendo mais, fazendo curso de escrita e tal, mas achei ótima.
Alex: O primeiro capítulo não pareceu que foi um resumo do restante da história com o paralelo entra os obstáculos na descida com a bicicleta e os desafios da vida do protagonista?
Cássia: Tem razão, acho que ele “resume” o personagem.
Laís: Confesso que não pensei nisso.
Cátia: Também não pensei nisso.
Cássia: Porque é sempre em torno disso, dessa história da bicicleta, depois do carro, mas como eu não gostei desse começo, não tinha nem pensado nisso.
Laís: Mas faz sentido.
Alex: Inclusive a fixação por sangue que depois permeia todo o livro de vermelho… rs. Tem vermelho prá todo lado… rs.
Cássia: Nem me fala nessa fixação por sangue, minha terapeuta ia amar tamanha escatologia, pelamor!
Cátia: O começo, para mim, foi difícil porque achei extremamente masculino.
Laís: Achei o livro inteiro masculino, in-tei-ro.
Cássia: Mas eu gosto de textos bem masculinos.
Cátia: A questão da infância em grupo. Sim, completamente.
Cássia: Tem de um outro autor, dessa mesma turma do Daniel Galera, que é testosterona pura e eu amo de paixão, não foi isso que me incomodou.
Cátia: Mas eu tive dificuldade de entender algumas coisas.
Laís: Quem é, Cássia?
Cássia: O Cuenca. Ele só conta histórias de mulheres chamadas Carmen. É MUITO macho-cho.
Cátia: Esse eu conheço.
Cássia: Que eu li umas cinco vezes.
Laís: Nunca li!
Alex: Acho que isso é porque é um protagonista masculino e os como os flashbacks se concentraram em momentos de transição (os rituais que passamos pela vida), mostrou aqueles tipicamente masculinos, afinal a jornada do homem é um pouco diferente da mulher.
Cátia: Sim, é verdade, o que eu achei.
Laís: É bem diferente.
Cássia: O nome do livro é “Corpo presente”, João Paulo Cuenca.
Laís: Às vezes incompreensível.
Cátia: E retomando o lado do sangue, vocês não acham que é interessante o facto de ele procurar quase que um sofrimento constante e, ao mesmo tempo, fugir dele?
Cássia: Ele se autoflagela o tempo todo.
Cátia: Sim. Mas ao mesmo tempo ele foge.
Cássia: Mas acho que isso é uma fuga. Quando a gente sente dor física, esquece a dor emocional.
Alex: Acho que não foi fuga e sim transferência.
Cátia: Como assim?
Alex: Sensação de dor no corpo compensava a apatia emocional.
Cátia: Não tinha pensado nisso….
Cássia: Não sei se seria transferência, mas acho que entendi o que você quis dizer.
Laís: Isso fica evidente quando ele está com a Naiara.
Alex: Como não podia sentir as agruras da vida emocionalmente, ele transferia para o corpo.
Cátia: Achei isso contraditório, mas as duas explicações são possíveis.
Cássia: O mais triste é que, no final, ele diz que as coisas serão diferentes e a gente sabe que, adulto, elas não foram.
Alex: Será que não? Não acham que o tema do livro é a segunda (ou segundas) chances?
Cássia: Claro que não… Olha a apatia da vida adulta.
Cátia: Não achei.
Laís: Aquele embate com os meninos que queriam bater no outro garoto.
Cátia: Achei mais uma expiação.
Cássia: Ele se afundou no estudo, se tornou médico, casou com uma mulher que não amava.
Laís: Acho que aquilo foi um começo e o fato de ter desistido de escalar tambémm, porque para ele escalar era uma fuga.
Cássia: E teve de dar surra em adolescente para se sentir vivo de novo? Aos 30 anos?
Cátia: Acho que foi uma expiação.
Cássia: Sim, isso foi.
Alex: Vocês repararam que a fase adulta dura menos de 2h? Acho que houve uma profunda reflexão durante esse período onde revisitou os momentos marcantes do passado e ele tentou “consertar” as falhas.
Cátia: Ele quis expiar, de alguma forma, a covardia do passado.
Cássia: Mas mostra como ele carregou aquilo com ele a vida toda.
Cátia: Sim.
Alex: E isso é muito legal quando você vê a forma como o livro foi construído.
Cássia: Eu achei a parte adulta melhor que a parte infantil/adolescente.
Alex: O passado vai revelando o futuro e o próprio passado ao mesmo tempo.
Cássia: Eu gostava mais de saber o que ele iria fazer do que quando ele era criança.
Cátia: O capítulo do parto da mulher é qualquer coisa…
Cássia: Mas aí eu vi uma coisa que não gostei. Era tudo meio anticlímax. Aquele parto, ó, quase desisti de ser mãe, hehehe.
Laís: A vida de muita gente é anticlimática.
Cátia: lollllllllll. Eu também. Mas muito intenso, muito real.
Cássia: Não é não, Laís. Na nossa vida, os acontecimentos se encadeiam em antes e depois.
Cátia: Muito cinematográfico.
Cássia: No livro, não é assim. A surra nos adolescentes quando ele é adulto é catártico, mas só entendemos isso nos capítulos seguintes, ou seja, não me envolvo com aquele momento porque não sei a importância que ele teve no passado. É disso que estou falando. Cátia, tem razão. Aliás, o livro todo é bem cinematográfico.
Laís: Digo isso porque há um momento em que ele diz que a vida parece sempre mostrar algo de heroico que nunca vem, algo assim.
Alex: Isso mesmo.
Cássia: Ah, entendi, mas é que falei de outro ponto mesmo.
Cátia: A desistência da escalada, como lembra a Laís, vocês entenderam o que fez o clique para ele desistir? Eu fiquei na dúvida.
Cássia: Não…
Cátia: Foi ele pensar na mulher, foi ele pensar na vida enquanto ia para a casa do amigo? Este foi um momento que não consegui alcançar bem.
Alex: Acho que é porque o livro vai mostrando uma pessoa que tem uma certa crise de identidade, de tentar descobrir quem ele é.
Cátia: Mas o que despoletou isso? Ele estar meio tremido com a mulher?
Laís: Sei que não é o ponto central, mas, Cássia, você falou que ele não amava a mulher; acha mesmo? Tenho dúvidas.
Cássia: Acho sim.
Cátia: Eu não tenho certeza.
Laís: Nem eu.
Cássia: Esse rapaz buscava por momentos “epifânicos”. Ele resolveu casar com essa mulher depois de um momento assim: “Vou te fazer feliz assim pra sempre”.
Cátia: Grandes auges?
Alex: Também não tenho uma opinião tão definida quanto aos sentimento pela esposa.
Cássia: Ãrrã, vai sim, fofo. Exatamente.
Cátia: Ele era muito de adrenalina.
Cássia: Ele nunca quis casar e resolveu quando teve um momento incrível com essa mulher. Isso não é amor. Bem, pelo menos foi como eu vi a situação, né.
Laís: Acho que ele aproveitou esse momento porque se contrapunha a toda a apatia que ele sentia por tanta coisa…
Cássia: Então, casou para não ter apatia e era impossível não ter.
Alex: Bem, é que ele era pessoa que se via (e aparentava) não conseguir ter sentimentos.
Laís: Uma chance de se conectar a algum universo exterior a ele mesmo.
Cátia: Interessante.
Alex: Acho que ele era meio Dexter… rs.
Laís: Hahahaha.
Cássia: Hahahaha! Fora a psicopatia, tem razão.
Cátia: Eu tenho que ver mesmo o Dexter.
Alex: Exatamente nesse sentido de ter uma dificuldade de conexão, rs. Até o gosto por sangue… rs.
Cássia: Opa, não viu ainda, Cátia? VEJA!
Cátia: Não, acredita?
Cássia: É sensacional. Angustiante, mas sensacional. Esse gosto por sangue foi me dando uma agonia…
Cátia: Acho que está a fazer falta na minha cultura de séries.
Laís: Vocês acham que o nome que ele deu para a filha tem algo a ver com a Naiara?
Cássia: Acho.
Cátia: Eu achei muuuuuuito coincidência.
Alex: Completamente. rs.
Cátia: Até a Naiara achou.
Alex: Isso mesmo. rs.
Cássia: E no que a Naiara se transformou, hein?!
Cátia: Eu cheguei a conclusão que ele era um prisioneiro do seu próprio passado.
Laís: Mas por que ele fez isso?
Cátia: Porque ela foi a mulher dele, apesar de tudo.
Cássia: Não sei… Acho que ele quis cuidar da Naiara e não conseguiu. Ele fala dela de um jeito paternal, mesmo na adolescência.
Cátia: Apesar de não ter sido mas poderia ter sido.
Cássia: Ele não conseguia vê-la como mulher.
Alex: Como se trata de tentar fazer o que não tinha feito, é como se desse a ela a vida que ele se sentia incapaz de dar. Ele queria amá-la mas não conseguia.
Cássia: Quando eles estão no quarto, ele mesmo ficava “mulher, mulher, mulher”. Exatamente. A filha era a única que ele amava.
Cátia: A tragédia os separou.
Laís: Por isso que eu gosto de discutir com vocês; vocês abrem portas de percepção. Não acho que a tragédia os tenha separado, ele mesmo os separou.
Cássia: Depois daquela tragédia, era natural ele ficar longe de todos. Eu também ficaria.
Cátia: Sim. Achei muito triste.
Alex: Eu acho que o que aconteceu com Bonobo (que nome!…rs) não interferiu na história dele com a Naiara.
Cátia: Não a separação, mas surra do Bonobo.
Laís: Fiquei me perguntando se o garoto que ele ajudou não poderia ser o filho do Pedreiro.
Cássia: Eu só lembrava dos macacos bonobos.
Cátia: Não achas?
Laís: Concordo, Alex.
Cátia: Nossa, que boa lembrança, Laís!
Alex: A história com ela foi mais uma, além da covardia no caso da morte do irmão dela, daquelas que ele precisava revisitar no presente.
Cássia: Não pensei nisso, mas pela idade, poderia ser.
Alex: É por isso que fico com a forte impressão sobre a questão da segunda chance.
Cássia: Só eu não vi segunda chance?
Cátia: Eu vi expiação e não segunda chance.
Cássia: É, acho que está mias para isso, resolver um trauma do passado para seguir adiante.
Cátia: Sim, mas mesmo aí.
Laís: Sim.
Cátia: Foi meio amargo.
Alex: Mas segunda chance não é voltar ao passado e refazer algo que deixou de fazer?
Laís: Acho que toda expiação, ou mesmo segunda chance, é meio amarga.
Cássia: Foi estranho. Ele com aquela machadinha que tem outro nome, atacando os meninos, não sei…
Cátia: Ele saiu de perto da Naiara e foi meio assim “adeus e até nunca”.
Cássia: Não, Alex.
Laís: Porque antes disso passa-se por um monte de coisas, um monte de pesadelos.
Cátia: Sim, é verdade, Laís. Sim.
Cássia: Segunda chance seria se ele pudesse salvar o Bonobo.
Cátia: Mas a expiação deveria ser um primeiro passo para um ressurgimento.
Laís: Não concordo, Cássia.
Cássia: Não sei, acho que a gente nunca é uma coisa só.
Cátia: E faltou um pouco isso, ou é em aberto para nós sonharmos.
Alex: Hum… Acho que a segunda chance não é salvar o Bonobo, mas sim não se acovardar naquele tipo de situação.
Cássia: Acho que ele era uma soma de coisas e a sua atitude na vida adulta não era apenas por conta do Bonobo.
Laís: Às vezes segunda chance é só você conseguir seguir; não consertar o que está feito, mas não cometer as mesmas bobagens.
Cássia: Queridos, respeito a opinião de vocês, mas para mim segunda chance é outra coisa. Seguir adiante não é segunda chance, é seguir, apesar do que aconteceu.
Alex: Era o tal de não desperdiçar novamente a chance de ser “herói” como o trecho que a Laís destacou.
Cátia: Agora estou confusa.
Cássia: Para mim, a questão ali não era apenas ser herói, era salvar alguém da morte.
Laís: A gente pode até discordar do modo, dele chegando lá e detonando os adolescentes.
Cássia: O Bonobo era aquilo que ele queria ser.
Laís: Mas não se pode negar que foi uma mudança de atitude.
Cássia: Não acho que tenha sido, Laís. Sinceramente. Até porque, não vemos como foi a vida dele depois disso, ele parou na Naiara e fim. Ele continuou médico? Continuou casado? Continuou escalando? Continuou amigo do Renan? Continuou apático?
Cátia: Ppois, ficou em aberto.
Cássia: Continuou buscando coisas para sentir dor? Se continuou, não mudou a atitude, só expiou o passado. Tirou a culpa dos próprios ombros, só isso.
Cátia: Sim.
Laís: Aí cada leitor pensa o que quiser e o que couber.
Cássia: Ele não fez para salvar o garoto, ele fez para si mesmo.
Cátia: Eu concordo com isso. Mas não posso negar que ele tinha um lado que gostava de aparentar ser um herói, gostava de aparecer.
Laís: Tinha mesmo.
Cássia: Isso sim. E achei tão estranho ele ser “ooooo” cara aos 30 anos de idade.
Laís: Desde o ciclista urbano, rs.
Cátia: Se foi uma expiação, temos um personagem empenhado em melhorar.
Cássia: Ninguém é cirurgião plástico renomado aos 30 anos de idade.
Alex: Nisso concordo, a questão não era salvar ninguém sim uma segunda chance dele conseguir uma conexão com o mundo.
Cátia: Se foi para aparecer, temos um personagem mergulhado no seu próprio egoísmo.
Cássia: Mas ele era egoísta.
Laís: Acho que tinha um pouco das duas coisas.
Cássia: E vocês podem me bater, mas não acho que ele queria melhorar. Sabe o que pareceu? Desculpem o vocabulário, mas… Quando a gente já está até a tampa e dá um foda-se no mundo.
Cátia: Sim, concordo, Cássia.
Cássia: Foi o que ele fez com a mulher e o Renan: “Fodam-se vocês e me deixem em paz”.
Cátia: Sim. Eu tendo a romantizar.
Cássia: E foi uma das partes que mais gostei do livro.
Cátia: Mas foi isso.
Cássia: Ele falando na “cara” do amigo: “Você fala demais!”
Cátia: lol. Renan você é o mala. lol
Cássia: Exatamente.
Alex: Você dar um foda-se para o mundo é uma demonstração de que ele poderia estar saindo da letargia emocional.
Cássia: Não suporto mais você. Todo mundo tem seu momento que enche a tampa, mas nem sempre surta.
Laís: Concordo de novo, Alex.
Cássia: Ele estava no momento propício de surtar.
Cátia: Sabem, num contexto diferente isto me lembra o perfume. Será que ele era apático ou ele tão egoísta que não estava nem aí para ninguém?
Alex: Acho que você sair de alguém que o talento para se conectar com as pessoas era se machucar para alguém que expressa seus sentimentos e toma uma atitude mais proativa (ainda que não tenha grandes resultados) é uma mudança considerável.
Cássia: Boa, Cátia! Para pensar…
Alex: Acho que apático.
Laís: Concordo de novo, Alex.
Cátia: Porque em algumas situações impressionava-me a insensibilidade dele.
Cássia: Para mim, ele continua sendo um rapaz egoísta que teve um surto momentâneo e que, se o livro continuasse, teria a mesma vida de antes.
Laís: Não há como saber isso.
Cássia: Não há como saber o que, Laís?
Cátia: Ele roçava a indiferença.
Laís: Se ele continuaria sendo um egoísta ou se de fato mudou alguma coisa.
Cássia: Claro, né, Laís? Hehehe. O livro parou, sei que não é possível.
Alex: Bem, não sei o que pensar. A não ser que adotemos um parâmetro do que é ser apático e do que é ser egoísta, daí fica mais fácil saber em qual dos dois penso que ele se encaixa, rs.
Cássia: Estou falando o que, na minha visão, aconteceria. Acho que cada qual o enxergará com seus próprios olhos.
Laís: Sim, Cássia.
Cátia: Eu acho que ele voltaria, continuaria com a mulher e teria outro surto daqui uns tempos.
Cássia: Eu não consigo vê-lo como alguém que deu uma guinada na vida. Vocês, sim. E se batermos nessa tecla, ficaremos aqui até amanhã.
Laís: Sobre apatia e egoísmo, não estariam as duas coisas bem próximas?
Cátia: Nem sempre, Laís.
Cássia: Há pessoas apáticas que são altruístas e pessoas “vivas” que são absolutamente egoístas.
Alex: Não uma guinada, mas uma mudança. E ele tinha um dilema e isso não é o mesmo do que um problema porque para se resolver um dilema você tem que mudar de percepção. Acho que isso ele fez. Agora, se isso trará grandes consequências à sua vida no futuro não sei e acho que nem o autor também… rs.
Cátia: Em nenhum momento do livro eu pensei nele como alguém apático.
Cássia: Qual era o seu dilema? Eu via um grande trauma ali, não um dilema.
Cátia: Eu vi um remorso.
Alex: Como uma pessoa solitária e renegada pode se conectar com o mundo?
Cássia: Saindo para o mundo é um começo.
Cátia: Renegada? Em que sentido?
Alex: Bem, mas só sair não irá resolver a não ser que haja uma mudança de percepção em algum nível.
Cássia: Mais ou menos. É fácil ser solitário quem vive no próprio mundo. E muitos renegados, na verdade, renegam as pessoas.
Alex: Boa pergunta. Talvez renegado não seja um termo muito apropriado… rs.
Cássia: Tem muito solitário que “odeia a humanidade”.
Alex: Talvez renegante? Existe isso? rs
Cássia: Ah, neologismo, vai, hehehe.
Cátia: Talvez exista.
Laís: Mas não dá para entender.
Cátia: Mas não entendo, renegado.
Cássia: Renegante não existe, o Houaiss me contou.
Laís: Solitário ele sempre foi, desde a infância; mas a gente não sabe o motivo.
Cátia: Ele se sentiria colocado de lado?
Alex: Ou ele se colocava de lado? O renegante seria nesse sentido
Laís: Aí é que está.
Cátia: Renegante, então.
Cássia: Acho que ele se colocava de lado.
Cátia: Então.
Cássia: Ele se sentia deslocado ali.
Cátia: Concordo com o renegante.
Cássia: Porque a galera gostava dele.
Cátia: Sim.
Laís: Concordo com o renegante também.
Cátia: Sim, é verdade.
Cássia: Ele não era o Morsa.
Cátia: Verdade. lllloooollllll. Ai, o Morsa.
Alex: Tenho um nanoconto em que o título “O Renegante”cairia muito bem… rs.
Cátia: Eu gostei do Morsa, tadinho.
Cássia: Também gostei do Morsa. Aí, Alex, já tem o título! hehehe.
Cátia: Todo mundo interessado só no game dele.
Cássia: Coitado.
Laís: Esse era renegado.
Cátia: Esse era.
Cássia: E todo mundo doido para fugir dali. E ainda mostra que ele teve uma vida típica de “a revanche do nerd”.
Cátia: Gente, adorei isso do renegado/renegante.
Cássia: Renegante é quem renega, certo?
Cátia: Acho que o teu conto vai fazer sucesso com esse título, Alex.
Alex: E já tenho o nanoconto, rs. Desculpem eventuais erros de concordância, etc: O Renegante – Viveu vários momentos felizes, não se deixou contaminar por qualquer deles.
Cátia: Sim.
Cássia: A palavra “correta” é renegador, segundo o Houaiss.
Cátia: Ihhhhhh.
Cássia: Lembra regador.
Cátia: Não soa tão bem.
Alex: Ah, deixa eu ter meu momento Guimarães Rosa vai… rs.
Cátia: Gosto mais do renegante.
Laís: Renegante é mais legal. E gostei do nano, Alex.
Cátia: Lembra navegante.
Cássia: “Renegador. Datação. 1785 cf. Catec. Acepções. Adjetivo e substantivo masculino: que ou aquele que renega.” Ah, claro, Alex.
Cátia: Alguém que vagueia no mundo da sua própria maneira.
Cássia: Se joga no neologismo e vai! hehehe.
Cátia: Hahahaha.
Cássia: Mas o mal de revisora foi descobrir no dicionário se existe, se tem sinônimo, essas coisas, hehehe.
Cátia: Hahahahahahaha.
Alex: Eu faria a mesma coisa, Cássia, é que meu mouse pifou e não dá para ficar saindo da janela do MSN e ficar navegando na internet, rs.
Cássia: Ah, saquei! hehehe.
Cátia: E o que dizer dos escritores que inventam palavras, tipo Mia Couto?
Cássia: Sinceramente?
Alex: Nossa, esse é campeão também… rs.
Cássia: Quanto melhor o autor, mais propriedade ele tem para inventar palavras.
Cátia: Pois é…
Cássia: Tem de ter propriedade.
Cátia: Isso também é verdade, não é para qualquer um.
Alex: Concordo.
Cássia: Exatamente. Tem uns livros ruins, textos ruins, umas coisas nada a ver e o autor “Ah, mas Guimarães criou, Mia criou, Saramago criou”. Filho, depois que você escrever algo semelhante a “Grande sertão: veredas” volta aqui e a gente conversa.
Cátia: Saramago é mais a pontuação e construção frásica.
Cássia: Sim, mas tem quem queira imitá-lo. aliás, imitam muito mais isso que os neologismos.
Cátia: Simmmmmmmm e como tem.
Cássia: Ele pode fazer essas coisas…
Cátia: Diz, Laís.
Laís: Uma dica: se tiverem a oportunidade de ler “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, do Marçal Aquino, não percam. Fecha parênteses.
Cátia: Ouço falar muito bem dessa história.
Alex: Opa, dica anotada.
Cátia: Depois, eu fiquei sem saber. Vocês gostaram do livro?
Cássia: O título é incrível, mas nunca li. No fim das contas, eu gostei.
Alex: Eu também gostei.
Cássia: Do meio para o final, eu comecei a gostar do livro.
Laís: Gostei mais depois dessa discussão. Me fez ver coisas que eu não tinha visto e dar uma importância maior aos acontecimentos.
Cássia: E daí dei crédito ao autor.
Alex: E emendando com outra pergunta: Vocês leriam outras obras do autor?
Cássia: Não que ele precise do meu crédito, hehehe! Mas não botava fé.
Cátia: Eu leria.
Cássia: Leria.
Cátia: Eu não botava fé, or causa do título.
Cássia: Essa pergunta é boa daqui para frente em todos os livros, se a gente leria outro livro do autor.
Laís: Leria, mas sem aquela expectativa absurda. Mas não colocaria na frente da minha fila não, o livro teria de esperar a sua vez.
Cátia: Mas eu comecei a ler, e parecei difícil, muito pormenorizado.
Alex: Eu também e essa resposta vale para os anteriores. Com exceção do autor d’O Perfurme, mas daria uma nova chance a ele (talvez).
Cátia: Depois eu fiquei tão fascinada. Esse nããããããoooooo.
Cássia: O autor de o Perfume, eu passo a vez para sempre.
Laís: Também.
Cássia: Eu leria outro do (qual o nome dele mesmo?)
Cátia: Eu nunca mais leria nada do autor de o Perfume e não recomendo. Perdoe-me, Teeh.
Cássia: Ai, meu Deus, do Cemitério de pianos, fugiu o nome!
Cátia: José Luís Peixoto.
Cássia: Isso! Dele eu leria.
Laís: Desse eu leria tudo e mais um pouco.
Cássia: Do Daniel Galera eu leria.
Cátia: Eu também e vou procurar mais coisas dele, gostei. Acho que foi o primeiro livro que eu li que achei totalmente masculino.
Cássia: Procurar mesmo eu não sei se vou, hehehe.
Cátia: E achei isso muito interessante.
Cássia: Leia “Corpo presente”.
Alex: Não sei vocês, mas adoro descobrir novos autores e saber que ainda tem coisas dele para ler… rs.
Cátia: Sim!
Laís: Eu sei que vou procurar mais coisas do José.
Cátia: O que a Laís recomendou eu já tenho aqui e já tenho o outro no olho.
Cássia: Eu confesso: sou reticente com novos autores.
Alex: Eu esqueci qual é o próximo… rs.
Laís: Nem começa.
Cátia: A estrada.
Laís: Eu vou ser uma nova autora e você vai ter que me ler, hahahahaha.
Cátia: Hahahahahaha.
Cássia: A estrada, Cormac MCCarthy. Sou reticente mesmo, ué, hehehe.
Laís: Mãos de cavalo pode não ter sido o melhor livro que já li para o clube, mas acho que esta foi a melhor discussão que tivemos. Foi bem produtiva.
Cátia: É verdade, porque eu acho que foi o livro com o personagem mais complexo.
Alex: Eu também achei a discussão muito elucidativa.
Cátia: E foi o livro mais desafiante para mim.
Alex: Eu achei um livro que a construção do personagem durante a narrativa foi muito bem construída.
Laís: Lembram que a Naiara disse que homens cegos a excitavam? Achei aquilo muito engraçado.
Cássia: Hehehe.
Cátia: Sim! A questão do tacto, talvez, ou um lado dela maternal.
Alex: Eu pensei o mesmo… rs.
Cátia: Não sei, eu achei ela muito maternal.
Cássia: Eu só pensava que ela era uma garota muito precoce.
Laís: Não sei…
Cássia: Para se excitar com Spectromen aos quatro anos de idade.
Cátia: Maternal no sentido de guiar, de ser uma guia. lollololololololloololol
Cássia: Mas maternal e excitação não são opostos?
Cátia: Eu só pensei.
Laís: Interpretação interessante.
Cátia: “Quem é o Spectromen?”
Alex: Segundo Freud e seu Complexo de Édipo, não… rs.
Cássia: Mas em Complexo de Édipo é outra coisa, é a fixação pela mãe ao vê-la como mulher, não pelo lado maternal da mãe, hehehe.
Cátia: Laís, eu achava que ela guiava mas não manipulava, entendes?
Laís: Claro, não manipulava nunca.
Cátia: Sim.
Laís: Tanto que perdeu o que mais queria.
Cátia: Quando ela o levou para o quarto, ela o guiou em todo o momento e todas as vezes que ela estava presente ela tinha assim uma presença marcadamente de observação e de condução, eu não sei explicar bem…
Alex: Então se a história seguisse a jornada mítica do herói ela seria uma espécie de mentor? Ou um aliado?
Laís: Está mais pra aliado, acho.
Cátia: Ela seria talvez uma conselheira… será isso ser mentor?
Laís: Sim.
Alex: No sentido proposto por Campbell, sim o mentor é um conselheiro.
Cátia: Mas a verdade é que ela era também uma aliada dela.
Alex: Ou quem apresenta o desafio e impulsiona o herói a iniciar sua jornada.
Cátia: Eita livro complexo!
Laís: Muito mais do que eu poderia imaginar.
Cátia: É verdade!
Laís: Ganhou vários pontos comigo.
Cátia: Para mim, foi o livro até agora. Na dianteira com O amor nos tempos de cólera.
Alex: Nossa… superou o do Peixoto que você gostou tanto?
Cátia: [carinha sorridente]
Cássia: Gente, só eu não vejo tanta complexidade e grandeza nesse livro? Eu acho que sou o ponto anormal no Clube de Leitura, sério.
Cátia: LLLLLLLLLOOOOOOOOLLLLLL. Ora bem…
Cássia: Estou me sentindo o Hermano.
Cátia: o Peixoto está lá em cima elevado.
Cássia: Vou lá estudar para o vestibular de Medicina.
Cátia: Acima dos céus. Hahahahaha. lololololololol
Alex: Agora ficou complexo: nós nos identificamos com a obra e você com o protagonista? rs
Cássia: Eu não me identifiquei com ninguém…
Cátia: lololololololololol
Cássia: E, para mim, o Hermano é só um garoto que passou por experiências na vida. Está longe de ser complexo ou de o analisarmos sob o ponto de vista da jornada do herói. Maaaaas, é o meu ponto de vista.
Alex: Eu sei que não se identificou… Eu só brinquei porque você disse que se sentiu como o Hermano, rs.
Cássia: Vocês veem de outra forma e só estou aqui copiando e colando no arquivo [que depois é publicado no blog]. Ah, foi porque dissemos que ele era excluído, ou se sentia de lado, hehehe.
Cátia: Eu achei desafiante a escrita, a forma de construção do livro.
Alex: E eu a construção do personagem e narrativa… rs.
Cátia: E o protagonista meio que indecifrável porque no fundo é tudo muito complexo e isso parece-me muito real.
Laís: Mais indecifrável para as mulheres, talvez (????????????????).
Cátia: Hahahahaha.
Alex: Eu me abstenho de comentar nesse ponto… rs.
Cássia: Ele não foi indecifrável para mim. Ou porque eu sempre tive mais amigos na infância.
Cátia: Não desce a rua na Caloi, Cássia!
Laís: Por isso eu disse talvez.
Cássia: Digo, mais amigos que amigas, eu achava os meninos mais legais. Ainda acho, na verdade.
Cátia: Você não fez colecção de papel de carta? LOL
Cássia: Fiz… E o que que tem a ver? Hehehe. Eu não agia como menino, eu só era amiga dos meninos, hehehe.
Cátia: EU FIZ TAMBÉM. Ainda tenho. Gente, que vergonha, eu ainda tenho.
Laís: Não se envergonhe não.
Cátia: Eu não era muito. Na realidade, eu não tinha mais amigos de um lado ou de outro.
Cássia: As meninas me excluíam na escola, hehehe.
Cátia: Sempre me dei bem com todos mas sem ser aquele elemento popular. Ohhhhhhhhhhhhhhhh. Eu seria sua amiga
Cássia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Abraço coletivo, gente.
Cátia: Eu dividiria a minha merenda contigo! Weeeeeeeeeeeeeee.
Cássia: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Cátia: Hehehehhe.
Cássia: Também vou dividir minha merenda com você, amiga.
Cátia: Bem, íamos concluir mesmo?
Cássia: Fechamos o ano com chave de ouro. Livro bacana, discussão bacana.
Cátia: É verdade.
[Depois de longas trocas de feliz Natal e Ano-Novo...]
Alex: Abraços e nos encontramos na estrada… rs.
Cássia: É mesmo, vamos começar 2012, ano em que dizem que o mundo vai acabar, com um livro apocalíptico.
Cátia: Wow!
Cássia: Ai, que Deus nos proteja, hahahaha.
Alex: Presságio?! Nos vemos na próxima temporada do Clube.



